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Rubens Barrichello : bala de prata ou estaca no peito ?

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Uns dos melhores quadros do Acelerados é esse Mureta com Rubito onde o piloto consegue falar de piloto para piloto .

O Choronso na entrevista soltou essa frase: "Se eu tiver uma chance em um bom carro, volto para F1" mas na minha opinião acho ele um baita piloto porém suas atitudes ao longo da carreira o queimaram nas outras grandes e outros pilotos não querem dividir box com ele.

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Uns dos melhores quadros do Acelerados é esse Mureta com Rubito onde o piloto consegue falar de piloto para piloto .

O Choronso na entrevista soltou essa frase: "Se eu tiver uma chance em um bom carro, volto para F1" mas na minha opinião acho ele um baita piloto porém suas atitudes ao longo da carreira o queimaram nas outras grandes e outros pilotos não querem dividir box com ele.

 

Sim, o próprio Alonso foi o maior culpado da sua carreira ter se encerrado na F-1 da forma como foi. Não que dois títulos e mais de 30 vitórias seja pouco, mas para o seu talento, é. Tivesse um pouco mais de cabeça, e outra atitude, poderia sair da F-1 com mais de 5 títulos e mais 50 vitórias. Mas cada um sabe as escolhas que faz...

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Acho esse quadro muito bacana não só pela maneira como o Rubinho conduz as entrevistas mas por algumas revelações..a dessa entrevista é que o Christian Fittipaldi quase estreou na Jordan em 1991 na época que o Bertrand Gachot foi preso e perdeu a vaga mas a Mercedes foi mais rápida (leia-se $$) e garantiu para o Schumacher.

 

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É incrível um piloto talentoso como Helinho não ter sido campeão na INDY e imagino como seria ele correndo na F1

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Rubens Barrichello vai voltar a correr de monoposto

sexta-feira, 16 de agosto de 2019 às 17:02

 

 

Rubens+Barrichello.jpg

Vai Barrica

 

 

O ex-herói da Ferrari Rubens Barrichello se inscreveu para voltar às corridas de monopostos com a nova categoria S5000 na Austrália! :positivo:

O vencedor de 11 GPs está correndo na Stock Car desde 2012.

 

A S5000 contará com carros com motores V8 e está programada para começar em setembro. Barrichello disse ao S5000.com: “Estive na Austrália muitas vezes durante a minha carreira na F1, estou animado por voltar na primeira corrida da história da S5000 em Melbourne”.

 

“O conceito da S5000 é muito interessante, o carro parece ser um verdadeiro desafio e estou ansioso para desempenhar o meu papel no seu lançamento”, comentou o brasileiro.

 

“É ótimo ver o que será um ressurgimento nas corridas de monopostos na Austrália. Eu ouço a visão e o som de um V8 de cinco litros na parte de trás do S5000, é incrível”, entusiasmou-se ele. :boxing:

 

“Eu nunca estive no circuito de Sandown antes, então haverá muito para absorver, mas parece ser um ótimo local para os S5000s fazerem sua estréia. Vai ser uma grande experiência”, concluiu Barrichello.

 

EB - www.autoracing.com.br

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Não sei se todos conhecem a verdadeira versão desta história.. se não vale a pena conferir..

 

F1: O dia em que o piloto não venceu e achou que havia vencido

No primeiro momento, Rubinho resistiu ao pedido da escuderia da Ferrari, mas acabou o acatando a poucos metros da linha de chegada. Schumacher, por sua vez, queria que ambos os carros tivessem poucas diferenças na chegada. Quem será que venceu?

 

Olá, amigos.

Em um de nossos últimos encontros aqui nesta seção que resgata histórias curiosas da F1, nós conversamos sobre aquele episódio do piloto que havia vencido um GP e não sabia. Talvez você se lembre. Foi Ricciardo Patrese, da Brabham, no GP de Mônaco de 1982. Falei com ele, nos deu detalhes daquela experiência única.

Pois o assunto, hoje, é exatamente o oposto: o piloto que não venceu e achou que havia vencido. Eu estava lá e vou contar a verdadeira versão do fato, não a que a maioria acredita. Refiro-me ao GP dos Estados Unidos de 2002, disputado no lendário Circuito de Indinápolis.

Michael Schumacher e Rubens Barrichello eram companheiros de equipe na Ferrari, naquela temporada. O modelo projetado sob a liderança de Rory Byrne, com a coordenação técnica de Ross Brawn, F2002, era tão mais eficiente que o dos concorrentes que Schumacher definiu a conquista do seu quinto título da F1, igualando-se a Juan Manuel Fangio, ainda no GP da França, 11º do calendário, dia 21 de julho.

Como a temporada teve 17 etapas, até hoje é o campeonato que acabou mais cedo na história de 70 anos da F1, com somente 64,7% das corridas disputadas. O então presidente da FIA, Max Mosley, mudou o critério de pontuação já para 2003 a fim de evitar algo semelhante, bem ruim para os interesses da F1.

Para você ter uma ideia da supremacia de Schumacher, o seu pior resultado em 2002 foi uma terceira colocação no GP da Malásia, segundo do ano. Nos demais, ou Schumacher venceu, 11 vezes, ou terminou em segundo, em cinco ocasiões. Impressionante, não?

Rubinho foi o vice naquele ano, com quatro vitórias e cinco segundos lugares e um terceiro, dentre os pódios.

Saiba+| Em 1958, Fangio não correu em Cuba: foi sequestrado pelos revolucionários

Saiba+| A ambulância se perdeu: a história do acidente de Jackie Stewart

Hoje não, hoje não, hoje sim

Exposto o cenário do que vou contar, vamos aos fatos. Ah, desculpe, muito importante também: na sexta etapa daquele ano, disputada em Spielberg, na Áustria, ocorreu algo que até hoje incomoda os brasileiros. Rubinho liderava a prova. Jean Todt, diretor da Ferrari na F1, ordenou a ele, oito voltas antes da bandeirada, deixar Schumacher ultrapassá-lo. Era para o alemão vencer e não ele.

Todt chegou a se irritar com Rubinho, pois não o atendia. Ele o lembrou das cláusulas no contrato, que o obrigavam a acatar as determinações da equipe. Rubinho acabou por deixar Schumacher ultrapassá-lo, mas apenas a poucos metros da linha de chegada, na bandeirada. Foi uma revolta geral, não apenas no Brasil. Mosley proibiu já a partir da etapa seguinte as chamadas ordens de equipe na F1.

