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Mitz

Como Senna e Piquet ajudaram kanaan

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Bom pessoal, seguindo o mesmo estilo do tópico do Tarso Marques vou deixar aqui uma reportagem bem legal do Tony Kanaan, não conhecia e achei bem interessante....

 

Promessa ao pai no leito de morte

Tony já demonstrava amor pelas pistas quando seu pai veio a falecer quando tinha apenas 13 anos de idade. Ao mesmo tempo, o garoto teve que fazer duas promessas ao seu pai pouco antes.

“Antes de morrer, ele me chamou no hospital numa quinta-feira à noite. Estava lúcido, na minha opinião ele não desistiu, apenas disse ‘cansei’, depois de lutar contra um câncer durante quatro anos, sendo que tinham dado a ele três meses de vida. Mas ele colocou uma responsabilidade em mim muito grande e naquela noite ele me disse: ‘tem duas coisas que eu quero que você nunca pare de fazer: cuidar da sua família e correr de carro, você promete?’ e eu respondi ‘claro, pai’.”

“Não pensei que ele iria falecer naquela noite. Acordei na sexta-feira de manhã com esse pepino na mão. Em termos de maturidade, não havia opção ou eu desistia ou mantinha a promessa. Meu pai era meu herói então eu me levantei, minha mãe estava em casa e eu disse que iria até a pista. Ganhei a corrida daquele fim de semana e dei o troféu para a minha mãe e ele está na casa dela até hoje, em um lugar especial.”

 

 A batalha

A mãe de Tony nunca precisou trabalhar e o garoto teve que deixar os estudos para sustentar a família. Com muita força de vontade, ele conseguiu dar continuidade de suas promessas feitas ao pai, com a ajuda de grandes nomes do automobilismo, mas também demonstrando que esse era seu caminho que estava decido  seguir.

“A partir da morte do meu pai a gente teve que batalhar. Minha mãe começou a trabalhar, perdemos tudo, não tínhamos grana e a realidade bateu. Parei de estudar, eu não tenho o segundo grau completo, parei na oitava série e fui trabalhar na fábrica de kart, na Mini, para ter os equipamentos de graça.”

“Fui tocando assim e tive a ajuda do Rubinho (Barrichello), do Rubão (pai de Rubinho), do Geraldo Rodrigues (empresário), do Nelson Piquet, do Ayrton Senna, todo mundo. Mas por quê? Eu não sou só um cara de sorte, eles viram a minha vontade, que correr era aquilo que eu queria. O pensamento de não dar certo nunca passou pela minha cabeça. Se não desse certo de viver da F1, OK, mas eu decidi viver do automobilismo.”

Encontro com o ídolo Senna no kart

Em uma festa na fazenda de Ayrton Senna, veio o primeiro encontro com o ídolo, de maneira inusitada, e que acabaria o ajudando alguns anos depois.

“Em 1991, o Geraldo Rodrigues me ligou e disse que tinha um convite da inauguração da pista da fazenda do Senna sobrando e queria que eu fosse. Chegamos lá, eu não estava convidado para correr, sobrou um kart, sentei nele e fiz a pole. Daí, o Ayrton chegou lá e perguntou quem eu era e conversamos.”

“Na hora da largada, ele resolveu inverter a ordem o grid, o primeiro largaria em último e o último em primeiro. Não estava previsto do Senna correr, eu estava em último no grid, pronto para largar e, de repente, eu o vi ao meu lado. Meu coração quase saiu pela boca, mas disse a mim mesmo ‘esse cara não vai ganhar de mim’. Largamos, passamos por todo mundo, ele não me ultrapassou em nenhuma vez, e recebemos a bandeirada eu em primeiro e ele em segundo. Quando acabou a corrida, ele chegou pra mim e disse: ‘Cara, você tem um talento gigantesco. Se você precisar de alguma coisa, a não ser dinheiro, pode me procurar’.”

A ligação de Nelson Piquet

O grande salto para a Europa veio por meio de um dos grandes rivais de Senna, Nelson Piquet. Com apenas uma ligação, a vida do jovem Tony teve uma grande reviravolta, em uma aventura que estava prevista para acontecer em um fim de semana, mas que durou seis meses.

