Os juízes da F1. Por Fernanda de Lima

Allan-McNish

Allan McNish foi um dos três comissários da FIA no GP da Hungria

Vocês se lembram que na minha última coluna discordei das punições dadas a Romain Grosjean pelos comissários da FIA? Num outro esporte, as decisões tomadas por terceiros também causaram polêmica há cerca de uma semana. Na última edição do UFC, vi muita gente revoltada com derrota do brasileiro Lyoto Machida para o americano Phil Davis. Assim como no caso de Grosjean, a punição, ou melhor, no caso do UFC, a derrota do brasileiro foi decretada por um elemento que se mantém do lado de fora do octógono, no caso da F1, fora das pistas.

No UFC, o todo-poderoso Dana White declarou após a luta: “Uau! Eu tinha visto Machida ganhar todos os 3 rounds, mas isso é o que acontece quando você deixa a decisão para os juízes!”. O ideal mesmo seria que os competidores se entendessem dentro do octógono. Assim como numa visão fora da realidade, o melhor mesmo seria assistir aos pilotos de F1 se entenderem ali na pista, sem direito a intervenções dos comissários esportivos da FIA, os “juizões” da Fórmula 1. Na teoria, seria o mundo dos sonhos para qualquer telespectador, tanto na F1 quanto no UFC. Mas as consequências dessa “liberdade” poderiam vir a ser mortais. Nem todo ser humano, e especialmente competidor, é capaz de enxergar o perigo à vista, ou se guiar peas regras sem que ao feri-las sofra as consequências de uma punição. Apesar de não concordar com muitas decisões dos comissários, entendo que, assim como na vida, deve-se existir uma força maior. Como uma vez disse Friedrich Nietzsche, “o medo é o pai da moralidade”.

É incontestável que o poder dado aos comissários para tomada de decisões sempre dará pano pra manga. Desde de 2010, para tentar amenizar ou tentar trazer justificativas plausíveis às punições aplicadas pelos comissários, o “piloto-comissário” foi inserido na roda pela FIA. Teoricamente, essa inserção de um ex-piloto no quadro de comissários supriria a necessidade de se ter alguém com experiência prática e vivência real de F1, um forte aliado em defesa dos pilotos atuais do grid. Ou não. Lembram-se do GP de Mônaco de 2010, em que Damon Hill foi um dos comissários que julgaram Michael Schumacher, então piloto da Mercedes, a respeito da ultrapassagem sobre Fernando Alonso na última volta da prova? À época, o próprio Hill sentiu-se incomodado por julgar o ex-rival e declarou que recebeu e-mails com acusações de que tinha prejudicado o alemão por “vingança”.

Em frente a dezenas de monitores e fora das pistas, os comissários algumas vezes são considerados os vilões tanto pelo público quanto pelos pilotos e equipes. Especialmente pelos critérios titubeantes adotados, ou seria melhor dizer pela falta de critérios adotados? Um dos principais fatores que parece contribuir para a quantidade de critérios discrepantes na F1 é o fato de a comissão esportiva não ser a mesma durante toda uma temporada.

Essa rotatividade entre os membros da comissão é algo que me incomoda. Naturalmente, eu não compartilho da mesma opinião que vocês, assim como, sei bem que as suas opiniões não vão sempre de encontro às minhas. Imaginem só os comissários. Cada um com o seu background… Até em relação aos pilotos-comissários, a visão tende a mudar. Não creio que um ex-piloto como Allan McNish, piloto da Toyota, em 2002, em sua única passagem pela F1, e tricampeão das 24 Horas de Le Mans, tenha a mesma visão, por exemplo, que Nigel Mansell, campeão mundial em 1992 e dono de 31 vitórias na F1.

Não se poderia apostar num grupo fechado visando à melhoria da categoria? A quem incomodaria uma comissão esportiva permanente na F1?

Fernanda de Lima

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