Um dia pitoresco na F1

Avancemos, agora, para o GP dos EUA, naquele mesmo ano, 2002, 16º e penúltimo do calendário, realizado dia 29 de setembro. Schumacher estabeleceu a pole position e Rubinho ficou com o segundo tempo na classificação. Largariam na primeira fila.

A dupla da Williams-BMW, com Juan Pablo Montoya e Ralf Schumacher, não representava perigo para os pilotos da Ferrari, mas se algo acontecesse com Schumacher ou Rubinho eles estariam lá para possivelmente vencer. Acontece que logo depois da largada, Ralf errou a freada e acertou Montoya. David Coulthard, da McLaren-Mercedes, que vinha no bloco dos primeiros, deve ter dado risada. Ficou fácil para ele assumir o terceiro lugar, mantida até o fim.

Sem adversários, Schumacher e Rubinho correram sozinhos, sempre muito próximos, mesmo nos dois pit stops. Foi assim nas 73 voltas no circuito de 4.195 metros, 13 curvas, sendo as duas últimas as mesmas da pista oval da 500 Milhas de Indianápolis da Fórmula Indy, mas percorridas no sentido horário, o inverso do original.

Surpresa total

Na última volta, ninguém esperava novidades, Schumacher receberia a bandeirada com Rubinho um pouco atrás. Mas o piloto alemão reduziu a velocidade para o companheiro se posicionar lado a lado. Schumacher queria que ambos cruzassem a linha de chegada juntos, mas com ele, obviamente, em primeiro. Era uma forma de demonstrar ao mundo a supremacia da Ferrari.

Olha que coisa incrível, agora. A pista de indianápolis tem uma faixa de 80 centímetros de largura, atravessando-a, onde o piso é o original da construção do autódromo, em 1909. Acredite, de tijolos. É perfeitamente alinhada com o asfalto do restante do circuito.Tudo muito bem feito. Os americanos são nostálgicos. Bela recordação.

Mas antes dessa linha de chegada, bastante original, há uma outra linha pintada no chão, branca, cerca de 50 metros antes. Schumacher e Rubinho vinham lado a lado se aproximando da bandeirada. O portador da bandeira quadriculada fica meio escondido, não é muito evidente para o piloto vê-lo. E Schumacher estava preocupado em manter sua Ferrari lado a lado com a de Rubinho.

Quando passou por essa linha branca pintada na pista, antes da verdadeira linha de chegada, poucos centímetros à frente de Rubinho, como ele queria, Schumacher aliviou o acelerador. Na sua cabeça, a corrida havia acabado. Ele venceu e Rubinho ficou em segundo.

Acontece que a corrida ainda não tinha terminado. A verdadeira linha de chegada ficava os tais dos 50 metros mais para a frente. Se Schumacher reduziu a velocidade, Rubinho não o fez. Dessa forma, quem cruzou primeiro a verdadeira linha de chegada, imperceptíveis centímetros na frente de Schumacher, foi Rubinho.

Sabe quanto em termos de tempo? 11 milésimos de segundo. É muito, muito menos que um piscar de olhos. É a menor diferença da história da F1 entre o vencedor e o segundo colocado. Como escrevi, o bico da Ferrar de Rubinho passou pela linha controlada eletronicamente raros centímetros na frente do companheiro.

O que você fez?

Schumacher tinha certeza de que ele havia vencido. Mas enquanto acenava para o público, Brawn entrou no rádio para cumprimentar seus pilotos e dizer: “Michael, the winner is Rubens”, ou Michael, o vencedor é Rubens. Nós tínhamos a imagem da câmara a bordo da Ferrari de Schumacher e é nítido como ele, chocado, gesticula com a mão para Rubinho, com o carro bem do seu lado, andando devagar, como que diz “o que você fez?”

A cara amarrada do alemão imediatamente ao deixar o cockpit confirmou a história, ratificada mais tarde por pessoas próximas ao piloto. Como na Áustria, em maio daquele mesmo ano, Rubinho freou para Schumacher ganhar a corrida, o alemão aproveitou para dizer que era a vez dele retribuir o favor que o companheiro lhe havia feito.

Isso fez Schumacher sair por cima da história, “gosto de justiça”. Poucos sabiam que seu sentimento era de incompreensão com o ocorrido. No pódio, era uma festa só. Motivos: o alemão, há muito campeão, a Ferrari, campeã entre as equipes, e Rubinho, com a vitória, o vice.

Na entrevista depois do pódio, Schumacher se limitou a dizer que não tinha planejado nada, decidiu reagir daquela forma ali na hora. Foi só após nós jornalistas perguntarmos a ele se aquilo era a retribuição do que Rubinho lhe havia feito em Spielberg, quatro meses antes, o alemão respondeu “sim”. Mas não convenceu todos. Abraços.

 

Livio Oricchio

Correspondente Youse. Escreve sobre automobilismo.

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Segue uma das mais completas entrevistas que já li sobre o Barrichello, ótima entrevista e muita coisa que eu não sabia... vale a pena ler !!

E como dizem... " Se o Barrichello não foi campeão da F1 azar da F1 "

 

Abre Aspas #5: Barrichello diz que melhorou a F1 e foi "depravado" ao correr após morte de Senna

"Entrei no carro para me machucar", diz o piloto, que detalha ordem para deixar Schumacher passar, admite dor com críticas sofridas no Brasil e afirma: "F1 é um mundo muito vaidoso"

 

Quase duas décadas na Fórmula 1 transformaram Rubens Barrichello em testemunha ocular dos principais acontecimentos do automobilismo nos últimos anos. Recordista em corridas na modalidade, ele vibrou e chorou com Ayrton Senna, brincou e brigou com Michael Schumacher, venceu e perdeu nas pistas, raspou o muro para ultrapassar o melhor do mundo – e desacelerou para mostrar ao mundo que foi obrigado a deixá-lo passar.

Rubinho, aos 47 anos, diz que hoje, como piloto de Stock Car, é um homem mais feliz do que quando pilotava nos principais circuitos do planeta. Nesta entrevista de duas horas e meia, ele afirma que melhorou a F1, detalha a ordem da Ferrari para ceder a vitória a Schumacher em 2002, na Áustria, comenta as críticas recebidas no Brasil e lembra, ainda incrédulo, a perda de Ayrton Senna.