“Em 1993, eu estava no Kartódromo de Interlagos onde dava aula de kart às terças e quintas. Era uma quinta-feira e na época não existia celular. Um dos engenheiros foi até a pista e disse que tinha alguém para falar comigo ao telefone, que era o Nelson Piquet. Eu, que sou um tirador de sarro, achei que tinha alguém me enchendo o saco. Subi lá e ouvi: ‘Oi Tony, é o Nelson’ e eu respondi: ‘Não enche o saco, quem é que está falando, eu tenho que trabalhar’. ‘É o Nelson. É o seguinte, você precisa ir para a Itália hoje. Tem um chefe de equipe lá que me ligou, pedindo um piloto brasileiro porque sabe que brasileiro é rápido e me perguntou de um piloto brasileiro bom’.”

“Era quatro horas da tarde, liguei para o Rubão, e ligaram para uma agência de viagem, compraram uma passagem para mim, mas eu não falava italiano, não se sabia quem poderia ir comigo, e pegaram o Luiz Gustavo Paternostro. Falei para minha mãe que estava indo para a Itália, ela não entendeu nada, mas eu disse que voltaria no domingo. “

“Pegamos o voo e 14 horas depois eu estava na Itália, fomos recebidos por um cara de terno e gravata que nos colocou em uma BMW M5, que para mim era uma nave espacial, e fomos para a pista de Misano treinar. Deis seis voltas na pista e me pediram para sair do carro. Fomos conversar e me ofereceram um contrato de dois anos. Saí de casa em uma quinta-feira, para voltar no domingo, mas voltei pela primeira vez seis meses depois.”

As palavras de Senna que mudaram a vida de Tony

Já na Europa, mas ainda com futuro indefinido, Tony teve a comprovação da promessa que Ayrton Senna fez em sua fazenda, que acabou garantindo mais três anos de contrato com a equipe que estava prestes a dispensá-lo.

“O meu chefe era um cara muito boa gente e sabia do meu talento e do meu esforço. Quando a equipe dele não pôde correr no campeonato italiano de F3, ele ligou para um amigo dele, para eu fazer um campeonato de Fórmula Opel e que tinham corridas nas preliminares da F1.”

“Eu estava programado pra fazer três etapas e a última era em Hockenheim. Cheguei na Alemanha em 5º no campeonato, sendo que eu já havia perdido cinco corridas. Corríamos no sábado e no domingo antes da F1. O Geraldo Rodrigues me falou que o Senna queria me ver e fomos ao motorhome da McLaren. Chegamos lá, o Ayrton me perguntou como estava, e eu disse que aquele era meu último fim de semana de corrida, porque a equipe não tinha dinheiro. Me despedi e voltei ao caminhão da equipe.”

“Deu meia hora, bateram na porta do escritório e quem era? Senna. Ele entrou, se apresentou, como se precisasse, e disse que tinha vindo dar oi para mim e conversar com o dono da equipe. ‘Eu tenho que ir embora, mas tenho que falar uma coisa rápida. Eu vim aqui dizer a você, que esse menino que você contratou, ele é melhor do que eu. Ele guia mais do que eu. Eu só queria te falar isso. Acho que você poderia fazer uma forcinha para ele continuar na sua equipe, que acho que ele vai trazer muitas vitórias’. Ele virou as costas e foi embora e eu garanti meu emprego nos três anos seguintes na Itália por causa dessas palavras do Senna.”

 

FONTE - BR MOTORSPORT

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2 hours ago, Mitz said:

Bom pessoal, seguindo o mesmo estilo do tópico do Tarso Marques vou deixar aqui uma reportagem bem legal do Tony Kanaan, não conhecia e achei bem interessante....

 

Promessa ao pai no leito de morte

Tony já demonstrava amor pelas pistas quando seu pai veio a falecer quando tinha apenas 13 anos de idade. Ao mesmo tempo, o garoto teve que fazer duas promessas ao seu pai pouco antes.

“Antes de morrer, ele me chamou no hospital numa quinta-feira à noite. Estava lúcido, na minha opinião ele não desistiu, apenas disse ‘cansei’, depois de lutar contra um câncer durante quatro anos, sendo que tinham dado a ele três meses de vida. Mas ele colocou uma responsabilidade em mim muito grande e naquela noite ele me disse: ‘tem duas coisas que eu quero que você nunca pare de fazer: cuidar da sua família e correr de carro, você promete?’ e eu respondi ‘claro, pai’.”

“Não pensei que ele iria falecer naquela noite. Acordei na sexta-feira de manhã com esse pepino na mão. Em termos de maturidade, não havia opção ou eu desistia ou mantinha a promessa. Meu pai era meu herói então eu me levantei, minha mãe estava em casa e eu disse que iria até a pista. Ganhei a corrida daquele fim de semana e dei o troféu para a minha mãe e ele está na casa dela até hoje, em um lugar especial.”

