Os 10 melhores da F1 de 2017 – Parte 2

GP do Brasil

Por: Adauto Silva

Chegou a hora de falarmos sobre os Top5 da F1 2017. É importante frisar que nesse ranqueamento tudo é levado em consideração, principalmente as circunstancias que levaram os pilotos a essas posições.

A Formula 1 é feita de nuances. Todos os pilotos – com exceção de Lance Stroll – são muito bons. São mais que isso, são excelentes. Guiar um F1 devagar já é muito difícil, guiar no limite é inimaginável para qualquer ser humano. Quando você conversa com os mecânicos que trabalham na F1, você vê o enorme respeito e admiração que eles tem pelos pilotos.

Eu tive a oportunidade – e sorte – de trocar duas palavrinhas com o novato Brendon Hartley na semana do GP do Brasil. Hartley foi campeão do WEC este ano com um Porsche LMP1, categoria de protótipos mais rápidos do mundo. Só fiz uma pergunta a ele pedindo para comparar seu protótipo com um carro de F1. A resposta?

“Isso aqui é outro mundo, não tem nada sequer parecido. Precisa de uma concentração e de uma confiança em si próprio e no equipamento muito acima de qualquer coisa que eu já tenha feito na vida. Qualquer carro aceita pequenos erros, mas um Formula 1 não. Um erro mínimo, que às vezes você só vai ver na telemetria, e você perde 2 décimos. E isso geralmente é a diferença entre ganhar ou perder. Aqui tudo só funciona no limite. Não é para qualquer um.”

Acho que não precisa falar mais nada…

 

5. Valtteri Bottas

Valtteri Bottas

Bottas tem o mesmo problema de Ricciardo, um companheiro de equipe absolutamente fenomenal. Qualquer piloto que tenha como companheiro de equipe Hamilton, Alonso ou Verstappen será sempre considerado fraco pela torcida. Os fãs não perdoam, se perdeu é porque é fraco.

Mas na F1 não funciona assim. Todos lá sabem que andar perto dos três gênios acima e eventualmente beliscar uma vitória sobre eles é um grande feito. E Bottas cumpriu a tarefa com perfeição. Com 4 poles e 3 vitórias – uma delas em Sochi, uma pista totalmente desfavorável a seu carro, Bottas garantiu seu assento na Mercedes por pelo menos mais uma temporada, assento esse cobiçado por 9 em cada 10 pilotos da F1.

Outro fator que jogou demais a favor de Bottas foi sua recuperação no final do campeonato. Ele começou muito bem, então a Mercedes teve que mudar muito o carro – para poder desafiar a Ferrari – e o acerto mudou completamente. Valtteri passou a ter muita dificuldade com essas mudanças, mas não se desesperou e começou a passar mais tempo ainda com seus engenheiros na pista e na fábrica. Estudou o carro, fez dezenas e dezenas de horas no simulador e examinou em detalhes todas as telemetrias de Hamilton.

Tudo isso fez com que ele finalmente “reencontrasse” o carro no final do ano com um P2 no Brasil e uma vitória incontestável em Abu Dhabi sobre Hamilton.

 

4. Daniel Ricciardo

Daniel Ricciardo

Ricciardo continua sendo um piloto sensacional e um dos melhores do grid. Rápido e extremamente suave no volante, o australiano guia no limite conservando seus pneus quase sempre melhor que os outros. Suas ultrapassagens estilo “mergulho” no último momento das freadas já se tornou sua marca registrada. Foram muitas ao longo do ano e principalmente no GP do Brasil, quando você via RIC tirar para dentro no último momento e pensava: “Essa ele vai passar reto!” Mas ele conseguia.

Ricciardo é um ladrão de vitórias. Não deixe nada na mesa, porque senão ele vem e pega. Além da vitória no Azerbaijão – corrida na qual ele largou em P10 – vimos outros momentos geniais do piloto mais simpático do grid: Segurou Hamilton para terminar no pódio na Áustria, grandes corridas de recuperação na Inglaterra e na Itália, um fim de semana brilhante antes do carro quebrar em Abu Dhabi e o show de ultrapassagens improváveis em Interlagos.

O problema de Ricciardo este ano foi seu companheiro de equipe. Verstappen roubou a Red Bull dele, assim como ele havia feito com Vettel em 2014. Apesar de ele ter marcado mais pódios em uma temporada do que nunca terminando em P5 no campeonato com 200 pontos, muito próximo de Raikkonen e 32 a mais que Max, ele foi definitivamente o segundo melhor piloto da Red Bull neste ano, o que é uma experiência nova para ele.

2018 será provavelmente o ano mais importante da carreira dele. O ideal para Daniel seria tentar assinar um contrato com a Ferrari para pegar o lugar de Kimi o quanto antes. É o que eu faria no lugar dele.