Assista, no vídeo acima, aos melhores momentos da entrevista, ampliada em texto e em outros vídeos abaixo. Rubens Barrichello é o quinto entrevistado da série "Abre Aspas".

Você está com 47 anos e viveu muito o automobilismo. Foram quase 20 anos de F1. Você viu grandes façanhas e acidentes terríveis. Viu um ídolo, o Ayrton Senna, morrer. E continua correndo. Por quê? Por que continua tão apegado à velocidade?

 

No dia em que eu estava para fechar o contrato para continuar na Fórmula 1, entre o 19º e o 20º ano, ouvi muitas pessoas falando que eu não precisava mais provar nada, que eu já tinha 39 anos, que podia ir para casa. Mas por que vou para casa se gosto tanto do que faço? Acordo sorrindo e durmo agradecido, ou acordo agradecido e durmo sorrindo. Realmente faço o que amo. Tenho muita gratidão por fazer aquilo que gosto. Nos EUA, eu pego, boto o kart na picape, vou para a pista com o filho, boto óleo na corrente e saio para andar. Não tem coisa mais legal do que lembrar da minha infância com essa história. Sou um apaixonado pelo que faço. Tenho medo de ver minha velocidade indo embora, porque irá. Como em tudo na vida, o tempo passa, as coisas mudam, a gente vai ficando velhinho, tem o reflexo e aquela coisa toda. Mas ainda não senti isso.

Você traça planos de até quando vai correr?

No dia em que eu sentir que a velocidade está diminuindo, vou começar a traçar planos. Por enquanto, estou na Stock Car, outro dia testei um carro de rally, vou correr nos EUA. Espero ter velocidade para realizar meu grande sonho, que é Le Mans, as 24 horas, com meus dois filhos (Eduardo, de 18 anos, e Fernando, de 14). Esse é meu sonho.

Por que esse é seu grande sonho?

Ah, cara, por ter duas pessoas que gostam (de velocidade). Os dois guiam muito, cara! Muito! É uma gratidão ver a tocada muito parecida, o modo como tocam no volante. Se vão vingar ou não… Eu consigo abrir portas, mas a tocada é deles. Foi a mesma forma como aconteceu pra mim. Meu pai, embora não fosse do meio, abriu a porta com patrocinador. Ter os dois no carro seria um sonho. Sonho mesmo com isso. Seriam 24 horas de puro prazer. Lógico que eles iam me colocar para fazer 12 horas e dividiriam o resto entre eles, porque é sempre assim.

 

Dos primeiros anos na F1 para hoje, o que você perdeu de velocidade? O que mudou?

Acho que a única coisa que não é igual é a condição física. Não tem como ficar igual aos meus 20 ou 30 anos. Sempre fui muito bem treinado. Se eu falar que não perde nada em velocidade, pode ser que esteja errado, mas eu realmente acho que não. Na Stock Car, hoje em dia, a gente tá sempre em dia com a velocidade. Quem acha que a Stock é mais fácil do que a F1 está errado. É muito competitivo. Muito, muito. É o tempo inteiro lutando por um décimo de segundo. São carros diferentes. Na Stock, a condição física é muito menos exigida, apesar de chegar a 60 graus de temperatura. Mas aí faz uma sauninha e acostuma…

Você passou quase metade da sua vida na F1. Muita gente fala que trabalhar na F1 transforma a pessoa em alguém pior, porque é um ambiente muito difícil, especialmente para os pilotos. Como você passou por esse mundo? Como conseguiu sobreviver?

É um mundo muito vaidoso. Ele pode te elevar o pensamento ou te derrubar. O único jeito de ter sobrevivido foi tendo feito as escolhas que foram feitas, arcando com as escolhas erradas e usufruindo das certas. Mas foi por amor. Eu pensava: “Porra, não vi minha família”. Você só consegue sobreviver porque na hora em que senta no carro, sente aquilo que te motiva a fazer tudo.

 

 

Se o cara vai para a F1 pensando em ganhar dinheiro, ele cai. Se vai pensando que é glamour, ele cai. Se acha que Monte Carlo é só festa, ele cai.

 

O cara só sobrevive lá muito tempo pela paixão que tem pelos carros e pelos resultados. Na F1, você é tão bom quanto sua última corrida. Você pode ter tido um ano horrível. Se ganhou a última corrida, está feito. Mas não é fácil. É um mundo muito vaidoso.

Quais foram suas escolhas erradas?

Eu tive convites para outras equipes, em certos momentos, e você não sabe se fez o certo, se não fez… O Jackie Stewart falava: “Não vai para a Ferrari, cara. Fica aqui. A gente vai fazer essa equipe vencedora”. Mas eu não tinha como negar um convite da Ferrari.

E qual sua decisão mais acertada na F1?

Ter ficado com o pneu slick em Hockenhein (em 2000). Essa foi bem acertada

 

Foi sua a decisão?

Foi só minha.

Contrariou alguém?

Ah, contrariei todo mundo. Aconteceu que o Michael (Schumacher) tinha batido. Quando o Michael batia, o Ross (Brawn, ex-diretor da Ferrari) aparecia no meu rádio. Quando ele aparecia no meu rádio, era um prazer, porque é um cara elegante de se falar. Tudo bem, na Áustria (em 2002, quando Barrichello foi obrigado pela Ferrari a ceder ultrapassagem a Schumacher) foi uma merda ouvir tudo que tive que ouvir. Mas era elegante como ele se colocava. Aí ele falou: “Para nessa volta”. Eu falei: “Por quê?”. Aí ele falou: “Porque tá todo mundo parando, tá todo mundo se mexendo dentro dos boxes, tá chovendo bastante aqui nos boxes”. E eu falei: “Cara, não tá chovendo na reta, não dá para parar”. E ele: “Não, mas você vai ter que parar”. E eu disse: “Ross, tá tudo livre lá atrás, não tem que parar”. O que pensei: vou colocar o pneu de chuva; o pneu de chuva precisa de água. E o que aconteceu com o Mika Hakkinen, que não chegava em mim? O pneu superaqueceu. Ele não usufruiu do pneu de chuva. O Ross falou: “Você é louco. Mas se você estiver certo, você vai ganhar a corrida”. Na última volta, pensa num cara que tava medroso. Porque tava chovendo mesmo. Chovia, chovia. Foi uma aventura guiar naquele molhado. Mas eu tinha dez segundos. Aí pude fazer uma voltinha pocotó, só para acabar mesmo.