 

 A batalha

A mãe de Tony nunca precisou trabalhar e o garoto teve que deixar os estudos para sustentar a família. Com muita força de vontade, ele conseguiu dar continuidade de suas promessas feitas ao pai, com a ajuda de grandes nomes do automobilismo, mas também demonstrando que esse era seu caminho que estava decido  seguir.

“A partir da morte do meu pai a gente teve que batalhar. Minha mãe começou a trabalhar, perdemos tudo, não tínhamos grana e a realidade bateu. Parei de estudar, eu não tenho o segundo grau completo, parei na oitava série e fui trabalhar na fábrica de kart, na Mini, para ter os equipamentos de graça.”

“Fui tocando assim e tive a ajuda do Rubinho (Barrichello), do Rubão (pai de Rubinho), do Geraldo Rodrigues (empresário), do Nelson Piquet, do Ayrton Senna, todo mundo. Mas por quê? Eu não sou só um cara de sorte, eles viram a minha vontade, que correr era aquilo que eu queria. O pensamento de não dar certo nunca passou pela minha cabeça. Se não desse certo de viver da F1, OK, mas eu decidi viver do automobilismo.”

Encontro com o ídolo Senna no kart

Em uma festa na fazenda de Ayrton Senna, veio o primeiro encontro com o ídolo, de maneira inusitada, e que acabaria o ajudando alguns anos depois.

“Em 1991, o Geraldo Rodrigues me ligou e disse que tinha um convite da inauguração da pista da fazenda do Senna sobrando e queria que eu fosse. Chegamos lá, eu não estava convidado para correr, sobrou um kart, sentei nele e fiz a pole. Daí, o Ayrton chegou lá e perguntou quem eu era e conversamos.”

“Na hora da largada, ele resolveu inverter a ordem o grid, o primeiro largaria em último e o último em primeiro. Não estava previsto do Senna correr, eu estava em último no grid, pronto para largar e, de repente, eu o vi ao meu lado. Meu coração quase saiu pela boca, mas disse a mim mesmo ‘esse cara não vai ganhar de mim’. Largamos, passamos por todo mundo, ele não me ultrapassou em nenhuma vez, e recebemos a bandeirada eu em primeiro e ele em segundo. Quando acabou a corrida, ele chegou pra mim e disse: ‘Cara, você tem um talento gigantesco. Se você precisar de alguma coisa, a não ser dinheiro, pode me procurar’.”

A ligação de Nelson Piquet

O grande salto para a Europa veio por meio de um dos grandes rivais de Senna, Nelson Piquet. Com apenas uma ligação, a vida do jovem Tony teve uma grande reviravolta, em uma aventura que estava prevista para acontecer em um fim de semana, mas que durou seis meses.

“Em 1993, eu estava no Kartódromo de Interlagos onde dava aula de kart às terças e quintas. Era uma quinta-feira e na época não existia celular. Um dos engenheiros foi até a pista e disse que tinha alguém para falar comigo ao telefone, que era o Nelson Piquet. Eu, que sou um tirador de sarro, achei que tinha alguém me enchendo o saco. Subi lá e ouvi: ‘Oi Tony, é o Nelson’ e eu respondi: ‘Não enche o saco, quem é que está falando, eu tenho que trabalhar’. ‘É o Nelson. É o seguinte, você precisa ir para a Itália hoje. Tem um chefe de equipe lá que me ligou, pedindo um piloto brasileiro porque sabe que brasileiro é rápido e me perguntou de um piloto brasileiro bom’.”

“Era quatro horas da tarde, liguei para o Rubão, e ligaram para uma agência de viagem, compraram uma passagem para mim, mas eu não falava italiano, não se sabia quem poderia ir comigo, e pegaram o Luiz Gustavo Paternostro. Falei para minha mãe que estava indo para a Itália, ela não entendeu nada, mas eu disse que voltaria no domingo. “

“Pegamos o voo e 14 horas depois eu estava na Itália, fomos recebidos por um cara de terno e gravata que nos colocou em uma BMW M5, que para mim era uma nave espacial, e fomos para a pista de Misano treinar. Deis seis voltas na pista e me pediram para sair do carro. Fomos conversar e me ofereceram um contrato de dois anos. Saí de casa em uma quinta-feira, para voltar no domingo, mas voltei pela primeira vez seis meses depois.”

