F1 – Honda e Adrian Newey podem estar aprontando…

Red Bull

Algo que chamou a atenção no último dia de testes em Barcelona foi o som da UP Honda, que começava a estourar na desaceleração e no meio das curvas, especialmente na curva 10, como se o acelerador estivesse sempre ligeiramente aberto. O que Newey está tentando com os japoneses?

Qualquer pessoa ouviu isso imediatamente. Você não precisava ser um especialista em F1 para entender que o som da UP Honda montada no Red Bull RB16 era definitivamente diferente de todos os outros, especialmente na curva 10 do circuito de Barcelona.

Voltando aos anos dominantes do início de 2010, com a Red Bull Renault e Sebastian Vettel, Adrian Newey garantiu que os Touros tivessem alguns truques secretos na manga para vencer o resto do grid. Colaborando com a Renault em um momento em que a relação entre a Red Bull e o fabricante francês ainda não havia começado a azedar, Adrian construiu um conceito que começou duas décadas antes nos anos 90 – exaustão soprada para aumentar o downforce.

A capacidade da Red Bull de projetar gases de escape quentes e energizados no difusor do carro era um um elemento crucial na produção de downforce. A Renault ajudou nisso, colaborando com Newey, a fim de produzir modos especiais de mapeamento do motor que mantinham o acelerador aberto, apesar do pé do piloto não estar mais no pedal. Isso ajudava demais a velocidade no meio da curva ao “soprar” o difusor com gases quentes, mesmo quando o carro estava no freio no meio da curva. E obviamente, ajudava muito na re-aceleração rápida nas saídas de curvas.

Agora nessa pré-temporada, enquanto todos os outros carros, depois de terminar a frenagem da reta oposta que leva à curva 10 cortavam o motor na freada e no começo da curva, o Red Bull com Max Verstappen ao volante conseguia fazer a curva perfeitamente parecendo não tirar o pé, e emitindo o som de um motor murmurando e explodindo, como se o acelerador mantivesse um ou dois cilindros abertos e a UP continuasse a fornecer torque na curva de velocidade mais baixa do circuito de Barcelona.

No “ao vivo” do Autoracing foi dito que Max parecia forçar demais o carro em algumas curvas freando muito depois dos outros e re-acelerando muito antes.

E isso imediatamente lembrou dos escapamentos sopradores que tornaram a Red Bull de Sebastian Vettel quase imbatível no início da década de 10, aproveitando o desempenho de cerca de um segundo dos escapes soprando na parte inferior, aumentando a carga no difusor traseiro com os gases quentes.

Aquele era um motor de 2,4 litros aspirado de 8 cilindros e tinha um fluxo de gás considerável, tanto que, com uma calibração adequada da válvula de escape, era possível produzir um “efeito de sopro” com o motor Renault. Basicamente, a válvula de escape permanecia sempre aberta em uma quantidade mínima, de modo a permitir em alguns cilindros soprassem gás quente pelo escapamento.

Agora a situação é muito diferente, porque a turbina retira muita energia dos gases e o escape exclusivo do início da era híbrida foi movido para cima, para evitar que ele pudesse alimentar o difusor.

Então, o que a Honda está testando? No passado, a Ferrari e a Renault foram desafiadas a abrir a válvula de descarga do turbo com estratégias específicas para soprar os dois pequenos escapamentos adicionais (adotados em 2016 para melhorar o ronco) em baixas velocidades, de modo a melhorar a eficiência sob o perfil principal da asa traseira e ajudando na extração do fluxo do extrator central.

O efeito, obviamente, não se compara ao que era produzido pelo V8 aspirado, mas na F1 não há nada que não possa dar uma vantagem de desempenho. De fato, o sopro pode ser gerado pelo impulso do compressor que, na fase de liberação do V6, é ativado pelo MGU-H, o motor elétrico que recupera a energia do turbo.

Em essência, há uma compressão extra de ar na câmara de combustão que seria “disparada” no escapamento sem a injeção de combustível para gerar a explosão. Combustão sem combustível.

A turbina, portanto, era como se fosse pré-carregada, e o ar soprado extra – sem gás residual de combustão – era liberado do wastegate que permanecia aberto, aumentando um fluxo mais energético para a asa traseira. Havia uma vantagem aerodinâmica em curvas lentas e toda vez que o acelerador era fechado.

E uma taxa de fluxo de gás diferente foi determinada nos dois escapamentos para explorar o sopro com estratégias cada vez mais complexas e eficazes. Mas no caso do Red Bull RB16, parece haver uma explosão. O que Newey inventou dessa vez? O RB16 é um laboratório de soluções interessantes e a Honda quis participar da inovação…

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AS - www.autoracing.com.br

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