É comum os pilotos contestarem decisões? Parece mais comum acatar a ordem e questionar depois.

Acho que isso vem com o tempo. Você não consegue chegar numa equipe como a Ferrari e simplesmente contestar e tomar a sua decisão. Mas, na primeira decisão, eu mostrei meu ponto de vista até ganhar confiança. A gente vinha do Canadá, uma corrida em que se falou no rádio que eu e Michael estávamos andando muito mais rápido do que os outros, e nos disseram que poderíamos dar uma diminuída. Eu disse: “Se eu diminuir, eu vou parar”. Era um feeling: sai da minha frente, que tô bruto hoje. Eles já sabiam que eu tinha um negócio com a chuva. Em Interlagos, no primeiro dia em que choveu, meu pai falou: “A gente não tem dinheiro pra pneu de chuva. Se você quiser sair, pode sair”. E eu aprendi a andar na chuva assim. Isso provavelmente me ensinou, me deu condição para uma vitória em Hockenheim. Mas o questionamento vem do momento em que você tem segurança do que está falando. Depois disso, o Rubinho vai ser o cara que testa os pneus, o cara que vai decidir o setup. Mas essa conquista só se dá pela paixão que eu tenho. Sou chato, de questionar demais, mas é como aprendo. Na Stock Car, foi igual. Não cheguei batendo na mesa e dizendo que conheço tudo. Queria aprender como era.

 

Você mencionava há pouco a conversa com o Ross Brawn na Áustria. Como foi? Em que momento ele fala para você deixar o Schumacher passar?

A oito voltas do final, ele fala: “A gente vai realizar o combinado”. E eu questiono: “Qual combinado?”. Ele fala: “O combinado de deixar o Michael passar”. Falei que não havia nada combinado. A gente não sentou para conversar disso. Na corrida do ano anterior, eu tinha perdido a segunda colocação para o Michael. Ele estava em terceiro, eu em segundo, o Coulthard em primeiro, e aí deixei passar e ninguém ficou sabendo. Eu questionei, naquele dia: “E se eu estivesse lutando pela vitória?”. “Ah, se estivesse lutando pela vitória, a gente nunca teria pedido isso para você”. Foi meu argumento do ano seguinte. Quando machuca… O questionamento ficou nisso por oito voltas, naquele script, indo e voltando.

Você deixou o Schumacher passar na frente da linha de chegada. Como foi o rádio naquela última volta, com ele mandando você entregar a posição? Você ficou em silêncio?

Não, não. A conversa foi até o último momento. Logicamente, eles não queriam que fosse ali. Queriam que fosse mais… tranquilo. Eu falei: “Cara, eu não me sinto confortável de fazer isso, hoje não precisa”. Era a sexta prova do campeonato. O que me deixa mais tranquilo é que 99% das pessoas fariam. Vou dar 1%. Um por cento das pessoas teriam ouvido o que eu ouvi e teriam rejeitado. Os outros 99% teriam feito a mesma coisa.

Mas houve um ultimato?

Eles me deram uma frase. É uma frase que um dia eu talvez escreva num livro. Essa frase fez com que eu tivesse que repensar minha história toda rapidamente. Eu tinha acabado de assinar meu contrato com a equipe por mais dois, três anos. Se você estivesse sentado ali, teria feito o mesmo.

E parar em cima da linha foi algo que você decidiu na hora?

 

 

Eu entrei na última volta já pensando. Eu queria fazer para que todo mundo visse. Essa situação acontecia de vez em quando, e eu sempre deixei muito claro que o Schumacher era melhor que eu, 70% a 30%, 80% a 20%, tanto faz. Mas na hora em que eu era os 30% mais rápido, cara, me deixa ganhar.

 

Sempre lutei muito por meu espaço e fui ganhando, essa porcentagem foi aumentando, mas o Michael teve uma qualidade enorme de colocar pessoas em volta dele, uma equipe muito bem organizada. Eu só acrescentei. Eu ficava lisonjeado de um cara perguntar um negócio pro Michael e ele dizer assim: “Pergunta pro Rubens”. Tem alguma coisa de muito bom nisso.

Esse dia da Áustria é um dos dias mais marcantes da história da F1. Você se arrepende de ter feito do jeito que fez? Você acha que poderia ter feito diferente para se proteger?

Se naquele ano de 2002 já tivesse Twitter, Instagram, Facebook, eu teria falado as coisas verdadeiras, do jeito que elas tinham sido. Naquele momento, a verdade foi deturpada.

 

Até hoje, o cara olha pra mim e diz: “Porra, meu, você deixou o cara passar por dinheiro.” Quero ver você provar que ganhei alguma coisa com aquilo. A única coisa que ganhei foi o troféu de primeiro. Subi no pódio e peguei. Aquele troféu está lá em casa até hoje. Mas a história foi deturpada. É a única coisa que dá tristeza. Porque ali eu fiz a F1 melhor.

 

Foi aberta uma questão que já acontecia comigo há algum tempo. E estava ali a prova de que eu não aceitava mais. Para aceitar, eu mostrei para todo mundo. Eu não queria nada. Eu só queria ganhar a corrida. Era aniversário da Silvana (ex-esposa), e eu queria muito ganhar a corrida e voltar com o troféu para casa. E eu voltei com o troféu para casa. Juro para você: eu realmente acho que toda coisa negativa traz um lado positivo. Eu saí ganhando daquilo. No Brasil, foi feito como uma coisa doída, precária, falsa, fraca. Cara, se eu tivesse feito alguma coisa errada ali, o primeiro a apanhar seria eu. Do meu pai. Como educação. Não fiz porque queria fazer. Foi imposto pra mim. Eu falei: “Chefe, no ano passado foi falada a mesma coisa pra mim, e não vou deixar. Não vou deixar”. Não é que eu queria levantar a bandeira. Cara, eu só queria ganhar a corrida. Foi pelo que eu lutei o tempo inteiro. E ganhei a corrida.

