A F1 cada vez mais longe dos brasileiros. Por Fernanda de Lima

Emerson Fittipaldi - Nelson Piquet - Ayrton Senna

 

Well, well, my dears… Durante esse final de semana me ocorreu a seguinte questão depois de ler, ouvir e ver algumas coisas relacionadas a nossa amada Fórmula 1: qual o futuro da categoria no Brasil? Estaria chegando (ou já chegou) ao fim a comoção geral em torno do esporte?

É sabido que o brasileiro em sua maioria, e especialmente em esportes como a F1, torce muito mais pelo piloto do que pela equipe. Apesar de coletivo, o esporte é travestido de individual. Eu mesma nunca torci por uma escuderia, mas sim por um piloto.

Pois bem, como eu acredito que seja de comum conhecimento também, aos veículos de comunicação brasileiros não interessa a transmissão de um produto que não seja rentável, que não gere, no frigir dos ovos, audiência. Os números da F1 não são mais os mesmos, a tal comoção em torno da categoria vai se esvaindo a cada ano. Na minha visão, uma das razões mais significativas para o declínio da F1 no Brasil, é a falta de um grande nome para se depositar esperanças. Se torcêssemos por um piloto (e não por uma equipe), está faltando uma peça nesse quebra-cabeça.

Sei que naturalmente F1 não é um esporte de massa, mas enxergo também a carência do povo brasileiro. O Brasil é um país que busca a todo custo endeusar seus atletas, vide o futebol; todo campeonato, “ídolos” são desesperadamente “criados”por imprensa e torcedores. Claro que em solo tupiniquim é injusto comparar qualquer outra modalidade esportiva ao futebol, porém, tenho a convicção de que um ÍDOLO realmente tem a capacidade de renovar uma paixão adormecida desde 1994 e por que não trazer esse esporte para a massa?

Infelizmente, Felipe Massa não é esse nome. E lamentavelmente não vejo uma luz, ou melhor, um ídolo no fim do túnel. Para tantos brasileiros que necessitam de um espelho, Felipe talvez só apareça no retrovisor traseiro. Uma pena, porque ainda vejo resquícios de um ótimo piloto.

A fraqueza da F1 perante ao consumidor geral é tanta que não houve esforços para se transmitir o GP de Montreal ao vivo no último domingo. Fomos colocados de lado no meio de uma transmissão para dar lugar a uma decadente seleção brasileira de futebol. Mas que é futebol; e vende. Haveria uma manobra para driblar a “coincidência” de horários, fosse ali um brasileiro brigando com chances reais por um título na F1?

Claro que há outros motivos para essa queda no Brasil, uma, inclusive, crucial: a F1 como prática esportiva é quase inexistente no Brasil. Para se desenvolver é necessário deixar o país, os pilotos estão sendo formados lá fora porque não existe estrutura ou organização aqui dentro. Corrijam-me se eu estiver errada, mas enxergo uma Confederação Brasileira de Automobilismo inoperante no país. Se os nossos jogadores são formados aqui, os pilotos também deveriam ser.

Tudo que falo aqui são impressões gerais, nesse momento não me refiro ao público fanático, ainda que, porventura, no fim das contas, ele seja o principal prejudicado. Estaríamos chegando no ponto em que acompanhar as transmissões de F1 só será possível pela internet? Espero que não, ainda curto uma boa e velha tevê.

Fernanda de Lima

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