As palavras de Senna que mudaram a vida de Tony

Já na Europa, mas ainda com futuro indefinido, Tony teve a comprovação da promessa que Ayrton Senna fez em sua fazenda, que acabou garantindo mais três anos de contrato com a equipe que estava prestes a dispensá-lo.

“O meu chefe era um cara muito boa gente e sabia do meu talento e do meu esforço. Quando a equipe dele não pôde correr no campeonato italiano de F3, ele ligou para um amigo dele, para eu fazer um campeonato de Fórmula Opel e que tinham corridas nas preliminares da F1.”

“Eu estava programado pra fazer três etapas e a última era em Hockenheim. Cheguei na Alemanha em 5º no campeonato, sendo que eu já havia perdido cinco corridas. Corríamos no sábado e no domingo antes da F1. O Geraldo Rodrigues me falou que o Senna queria me ver e fomos ao motorhome da McLaren. Chegamos lá, o Ayrton me perguntou como estava, e eu disse que aquele era meu último fim de semana de corrida, porque a equipe não tinha dinheiro. Me despedi e voltei ao caminhão da equipe.”

“Deu meia hora, bateram na porta do escritório e quem era? Senna. Ele entrou, se apresentou, como se precisasse, e disse que tinha vindo dar oi para mim e conversar com o dono da equipe. ‘Eu tenho que ir embora, mas tenho que falar uma coisa rápida. Eu vim aqui dizer a você, que esse menino que você contratou, ele é melhor do que eu. Ele guia mais do que eu. Eu só queria te falar isso. Acho que você poderia fazer uma forcinha para ele continuar na sua equipe, que acho que ele vai trazer muitas vitórias’. Ele virou as costas e foi embora e eu garanti meu emprego nos três anos seguintes na Itália por causa dessas palavras do Senna.”

 

FONTE - BR MOTORSPORT

 

Tony é daqueles caras guerreiros do automobilismo, e que conforme seu próprio relato, renasce das cinzas sempre!

O que dizer da sua trajetória para vencer a Indy 500??? Cuja vitória comentada pelo bolacha é digna de roteiro de filme! 

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2 hours ago, Mitz said:

Bom pessoal, seguindo o mesmo estilo do tópico do Tarso Marques vou deixar aqui uma reportagem bem legal do Tony Kanaan, não conhecia e achei bem interessante....

 

Promessa ao pai no leito de morte

Tony já demonstrava amor pelas pistas quando seu pai veio a falecer quando tinha apenas 13 anos de idade. Ao mesmo tempo, o garoto teve que fazer duas promessas ao seu pai pouco antes.

“Antes de morrer, ele me chamou no hospital numa quinta-feira à noite. Estava lúcido, na minha opinião ele não desistiu, apenas disse ‘cansei’, depois de lutar contra um câncer durante quatro anos, sendo que tinham dado a ele três meses de vida. Mas ele colocou uma responsabilidade em mim muito grande e naquela noite ele me disse: ‘tem duas coisas que eu quero que você nunca pare de fazer: cuidar da sua família e correr de carro, você promete?’ e eu respondi ‘claro, pai’.”

“Não pensei que ele iria falecer naquela noite. Acordei na sexta-feira de manhã com esse pepino na mão. Em termos de maturidade, não havia opção ou eu desistia ou mantinha a promessa. Meu pai era meu herói então eu me levantei, minha mãe estava em casa e eu disse que iria até a pista. Ganhei a corrida daquele fim de semana e dei o troféu para a minha mãe e ele está na casa dela até hoje, em um lugar especial.”

 

 A batalha

A mãe de Tony nunca precisou trabalhar e o garoto teve que deixar os estudos para sustentar a família. Com muita força de vontade, ele conseguiu dar continuidade de suas promessas feitas ao pai, com a ajuda de grandes nomes do automobilismo, mas também demonstrando que esse era seu caminho que estava decido  seguir.

“A partir da morte do meu pai a gente teve que batalhar. Minha mãe começou a trabalhar, perdemos tudo, não tínhamos grana e a realidade bateu. Parei de estudar, eu não tenho o segundo grau completo, parei na oitava série e fui trabalhar na fábrica de kart, na Mini, para ter os equipamentos de graça.”