 

Mas houve um ultimato?

Eles me deram uma frase. É uma frase que um dia eu talvez escreva num livro. Essa frase fez com que eu tivesse que repensar minha história toda rapidamente. Eu tinha acabado de assinar meu contrato com a equipe por mais dois, três anos. Se você estivesse sentado ali, teria feito o mesmo.

E parar em cima da linha foi algo que você decidiu na hora?

 

 

Eu entrei na última volta já pensando. Eu queria fazer para que todo mundo visse. Essa situação acontecia de vez em quando, e eu sempre deixei muito claro que o Schumacher era melhor que eu, 70% a 30%, 80% a 20%, tanto faz. Mas na hora em que eu era os 30% mais rápido, cara, me deixa ganhar.

 

Sempre lutei muito por meu espaço e fui ganhando, essa porcentagem foi aumentando, mas o Michael teve uma qualidade enorme de colocar pessoas em volta dele, uma equipe muito bem organizada. Eu só acrescentei. Eu ficava lisonjeado de um cara perguntar um negócio pro Michael e ele dizer assim: “Pergunta pro Rubens”. Tem alguma coisa de muito bom nisso.

Esse dia da Áustria é um dos dias mais marcantes da história da F1. Você se arrepende de ter feito do jeito que fez? Você acha que poderia ter feito diferente para se proteger?

Se naquele ano de 2002 já tivesse Twitter, Instagram, Facebook, eu teria falado as coisas verdadeiras, do jeito que elas tinham sido. Naquele momento, a verdade foi deturpada.

 

Até hoje, o cara olha pra mim e diz: “Porra, meu, você deixou o cara passar por dinheiro.” Quero ver você provar que ganhei alguma coisa com aquilo. A única coisa que ganhei foi o troféu de primeiro. Subi no pódio e peguei. Aquele troféu está lá em casa até hoje. Mas a história foi deturpada. É a única coisa que dá tristeza. Porque ali eu fiz a F1 melhor.

 

Foi aberta uma questão que já acontecia comigo há algum tempo. E estava ali a prova de que eu não aceitava mais. Para aceitar, eu mostrei para todo mundo. Eu não queria nada. Eu só queria ganhar a corrida. Era aniversário da Silvana (ex-esposa), e eu queria muito ganhar a corrida e voltar com o troféu para casa. E eu voltei com o troféu para casa. Juro para você: eu realmente acho que toda coisa negativa traz um lado positivo. Eu saí ganhando daquilo. No Brasil, foi feito como uma coisa doída, precária, falsa, fraca. Cara, se eu tivesse feito alguma coisa errada ali, o primeiro a apanhar seria eu. Do meu pai. Como educação. Não fiz porque queria fazer. Foi imposto pra mim. Eu falei: “Chefe, no ano passado foi falada a mesma coisa pra mim, e não vou deixar. Não vou deixar”. Não é que eu queria levantar a bandeira. Cara, eu só queria ganhar a corrida. Foi pelo que eu lutei o tempo inteiro. E ganhei a corrida.

 

Por quem ou pelo que você torce vendo F1?

O Hamilton é meio como o Mike Tyson. A gente não torcia para ele cair. Não dá para torcer contra o Valentino Rossi. Tem caras inéditos, especiais. Pra mim, a qualidade número um do cara é o talento dele. Mas do que ele precisa para ser mais? Na minha opinião, tem que ser humilde. É reconhecer o erro, reconhecer que tem dia bom e dia ruim. Pra mim, vai ganhar sempre o melhor. Nesse campeonato, por exemplo, o Bottas começou melhor do que o Hamilton. Você torce a favor. Mas aí vem o Hamilton numa pegada, e não tem como torcer contra. O cara vai ganhar trocentos campeonatos. Esse Leclerc, por exemplo, é um menino especial. Se for bem tratado, vai ser campeão logo, logo. E o que precisa para a Ferrari voltar a ser campeã? Precisa de um Rubinho lá falando qual é a direção daquela porcaria daquele setup, entendeu?

 

Você esteve ao lado do Schumacher e viu o Hamilton nascer. Quem é melhor?

Cara, é muito difícil a gente saber se o Jacky Ickx era melhor que o Jackie Stewart, que era melhor que o Emerson, que o Senna… Cada um no seu tempo. O Hamilton chegou em uma época em que o Schumacher já não estava forte, quando ele voltou a correr. Diz ele que voltou a correr pelo ano de 2009 da Brawn, que o carro andava muito. O piloto de F1 sofre uma depressão normal por falta de adrenalina. O cara começa a pular de paraquedas, andar de moto, tudo aquilo que o Schumacher mesmo fez. É muito difícil calcular se o Hamilton é melhor que o Schumacher. É como te falei: o Schumacher era melhor que eu, mas precisava de um complemento. Você falava pro Schumacher: “Tira o pé e economiza pneu”. Ele não tinha noção de como fazer isso. Ele só acelerava muito, mas não tinha noção de como economizar pneu, nada disso. Mas o engenheiro conseguia fazer um baita serviço junto com ele para desenvolver o melhor setup. Quando você via o Schumacher ganhando corrida com quatro pit-stops, uma inovação, era porque ele não conseguia fazer funcionar com três, então fazia com quatro. E você tem que bater palmas, porque ele era o cara para fazer isso. E onde eu era superior? Eu era superior em fazer o carro acontecer pra mim. Em velocidade, ele era melhor, mas era pouco, não era muito: meio décimo, um décimo. E quando eu tava na frente, era isso também.

 

Dos pilotos com quem você correu, quais foram melhores do que você?

Só ele (Schumacher). Só ele. Ele era especial. Falei 70%-30%, mas pode ser uma quantidade muito menor. Pode ser 51%-49%. Não tem como falar isso, mas as pessoas diriam que no meu dia eu era imbatível. O que acho é que o Schumacher tinha menos dias ruins.

 

Mas não falo só de companheiros. Falo do circuito todo.

