Como será a Formula 1 de 2017? (vídeo)

Formula 1 2017

Formula 1 2017 – Imagem de Marco Van Overbeeke

Por: Adauto Silva

As mudanças no regulamento dos carros da F1 para 2017 foram pensadas para torná-los com visual mais agressivo e muito mais rápidos em todos os tipos de curva.

Muita gente se pergunta se a aerodinâmica bem mais sofisticada não vai impedir que um carro siga o da frente de perto em curvas para poder entrar nas retas colado o bastante para realizar a ultrapassagem. Ninguém tem certeza, alguns falam que sim e outros afirmam que não. O fato é que teremos que esperar as corridas começarem para ter certeza.

Obviamente os carros ficarão mais difíceis de pilotar, uma vez que serão de 4 a 5 segundos mais rápidos por volta do que são hoje, principalmente em entrada, contorno e saída de curvas. Isso fará com que as diferenças entre companheiros de equipe se acentuem. Os melhores pilotos se sobressairão, assim como os erros de pilotagem custarão muito mais caro do que hoje. Um pequeno erro hoje numa freada ou num contorno de curva faz com que o piloto perca algum tempo, mas na maioria dos casos pouco tempo, já que a “salvada” é mais fácil.

Com os novos carros pequenos erros tendem a ser como os grandes erros atuais, aqueles nos quais o piloto perde o carro de uma vez tornando a “salvada” muito mais difícil e custosa para o retorno à pista.

Vamos às mudanças principais:

MOTOR
Não haverá mais fichas de desenvolvimento. As fabricantes vão poder desenvolver seus motores à vontade, desde que o V6 turbo híbrido seja mantido. Cálculos feitos por insiders estimam que ainda é possível extrair gradualmente de 100 a 150 hp desses motores atuais. Não se sabe em que momento toda essa cavalaria extra estará disponível com confiabilidade, mas durante a temporada deste ano podemos esperar um avanço de pelo menos 50 – 60 hps nos motores Mercedes, que é o melhor desde 2014. Ferrari, Renault e principalmente Honda precisarão conseguir extrair mais do que isso para se equipararem aos Mercedes.

Acho importante dizer que é muitíssimo improvável que os motores da F1 voltem a ser apenas motores a combustão aspirados. Nem este ano, nem nunca. Esportivamente o ronco dos V10 aspirados faz falta, mas comercialmente nenhuma montadora vai investir nisso, uma vez que o futuro deste tipo de motor está contado, morto. Na Alemanha, por exemplo, motores a combustão já estão proibidos daqui a 13 anos em 2030. Logo outros países vão seguir essa tendência e portanto qual o sentido de qualquer montadora investir centenas de milhões numa tecnologia que está com os dias contados?

PNEUS
Trata-se de um avanço dramático. Os pneus serão 25% mais largos que os atuais, além de sofrerem menos degradação mecânica. A degradação térmica ainda não é possível saber, mas será um ponto bem sensível logo nas primeiras corridas. Apesar do novo tamanho gerar mais arrasto e portanto segurar um pouco os carros nas retas, as entradas, contornos e saídas de curva serão muito mais rápidas que hoje.

As freadas também serão mais dentro, ou seja, mais curtas, mais brutais. Assim como freadas certeiras farão os pilotos contornarem as curvas de forma muito mais rápida, o espaço de frenagem diminuirá, o que além de tornar as ultrapassagens bem mais complicadas nas freadas, provocará erros difíceis de serem recuperados sem grande perda de tempo ou batidas nos guard-rails.

AERODINÂMICA
Aqui temos uma área extremamente sensível e que poderá determinar o fracasso ou o sucesso do carro nessa temporada. O carro será mais largo, não apenas pelos pneus serem maiores, mas pelo chassi que também será mais largo. Só isso já fará com que os carros aguentem mais 1G de força lateral do que suportavam até 2016. A asa dianteira também vai aumentar para seguir a nova largura total do carro, além de deixarem de ser retas e passarem a ser anguladas. Os bargeboards serão maiores e mais complexos.

Os sidepods também serão mais largos acompanhando a largura nova do monocoque e por consequência o assoalho também será mais largo em 20 centímetros, o que possibilitará difusores maiores embaixo do carro. Bargeboards, sidepods e difusores novos, maiores e mais complexos farão enorme diferença no desempenho do carro.

A asa traseira também muda. Ela será maior e mais baixa, parecida com as asas de antes de 2009. Espera-se que isso faça com que as asas traseiras não precisem trabalhar tanto para gerar downforce e que os novos difusores maiores minimizem a dificuldade em seguir o carro da frente de perto em curvas.

Em teoria toda a nova aero dificultará um carro seguir o outro de perto, menos dois itens que minimizarão – ou sendo otimista, anularão esse problema. O novo difusor e os novos pneus. Resta esperar para ver…

Adauto Silva

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