“Fui tocando assim e tive a ajuda do Rubinho (Barrichello), do Rubão (pai de Rubinho), do Geraldo Rodrigues (empresário), do Nelson Piquet, do Ayrton Senna, todo mundo. Mas por quê? Eu não sou só um cara de sorte, eles viram a minha vontade, que correr era aquilo que eu queria. O pensamento de não dar certo nunca passou pela minha cabeça. Se não desse certo de viver da F1, OK, mas eu decidi viver do automobilismo.”

Encontro com o ídolo Senna no kart

Em uma festa na fazenda de Ayrton Senna, veio o primeiro encontro com o ídolo, de maneira inusitada, e que acabaria o ajudando alguns anos depois.

“Em 1991, o Geraldo Rodrigues me ligou e disse que tinha um convite da inauguração da pista da fazenda do Senna sobrando e queria que eu fosse. Chegamos lá, eu não estava convidado para correr, sobrou um kart, sentei nele e fiz a pole. Daí, o Ayrton chegou lá e perguntou quem eu era e conversamos.”

“Na hora da largada, ele resolveu inverter a ordem o grid, o primeiro largaria em último e o último em primeiro. Não estava previsto do Senna correr, eu estava em último no grid, pronto para largar e, de repente, eu o vi ao meu lado. Meu coração quase saiu pela boca, mas disse a mim mesmo ‘esse cara não vai ganhar de mim’. Largamos, passamos por todo mundo, ele não me ultrapassou em nenhuma vez, e recebemos a bandeirada eu em primeiro e ele em segundo. Quando acabou a corrida, ele chegou pra mim e disse: ‘Cara, você tem um talento gigantesco. Se você precisar de alguma coisa, a não ser dinheiro, pode me procurar’.”

A ligação de Nelson Piquet

O grande salto para a Europa veio por meio de um dos grandes rivais de Senna, Nelson Piquet. Com apenas uma ligação, a vida do jovem Tony teve uma grande reviravolta, em uma aventura que estava prevista para acontecer em um fim de semana, mas que durou seis meses.

“Em 1993, eu estava no Kartódromo de Interlagos onde dava aula de kart às terças e quintas. Era uma quinta-feira e na época não existia celular. Um dos engenheiros foi até a pista e disse que tinha alguém para falar comigo ao telefone, que era o Nelson Piquet. Eu, que sou um tirador de sarro, achei que tinha alguém me enchendo o saco. Subi lá e ouvi: ‘Oi Tony, é o Nelson’ e eu respondi: ‘Não enche o saco, quem é que está falando, eu tenho que trabalhar’. ‘É o Nelson. É o seguinte, você precisa ir para a Itália hoje. Tem um chefe de equipe lá que me ligou, pedindo um piloto brasileiro porque sabe que brasileiro é rápido e me perguntou de um piloto brasileiro bom’.”

“Era quatro horas da tarde, liguei para o Rubão, e ligaram para uma agência de viagem, compraram uma passagem para mim, mas eu não falava italiano, não se sabia quem poderia ir comigo, e pegaram o Luiz Gustavo Paternostro. Falei para minha mãe que estava indo para a Itália, ela não entendeu nada, mas eu disse que voltaria no domingo. “

“Pegamos o voo e 14 horas depois eu estava na Itália, fomos recebidos por um cara de terno e gravata que nos colocou em uma BMW M5, que para mim era uma nave espacial, e fomos para a pista de Misano treinar. Deis seis voltas na pista e me pediram para sair do carro. Fomos conversar e me ofereceram um contrato de dois anos. Saí de casa em uma quinta-feira, para voltar no domingo, mas voltei pela primeira vez seis meses depois.”

As palavras de Senna que mudaram a vida de Tony

Já na Europa, mas ainda com futuro indefinido, Tony teve a comprovação da promessa que Ayrton Senna fez em sua fazenda, que acabou garantindo mais três anos de contrato com a equipe que estava prestes a dispensá-lo.

“O meu chefe era um cara muito boa gente e sabia do meu talento e do meu esforço. Quando a equipe dele não pôde correr no campeonato italiano de F3, ele ligou para um amigo dele, para eu fazer um campeonato de Fórmula Opel e que tinham corridas nas preliminares da F1.”

“Eu estava programado pra fazer três etapas e a última era em Hockenheim. Cheguei na Alemanha em 5º no campeonato, sendo que eu já havia perdido cinco corridas. Corríamos no sábado e no domingo antes da F1. O Geraldo Rodrigues me falou que o Senna queria me ver e fomos ao motorhome da McLaren. Chegamos lá, o Ayrton me perguntou como estava, e eu disse que aquele era meu último fim de semana de corrida, porque a equipe não tinha dinheiro. Me despedi e voltei ao caminhão da equipe.”