 

3. Fernando Alonso

Fernando Alonso

É difícil ranquear um piloto que está num carro muito ruim – devido ao motor paupérrimo em potência e confiabilidade -, quase nunca faz alguma besteira e portanto aparece muito pouco na TV. Mas Fernando é como um bom vinho, quanto mais velho, melhor!

Martin Brundle aposta que ele teria vencido o campeonato a bordo de uma Ferrari. Eu também. Na verdade tenho quase certeza.

Apesar de toda a tensão com a Honda e as idas e vindas dos bastidores, ele conseguia colocar tudo de lado quando entrava na pista e produzia tocadas que o motor não merecia. Suas voltas de classificação na Espanha, Brasil e México foram obras-primas. Sua performance na estreia nas 500 Milhas de Indianapolis – quando chegou a liderar antes do motor Honda quebrar mais uma vez, mesmo em outra categoria – só certificam o monstro que o espanhol continua sendo atrás do volante.

Onze vezes ele não viu a bandeira quadriculada. Essa falta de confiabilidade o desmotivou? Não, na verdade serviu para motivá-lo ainda mais para provar o quão bom ele ainda é.

Em 2018 – com o motor Renault – os adversários diretos dele serão Max e Ricciardo. Que privilégio vai ser para todos nós assistirmos isso!

 

2. Max Verstappen

Max Verstappen

Como já afirmei algumas vezes, Verstappen é o novo fenômeno da F1. Ele teve uma temporada incrível, apesar dos vários azares na primeira metade, quando teve seguidas quebras e três acidentes de primeira volta sem ter culpa nenhuma. Sua pontuação não reflete sua grande temporada, principalmente na segunda metade, quando seu carro quebrou menos e ele conquistou duas vitórias dominantes, principalmente no México, duelando na primeira volta contra Vettel e Hamilton, ganhando de ambos e depois dando um passeio no resto da corrida.

O holandês, que sempre teve seu ponto forte em ritmo de corrida, agora é extremamente rápido em classificação também. Meteu 13 x 7 em Daniel Ricciardo, que sempre foi muito bom em voltas lançadas. Muito confiante e forte mentalmente – apesar de jovem -, Max tem tudo para ser um daqueles pilotos absolutamente dominantes na categoria na hora que tiver um carro realmente competitivo.

 

1. Lewis Hamilton

Lewis Hamilton

Lewis Hamilton mostrou mais uma vez que é o melhor piloto da F1. Não apenas por essa temporada espetacular, mas desde há muito tempo. Hamilton encarou 2017 como uma vingança por ter perdido o título em 2016 por conta das inúmeras quebras de motor justamente para um rival que ele não respeitava mais devido a vários problemas internos. Sim, algumas batidas mal explicadas entre eles durante os anos de Mercedes – incluindo uma rodada bastante suspeita no Q3 de Mônaco anos atrás, além de um comportamento muito político dentro da equipe – fizeram com que o inglês perdesse a amizade e o respeito por Nico Rosberg.

Em 2017 a Mercedes começou com um carro claramente inferior ao da Ferrari com graves problemas de suspensão, muito longo e com uma aero que só funcionava em pistas de alta velocidade. Mesmo assim Hamilton fez valer sua habilidade fora do comum – só comparada a de Ayrton Senna – para fazer poles em pistas improváveis e assim dificultar demais a vida de Vettel, que apesar de ter um carro cerca de 0.3s mais rápido por volta, não conseguia fazer valer isso nas classificações e portanto tinha muita dificuldade nas corridas em que largava atrás do inglês.

A pole, que sempre foi importante na F1, nessa temporada e nas próximas tornou-se ainda mais, uma vez que a aero do novo regulamento dificulta muito a ultrapassagem em pista. E a pole que Lewis fez em Monza esse ano com pista molhada foi uma das mais impressionantes que eu já vi. Ele colocou 1,5s no P2, 2,3s no seu companheiro de equipe e 2,5s em Vettel. Coisa de gênio mesmo…

O próprio chefe de equipe da Ferrari, Maurizio Arrivabene, reconheceu a importância das poles ao declarar: “Eu acho que um dos pontos fortes da Mercedes, além da marca que eles estão representando, como a equipe é organizada, também é o hábito de ganhar. Às vezes você tem uma pole e isso se torna um evento. A pole deve tornar-se um hábito e não um evento.”

Hamilton venceu o campeonato muito mais com a força mental do que com os pés e as mãos. Sabendo que tinha um carro um pouco mais lento no geral, suas chances estavam em fazer voltas de classificação perfeitas, largar quase sempre na frente de seu principal rival e não cometer erros nas corridas. E foi o que ele fez quase sempre. Lewis fez 11 poles, bateu os recordes de Senna e depois de Schumacher. Vettel fez apenas 4 poles, enquanto na minha avaliação ele deveria ter feito 8.

Adauto Silva
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