Eu passei por muita gente boa, inclusive na Stock Car. Sobre o Schumacher, não é que ele era melhor e eu joguei a toalha, como o (Eddie) Irvine tinha feito. O Irvine, na época, falou: “Não, ele é melhor do que eu, não consigo ganhar e acabou”. Eu me dediquei a vida inteira para ser melhor que ele. Na Hungria (a principal ultrapassagem de Rubinho sobre Schumacher; veja no vídeo abaixo), por exemplo, eu saindo do boxe, e era ele que passou… Nossa… "Fala alguma coisa no rádio agora, que você vai ver…" É essa emoção mesmo, de falar: “Agora tá frito”. A Hungria é o lugar mais difícil de passar. Cinco voltas atrás do cara, e o motorzinho dele andava na reta pra caramba. De repente, deu uma caída de fase, deu uma errada, e eu: “Opa! Fica quieto, chefe, e só trabalha, concentra”. Saí atrás dele e pensei: “Ué, ele não vai fechar?”. Aí eu vi qual era a programação. “Pode vir, que hoje a gente não vai acabar bem, mas não vou tirar o pé”. Dizem que o muro passou perto. Eu fechei o olho, não deu nem pra ver.

 

Ali ele foi na malícia ou na maldade?

Ali ele foi no limite entre um e outro. Ele foi malicioso ao esperar eu colocar o bico e aí jogar, porque eu teria que tirar o pé. Mas eu tava muito mais malvado do que aquilo.

 

A gente não pode trabalhar com vingança na cabeça, mas naquele momento era tudo que eu pensava, que aquela era a minha chance. Não gosto nem de postar muito, porque agora não dou ao Schumacher uma chance de se recompor, de falar. A gente já teve tantos momentos brincando e brigando. Penso nele, rezo, pergunto.

 

Outro dia, encontrei a Corinna (esposa de Schumacher) em Goodwood, dei um abraço nela, ela me deu um abraço super carinhoso. Tivemos uma relação muito boa. Nas pistas, teve seus problemas. Como pessoa, eu agiria diferente, mas esse sou eu, e ele é ele. Mas tivemos uma relação super amistosa. E tenho certeza: ele me adora. Sinto muito por uma situação dessas.

Onde você estava quando soube do acidente do Schumacher?

É muito doido, cara. Foi a primeira vez na vida que peguei a família e fui esquiar. Eu estava em uma montanha esquiando. Postei uma foto da família na neve e comecei a receber porrada. Foi quando fiquei sabendo que ele teve o acidente. Essa maldade das pessoas às vezes passa (do limite). Imagina que o cara sofre um acidente e eu vou postar uma foto dizendo “ó, você me ferrou lá na Áustria, você que se ferre agora”. Nem uma pessoa do mal conseguiria fazer isso.

 

 

No dia 31 de dezembro, acordei as crianças para passar o ano novo, eles estavam morrendo de sono, e rezei um Pai Nosso por ele. E o Dudu me perguntou: “Papai, é um cara que não fez tão bem pra você, por que a gente tá fazendo isso?”

 

Foi um momento bom como educação. Não tem como ter um sentimento de raiva. O problema às vezes não tá no cara, tá em você. Ali, serviu para uma série de coisas, mas também para mostrar ao meu filho que eu não tinha nada contra, que nunca torci contra, nunca quis o mal.

Queria saber o que mudou em você depois de sofrer o AVC no começo do ano passado.

Para entrar do jeito que entrei e depois de 12 dias sair do mesmo jeito, sem dor, zerado, lutando para ter o carro pronto em Interlagos, é um renascimento. Me deu mais vontade de viver, de ajudar, de ser ajudado, de fazer, de não esperar o amanhã para fazer o que posso fazer hoje. Mudou o sentimento. Tem muita coisa em que mexeu comigo, por dar mais valor ainda a chegar, sentar em casa e falar: “Nossa, como é bom viver”. É uma vontade mesmo de viver. Por que acontece com um atleta que não fuma, que só bebe socialmente? A veia explodiu, e o próprio sangue fez com que ela se regenerasse. Era uma má formação da veia. O cara falou que se eu não tivesse ido pro hospital, talvez eu não soubesse que era um AVC. Por isso que eu não dou tanta ênfase. Mas foi sério, tive chance de morrer.

 

Rubinho, imagino que um jovem que guia um carro a 300km/h, a um centímetro de um muro, tenha uma noção diferente de mortalidade. Como foi para você, tão jovem, ver morrer o Ayrton Senna?

Aquela situação do Ayrton era composta com uma situação minha (pelo grave acidente sofrido dois dias antes em Imola). Existia um medo de falar assim: “Será que estou recebendo uma mensagem de que já é para parar?”.

 

Eu tinha medo de ter medo. Uma semana depois da morte do Ayrton e do meu acidente, eu estava de volta no carro. E a palavra certa de como entrei no carro naquele dia é que eu fui depravado, completamente depravado. Eu entrei no carro para me machucar de novo. Eu falei: “Agora eu vou mostrar pra mim que vou bater o recorde da pista para uma Jordan ou eu vou para casa, porque chegou o momento de parar”.

 

E ali eu bati o recorde da pista. Foi fácil a decisão. Eu tenho desvio de septo até hoje por causa da porrada de Imola. Mas na hora que sentei no carro, eu vi que era aquilo que eu queria.

 

Aquele fim de semana teve o seu acidente na sexta-feira e a morte do Ratzenberger no sábado. Como aquela corrida aconteceu no domingo?

Essa é uma pergunta que a gente vai se perguntar pro resto da vida. Foi um fim de semana muito esquisito. Teve o acidente do Lehto com o Lamy na largada. Teve o acidente com o pneu batendo no mecânico. Era meio macabro.

 

É impossível acreditar que o Ayrton tenha morrido por uma situação daquela. O acidente foi o mais fraco dos três. Mas o ângulo de impacto e, infelizmente, a forma como a suspensão entra pelo capacete são fatais. Eu, como todos, ao ver que ele estava mexendo a cabeça, pensei: “Graças a Deus”. Foi o último suspiro dele. Eu não lembro de carregar o caixão. Isso, de certo modo, me faz lembrar do Ayrton rindo.

 

Acontece a pancada no meu acidente, e a fita volta. E acho que, com o tempo, a fita tá indo pra a frente. Tô quase chegando na dor do impacto. A porrada de F1 é grotesca. Acontece em um segundo. Eu bati poucas vezes, mas nas que bati, foi pra quebrar tudo mesmo. Acontece em poucos segundos, mas parece que não vai terminar nunca. E dói. Entrar em um acidente assim é horrível. Ali, pensei: “Estou vivo, vou pra frente”. Mas, graças a Deus, não tenho muita memória do fim de semana.