“Deu meia hora, bateram na porta do escritório e quem era? Senna. Ele entrou, se apresentou, como se precisasse, e disse que tinha vindo dar oi para mim e conversar com o dono da equipe. ‘Eu tenho que ir embora, mas tenho que falar uma coisa rápida. Eu vim aqui dizer a você, que esse menino que você contratou, ele é melhor do que eu. Ele guia mais do que eu. Eu só queria te falar isso. Acho que você poderia fazer uma forcinha para ele continuar na sua equipe, que acho que ele vai trazer muitas vitórias’. Ele virou as costas e foi embora e eu garanti meu emprego nos três anos seguintes na Itália por causa dessas palavras do Senna.”

 

FONTE - BR MOTORSPORT

Excelente texto Mitz !!!!!!!!  Valeu !!!!!!!!

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Fala Heavy !! eu que agradeço !!! o bom desta pandemia é que pela falta de notícia nova a galera solta muita coisa antiga que quase ninguêm conhecia..... falando em Kanaan... uma pena não ter tido oportunidade na F1...

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15 minutes ago, edermetal said:

 

Tony é daqueles caras guerreiros do automobilismo, e que conforme seu próprio relato, renasce das cinzas sempre!

O que dizer da sua trajetória para vencer a Indy 500??? Cuja vitória comentada pelo bolacha é digna de roteiro de filme! 

Exatamente....

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Não sabia dessa história muito bacana e mostra como o caráter de muita gente é diferente de como as pessoas gostam de falar.

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Que estoria legal. Eu ja era fan do Tony, fiquei mais. Na indy eu torci pro emmerson, gil de ferran, cristiano da matta, roberto moreno e tony canaan. e pro cristian fittipaldi, porque os carros dele sempre eram lindos. nao tinha como nao torcer.

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20 hours ago, AdrianoAugusto said:

Que estoria legal. Eu ja era fan do Tony, fiquei mais. Na indy eu torci pro emmerson, gil de ferran, cristiano da matta, roberto moreno e tony canaan. e pro cristian fittipaldi, porque os carros dele sempre eram lindos. nao tinha como nao torcer.

Nossa, vendo esse tanto de nomes bons que passaram pela Indy, e mais o que tivemos na F1, da a sensacao de que agora o automobilismo brasileiro acabou. Triste demais.

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On 6/12/2020 at 2:58 PM, knOx said:

Nossa, vendo esse tanto de nomes bons que passaram pela Indy, e mais o que tivemos na F1, da a sensacao de que agora o automobilismo brasileiro acabou. Triste demais.

Concordo 100%!

 

Foi o que eu comentei num outro tópico: O automobilismo brasileiro está na UTI faz tempo!

Mas tem gente que jura que ainda temos um bom número de promessas atualmente. Sei lá... preciso de óculos

 

Aquela geração pós Piquet-Senna inundou o mundo do automobilismo com muitos pilotos brasileiros, a maioria de grande calibre, mas nem pra todos a oportunidade veio.

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4 hours ago, edermetal said:

Concordo 100%!

 

Foi o que eu comentei num outro tópico: O automobilismo brasileiro está na UTI faz tempo!

Mas tem gente que jura que ainda temos um bom número de promessas atualmente. Sei lá... preciso de óculos

 

Aquela geração pós Piquet-Senna inundou o mundo do automobilismo com muitos pilotos brasileiros, a maioria de grande calibre, mas nem pra todos a oportunidade veio.

 

Quando comentei sobre as " boas promessas " em um outro tópico o meu principal intuito não foi dizer que nosso automobilismo está as " mil maravilhas " o negócio está feio e já faz um bom tempo.... e isso é bem explícito, porém se traçarmos um paralelo com anos anteriores a quantidade de pilotos brasileiros com resultados relevantes e integrantes de equipes " junior " é nítida a diferença....citei apenas 5 exemplos, mais poderia ter citado pelo menos 7... são exemplos de pilotos que atualmente ocupam as melhores equipes em campeonatos junior...

A ultima vez que eu me lembro de uma " leva " boa de promessas foi em 2006/2007/2008 com o Di Grassi, N. Piquet e o B. Senna depois veio o lapso e o Felipe Nasr.

 

abraços

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