F1 – Em Abu Dhabi venceu o melhor

Valtteri Bottas

Por Adauto Silva

Eu sabia que a Mercedes era favorita para vencer em Abu Dhabi. Corrida de noite e portanto asfalto com temperatura baixa, duas curvas de alta, algumas de média e duas longas retas. Tudo isso, fora o histórico de ter vencido nos três anos anteriores.

O que eu não sabia era que eles venceriam com tanta facilidade. Por isso fui atrás e descobri que tanto Bottas quanto Hamilton foram liberados para correr com o motor “a pleno” durante a corrida. Sem nada a perder, já que ambos os títulos já haviam sido conquistados, a Mercedes liberou potência total para seus dois pilotos usarem quando quisessem durante a classificação e corrida.

Lewis correu um risco grande de quebrar, já que foi a segunda corrida seguida que seu motor foi levado ao limite durante uma corrida inteira. Mas como ele só se interessa em ganhar, ele mesmo quis ir para o tudo ou nada.

Mas infelizmente – para ele – Bottas não lhe deu chances, portanto ele ficou em segundo, ou seja, nada. Disse ele que não estava “tão focado assim” e talvez não estivesse mesmo. Que isso lhe sirva de lição para ele estar sempre focado como era o ídolo dele, o saudoso Ayrton Senna.

Com Senna não existia isso, ele estava sempre focado em todas as corridas, 100% do tempo em quaisquer condições. Corria para ganhar todas, dava tudo de si desde os treinos livres e era tão focado que pentelhava seus engenheiros e mecânicos o tempo todo, inclusive na fábrica. Não, pelo que me contam não era fácil trabalhar com Ayrton. Mas o retorno que ele dava tirando absolutamente tudo do carro sempre era garantido. E isso era o que importava.

Para que Lewis possa ser comparado a Ayrton algum dia ele tem que ser assim sempre, não pode bobear um segundo.

Nessa ele bobeou e Bottas cravou. O finlandês simplesmente foi o melhor piloto do fim de semana e mereceu vencer. Ao contrário do que parte da torcida pensa, Bottas é considerado pelo circo da F1 como um ótimo piloto e torna-se excelente quando as condições são ideais. E Lewis devia saber que em Abu Dhabi as condições seriam ideais para a Mercedes.

Vettel fez o que tinha que fazer e chegou em P3. Quem andou mal de novo foi o Kimi (Ferrari, cria vergonha na cara!), que só chegou em P4 devido a mais um infortúnio de Ricciardo. Eu já perdi as contas de quantas corridas o australiano se deu mal por problemas no carro, coincidentemente depois que seu companheiro de equipe Verstappen renovou até 2019.

Gostei da despedida de Felipe Massa. Meteu 1 segundo em Stroll na classificação e 1 minuto na corrida. Mas mais que isso, pela segunda vez seguida ele andou o tempo todo com Fernando Alonso em seu cangote e não cometeu um erro sequer. E assim como em Interlagos, apesar de desta vez ter perdido a batalha, foi aplaudido pelo espanhol outra vez no final da corrida.

Repare como o genial espanhol muda o traçado atrás de Felipe preparando o bote final:

O que precisa mudar?
Algumas coisas. Comecemos pelas pistas. Este regulamento novo dependente demais da aero prejudica muito o carro que tenta seguir o outro de perto. E em algumas pistas como Abu Dhabi, Hungria, Austrália, Monaco, Cingapura e Barcelona isso mata as corridas. Quem largar na pole nessas pistas vai ter mais de 90% de chances de vencer, caso não quebre ou tenha algum grande imprevisto.

O Halo. O que é isso? Na minha opinião é uma das coisas mais bizarras que já vi em automobilismo. Um dispositivo horrível que vai aumentar muito pouco a segurança e ainda atrapalhar a visão dos pilotos. É a mesma coisa que você pintar uma faixa estreita no para-brisa do seu carro bem na sua frente. Simplesmente ridículo.

E os três motores que serão permitidos em 2018? Quem teve essa ideia de jerico? Quem será que foi o iluminado? Por que não olham para isso de novo? O que deu na cabeça do Jean Todt, um homem que conhece muito e devia estar na FIA em prol e não contra o automobilismo?

Em 2018 teremos 21 corridas, ou seja, cada unidade de potência vai ter que durar 7 finais de semana de corrida! Pra que isso? O custo de 1 motor a mais não ia matar ninguém, mas um a menos pode decidir o campeonato a favor somente da confiabilidade. Isso é normal? Formula 1 virou endurance agora? Nós queremos velocidade, pau na máquina, pé no porão, 370 kph em Monza para ver onde os caras vão frear para a chicane!

A gestão de Todt na FIA só está servindo para provar como o poder corrompe as pessoas. É impressionante, para não dizer triste.

Se Todt tivesse culhão ele permitia a volta do efeito-solo. Aí sim teríamos corridas endiabradas em todas as pistas.

Quem sabe um dia…

Adauto Silva
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