Como era a tua relação com o Ayrton?

Ele era muito privado. Ele era aquilo que você via. Ele saía, colocava a cabeça para fora, via que tinha muita gente e saía pela porta dos fundos. Para ele se soltar, precisava de mais de uma vez. Mas na frente dos amigos ele realmente se soltava. Era uma pessoa muito engraçada, divertida. Adorava estar com a família, com os amigos. Eu era muito mais moleque do que o Ayrton, mas ele me tratava como um irmão menor. Sentar ao lado dele no briefing (reuniões entre pilotos antes das provas) era incrível. Tive pouquíssimos desses momentos. Foi um ano inteiro e as duas provas de 1994. Eu chegava antes e colocava a cadeirinha para marcar território. Falava para o Berger: “Se você sentar aí, te mato”. Era muito legal poder participar daquilo com ele.

Muita gente na F1 fala que em 1994 o Ayrton Senna estava nervoso porque o carro dele não andava. Você sentia isso?

Ele já havia estado para assinar outras vezes com a Williams. O Ayrton, com o carro de 1993, teria ganho o campeonato na quinta prova. Ele queria ir para a Williams para guiar um carro ultracompetitivo. O prazer do Ayrton sempre foi esse. Ele não foi para a Williams pela facilidade. Mas ele chegou lá, e o carro, sem a suspensão ativa, ficou ruim. A gente viu, ele colocava mais de um segundo no Damon Hill quando fazia as poles, mas não tinha muito o que fazer, porque o carro do Schumacher realmente era mais competitivo. Eu vi a luta constante dele contra isso. Ele sentia uma pressão, de o Brasil estar olhando pra ele e ele não estar ganhando. Ele tinha rodado em Interlagos. Mas daí até tirar uma conclusão sobre a tristeza dele, pra mim é muito longe. Eu não consigo decifrar se ele tinha uma premonição, se estava triste com meu acidente, se estava triste pelo Ratzenberger. Nunca gostei de fofoca, de presumir aquilo que nunca vamos ter. Li muita coisa, me interessei pelo assunto, mas é muito difícil.

 

 

Por outro lado, é quase inevitável olhar que ele não estava bem. Quando ele tira o capacete no grid e quer mostrar o rosto, a gente entende que existe uma preocupação. Ele não está só concentrado. Ali a gente consegue ver que ele tinha uma preocupação.

 

Você sempre foi uma pessoa muito família, sempre cita exemplos da família, e recentemente passou por um divórcio. De que maneira isso mexeu com você?

Mexe, porque diante do padre, na saúde e na doença, você sonha que aquilo vingue, que aconteça. Depois do AVC, teve alguma coisa que mudou. Uma vontade a mais de vida… Eu não sou da balada, não é isso, minha história não é essa, não é esse tipo de diversão. Quem me conhece sabe o quanto gosto dessa coisa de família. Tudo que eu não queria era machucar ou ser machucado. É uma situação muito íntima. Mas essa decisão precisava ser tomada, pelo bem das crianças, pelo bem da Silvana, por quem sempre vou ter um carinho enorme. A gente não sabe o que vai acontecer amanhã. Só vai saber se acertou ou errou muito lá pra frente. Mas essa é a história agora. A realidade é que você não quer machucar, mas precisa seguir em frente. O que mais importa é deixar o caminho aberto e fazer o bem. Se errou, tem que aceitar o erro e ir em frente. Estou vivendo um momento que, por mais duro que seja, é um momento de liberdade. A pessoa tem que se sentir livre. É um momento especial na minha carreira e na minha vida. Tenho tempo de me dedicar um pouco a mim.

Como é a relação dos seus filhos com sua história no automobilismo? Você sente que eles se orgulham do que você construiu?

O Eduardo tem certeza absoluta de que não tem ninguém melhor do que eu. Eu falo pra ele: “Você é melhor que eu”. E é! Talento por talento, consigo ver nele uma qualidade astronômica. E o Fernando também. Talvez ele seja menos talentoso, mas a agressividade faz dele um possível fenômeno. De vez em quando, chego em casa e eles estão vendo vídeos no YouTube de mil, novecentos e bolinha. Outro dia, estavam rachando de rir com a porrada de Imola. Estavam dizendo: “Não é possível, esse aí morreu”. Mas vejo muito orgulho de parte deles.

 

Você acha que tem o reconhecimento merecido no Brasil?

Eu acredito que o brasileiro não é devidamente reconhecido. Não é o Rubinho, o Massa, o Senna. É o Guga, a Daiane. Já peguei as crianças fazendo chacota de um esportista na Olimpíada. Falei: “Vem cá, dá uma cambalhota pra eu ver. É difícil, né?”. É muito difícil fazer qualquer coisa sob pressão. No momento em que existe a chacota, pro humor, que alguém vai rir, não tem problema. Mas se continua, se vai por muito tempo, mostra que a gente não reconhece o que é feito. Eu acho que o Brasil ainda passa por uma reeducação linda. O Brasil é lindo, cara. A bandeira é a coisa mais linda. A gente tem nossos problemas financeiros, políticos, você fala “porra, mas que cagada, que merda”, mas não, essas dificuldades fazem do brasileiro um cara mais forte, mais aguerrido. O reconhecimento é realmente muito menor do que qualquer outra coisa. Vi hoje um comentário em que o cara, lá na Austrália, falou assim: “A lenda Barrichello vem correr no nosso país”. O cara é considerado uma lenda lá e aqui foi chacota. Não é brincadeira. Mas, no final, o que importa é se olhar no espelho, o valor que você se dá. Porque eu sei como foi custoso, como foi sofrido. O brasileiro passa muito tempo criticando o próximo sem olhar pra si próprio. Se você faz chacota, falta a você uma única coisa: me conhecer. Se me conhecesse, a brincadeira talvez cessasse. Sinto zero mágoa. Eu mesmo já brinquei com a coisa e consegui, com comerciais, mostrar que não tinha problema com aquilo e encerrei um pouco o assunto.

 

Mas, em dado momento, isso tudo doeu?

