Alguma coisa precisa mudar. Por Fernanda de Lima

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Representantes das equipes de F1 em Barcelona

Mais uma prova da temporada 2013 de F1 se foi e mais uma vez é impossível ignorar a participação decisiva da Pirelli no decorrer da disputa. Já vi, ouvi e li muitos defensores dos compostos por aí, mas ainda não vi vantagem na produção de pneus propositalmente tão ruins.

Se o objetivo primário da Pirelli era trazer mais emoção às corridas, sinto dizer que a fabricante está fazendo isso errado. A baixa durabilidade desses pneus tem trazido (apenas) mais paradas nos boxes e trocas de posições. Porém, em momento algum, isso pode ser confundido com emoção e disputas acirradas nas pistas.

Hoje, quem larga no pelotão da frente não é necessariamente favorito. Prova mais concreta disso do que Barcelona, impossível! As Mercedes foram dominantes nos treinos classificatórios, Nico Rosberg e Lewis Hamilton conseguiram os melhores tempos no grid de largada do domingo, mas terminaram a corrida apenas em 6º e 12º lugares, respectivamente.

Largar na frente, em tempos de pneus à moda milanesa, não é mais uma vantagem. Na corrida, o asfalto abrasivo de Barcelona castigou (ainda mais) e obrigou 13 dos 19 pilotos que terminaram a prova a pararem quatro vezes durante as 66 voltas do circuito. Minha memória pode estar ruim, mas não me lembro da última vez que tivemos tantas trocas de pneus assim numa prova.

A Ferrari levou a torcida espanhola à loucura com a vitória de Fernando Alonso. Se me sobram críticas aos pneus, também devo elogiar o esforço das equipes para tentar driblar esses obstáculos. Em Montmelò, a escuderia italiana apresentou o carro mais equilibrado do grid, sem grandes oscilações durante o percurso. Enfim Alonso tem um carro confiável na briga pelo título. Aliás, dessa vez, os elogios não serão direcionados somente ao espanhol. Felipe Massa fez uma excelente corrida, foi agressivo e preciso, de 9º a 3º colocado. Um pódio merecido, o primeiro da temporada.

A Lotus é uma das raras equipes que vem conseguindo driblar os desgastes dos compostos corrida a corrida. Seguindo quase sempre na contramão das adversárias, me parece bem plausível a teoria de que eles vem sim tirando vantagem do uso do modelo R30, da Renault. O modelo usado para testes da Pirelli foi desenvolvido pela equipe de projetistas que desenvolveu o E21, da Lotus. Apesar de muita coisa ter mudado de 2010 (ano do R30) pra cá, é perfeitamente possível que alguns princípios tenham sido mantidos. Coincidentemente ou não, a Lotus é uma das poucas que defende a “fórmula” dos compostos. Para Eric Boullier, chefe da equipe, a “questão não são os pneus e sim algo que permite ao carro da Lotus cuidar melhor dos compostos”.

Mais uma falsa sensação de emoção provocada pela Pirelli está relacionada às ultrapassagens. Ainda é possível ver algumas ultrapassagens reais durante as provas. No entanto, em sua maioria, o que vemos é a “falsa magra”: algo que parece, mas não é. Exemplo disso: a ultrapassagem de Kimi sobre Vettel. Foi uma bela manobra do finlandês, se não “despíssemos” a situação toda, diríamos até “brilhante”. Mas nessa ultrapassagem, a Red Bull claramente “sugeriu” a Vettel que não dificultasse a vida de Kimi: “Sebastian, I’m sorry, but you need to do your race, block if you need to, but save your tyres”.

Gosto muito de acompanhar as informações passadas aos pilotos pelo rádio. E essas informações provam que há algo errado acontecendo ali. Hoje ouvimos raramente “keep pushing, keep pushing”, as frases que têm se repetido exaustivamente entre as equipes são sobre os pneus “look after your tyres”, “save your tyres, save your tyres”. Em dado momento da corrida, a Mercedes pediu que Hamilton diminuísse ainda mais o seu ritmo. A resposta do inglês: “I can’t go any slower!”. Tenho a impressão de que a F1 está caminhando a passos largos para uma outra categoria, ainda sem nome, mas que definitivamente não se encaixa no automobilismo.

 

AS - www.autoracing.com.br

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