 

Em alguns momentos, doeu. Não tenha dúvida de que machuca. Mas só foi doer quando foram brincar com meus filhos. Aí eu cessei a situação. Quer brincar, brinca com gente do seu tamanho. Se você tiver uma opinião crítica muito válida, posso falar para você que você está certo. Mas teve momento que doeu. Seria hipócrita dizer que nunca doeu. Com certeza, machucou.

 

O que você espera da F1 para 2021, quando ela pode passar por uma revolução, liderada pelo Ross Brawn? O que você gostaria de ver?

Acho que a aerodinâmica do carro é muito evoluída. Eles usufruem de tudo que é tipo de regra. Esse negócio de melhor volta tinha que ter uma regra: de que a tantas voltas do final, não poderia colocar pneu novo para bater o recorde da pista. Esse recorde nunca mais será batido.

Porque é artificial?

Porque é artificial. Doeu ver meu recorde do Canadá ser batido. Filho da mãe, colocou um pneu novo com o tanque vazio. Se os carros são muito superiores e ele está com 23.3 segundos (de vantagem), ele vai tentar. Até alguém dar uma porrada tentando a melhor volta. Aí vão parar com isso também. Mas tudo que é artificial conta menos. Está contando um ponto, pode ser um ponto decisivo do campeonato. É muito difícil dizer que quer uma F1 como a Stock Car, que nunca se sabe quem vai ganhar. A F1 nunca foi assim. A F1 é movida por isso. É difícil que a gente queira igualdade lá. Sempre tem alguma superioridade. A F1 está bem, mas eu queria ver a disputa sendo levada por menos aerodinâmica e mais pneu no chão.

Você é mais feliz hoje na Stock Car do que era na F1?

Sempre sonhei com a Stock Car. Sempre idealizei que quando parasse de correr no carro de Formula, eu iria para a Stock. Ganhar na Stock Car é tão legal quanto ganhar na F1. Houve momentos na F1 em que foi muito chato tirar uma foto, dar um autógrafo. Porque era coisa do momento, você acha que é tudo. Hoje, do fundo do meu coração, a vibração que tenho por aquela uma hora de visitação é uma coisa sensacional. É uma forma de agradecer pelos 19 anos em que o cara torceu por mim e não podia ir de busão até Interlagos. Hoje estou em Campo Grande, e o cara vai lá, paga um dinheirinho para a visitação, está lá. Eu tenho muita gratidão pela Stock Car, por ser tão competitivo aos 47 anos, ganhando corrida, recebendo elogios dos pilotos. Sou mais feliz do que antigamente. Meu motorhome é uma casinha pequena, que tem meu ar. Em Interlagos, eu durmo no motorhome. Sou rato de pista. Janto, volto lá, toco um sertanejo, brinco. Eu realmente sinto amor pela Stock Car e pelo Brasil. Tudo que quero é um volantezinho na mão.

A tua vida na F1 teria sido mais fácil se o Ayrton não tivesse morrido?

Com certeza. Mas não foi uma escolha. De 1994 para 1995, ele não tava mais, e a Jordan mexendo com o motor Peugeot, 40 cavalos a mais, agora vou ganhar essa porcaria. Fui para a televisão e disse que podiam contar comigo. Quando vi o quanto o motor pesava a mais, pensei: “Hum, a distribuição de peso do carro pode não ser muito boa”. Aí o carro não ficou legal. Tinha mais potência, mas não era tudo aquilo. E eu me coloquei muita pressão. Quando rodei no Brasil com aquele carro ouro, era pressão total de vai, vai, vai. Toquei numa linha branca e rodei. Deus me colocou as coisas certas para meu aprendizado. Mas teria sido mais fácil com o Ayrton ali, com mais calma. Ele mesmo teria arrumado equipes diferentes pra eu me mexer. Com certeza. Ele teria feito situações até de entrada em uma McLaren. E acredito que o Cristian Fittipaldi, um grande parceiro, teria ficado na F1 por mais tempo também.

Quem é o próximo brasileiro na F1?

Tem Piquets, Fittipaldis. Tem o Serginho Sette Câmara. Tem pilotos que podem honrar nosso nome, com certeza. Sou muito fã do Caio Collet. Se o Brasil souber dar a ele o que ele precisa, ele tem muito talento. Pode trazer vitórias de volta para nós. Ele já tem meio caminho andado com essa situação do Todt (o empresário de Collet é Nicolas Todt, filho de Jean Todt, presidente da Federação Internacional de Automobilismo).

 

Teve alguma pergunta que não te fizemos, Rubinho?

Para ficar duas horas e meia falando e segurar o choro, foi foda. Sou muito chorão. É uma virtude, acho. Todo aquele começo de vida, aquelas situações, seu Rubão, meu vô, é muito fácil sentir orgulho. Demorei muito tempo para sentir orgulho, me olhar e gostar. As crianças têm muito orgulho, sim, de viver essa história comigo. A gente acerta e erra, provavelmente erra mais do que acerta, mas com o coração limpo, você consegue tudo na vida.

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Olha, eu respeito muito o Rubens, mas até hoje não engulo o episódio da Áustria. Ele fala, fala, fala, mas não explica nada. Já saiu da F-1 ha quase 10 anos e fica com essa lenga lenga do livro. Para mim, não tem o que falar e fica fazendo cu-doce.  Deveria ter cedido a posição quando pediram ou batido o pé, vencido (ou tentado vencer) e aguentar as consequências. Mas fez a pior coisa que poderia ter feito.

No mais, entrevista bastante interessante, e compartilho a mesma opinião sobre o Collet. 

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Talvez ele esteja segurando por conta de processo ou talvez para não fechar as portas para os filhos na F1.

Eu sou muito fã do Rubens e não acho que o fato dele não falar a frase exata vai mudar isso. O cara era foda. Andava várias vezes na frente do maior piloto de sua época e um dos maiores de todos os tempos.

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8 hours ago, knOx said:

Talvez ele esteja segurando por conta de processo ou talvez para não fechar as portas para os filhos na F1.

Eu sou muito fã do Rubens e não acho que o fato dele não falar a frase exata vai mudar isso. O cara era foda. Andava várias vezes na frente do maior piloto de sua época e um dos maiores de todos os tempos.

Também compartilho da mesma opinião Knox... acho que ele não fala nada porque sabe que dependendo do que ele disser ele fecha completamente as portas pros meninos...

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