O dia em que a Formula 1 viu quem era Ayrton Senna

Ayrton Senna

Enquanto a Fórmula 1 relembra Ayrton Senna no 23º aniversário de sua morte em Imola, memórias mais felizes de outra corrida 10 anos antes destacam por que todos ainda sentem muita falta do brasileiro.

O GP de Mônaco de 1984, realizado sob chuva torrencial, foi quando até mesmo os seguidores menos atentos da categoria perceberam o talento que havia nela.

Senna, largando em 13º na primeira corrida de rua em sua temporada de estreia e com um carro que não havia conseguido se classificar duas etapas antes em Imola, chegou em segundo atrás de Alain Prost, da McLaren – seu futuro companheiro de equipe e rival.

Quanto mais chovia, mais rápido ele andava. O brasileiro marcou a melhor volta e estava prestes a assumir a liderança quando a prova foi controversamente interrompida e os pontos foram dados pela metade.

Pat Symonds, agora chefe técnico da Williams após trabalhar com Michael Schumacher na Benetton e Fernando Alonso na Renault, era o engenheiro de corrida de Senna naquele dia, e relembra uma experiência quase surreal.

“Não era exatamente previsto”, declarou o britânico à Reuters. “Não estávamos pensando ‘vamos vencer uma em breve’. Foi uma surpresa. Tudo se alinhou e nós quase vencemos a corrida”.

“Posteriormente, as emoções foram bastante surreais e distintas, tendo alcançado algo a mais do que qualquer um de nós havia conseguido antes, mas ainda não o prêmio máximo. Houve a euforia inicial de obter aquele segundo lugar, e então, duas horas depois, pensamos ‘na verdade, deveria ter sido o primeiro lugar’. Foi difícil lidar com aquilo”.

“Eu sabia que o rapaz era bom. Quando ele se juntou à Toleman, achei que iríamos nos dar muito bem. Não vou fingir por um minuto que eu realmente previa que tesouro absoluto nós tínhamos”.

“Quando ele começou a trabalhar conosco, acho que um ótimo sinal de como um piloto é bom é que você se esquece que ele é inexperiente. E foi o caso com Ayrton. Ele se sentia tão em casa na Fórmula 1 que você se esquecia que era um estreante”.

Uma das muitas perguntas sem respostas da Fórmula 1 é se Senna de fato teria vencido em Mônaco se a prova tivesse tido a distância total. Symonds suspeita que sim, apesar de ter sido descoberto após a corrida que o carro do brasileiro estava danificado.

“Sim, é verdade que um dos braços da suspensão dianteira estava trincado. E nós acreditamos que aquilo havia acontecido em uma passagem sobre as zebras na chicane. Mas ninguém sabe se o carro teria terminado ou não. Na minha opinião, era um trinco sério, mas não estava prestes a falhar. Ninguém nunca saberá a resposta”.

O que é certo é que Senna mostrou naquele dia algumas das qualidades que o tornariam um competidor tão formidável – autoconfiança total e uma capacidade incrível de absorver informações.

“Havia muitos pilotos que, para pilotar um carro rapidamente, precisavam de 100 por cento de sua capacidade mental. Ayrton não precisava. Ele podia andar mais rápido do que todos os outros e ainda tinha a capacidade de se lembrar de cada pequeno detalhe de todas as voltas”, relembra Symonds.

“Nós não tínhamos a aquisição de dados naquela época, não havia telemetria em tempo real. Tudo dependia do piloto. E ele era incrivelmente bom na descrição do carro e na lembrança de cada pequena coisa que acontecia”.

“Ele era naturalmente muito competitivo, tinha uma confiança que não era arrogância. Era uma verdadeira autoconfiança. Portanto, ele não tinha aquela reverência pelos pilotos estabelecidos da época. Simplesmente achava que eles estavam lá para ser batidos”.

No vídeo abaixo temos as últimas voltas do GP de Monaco de 1984 com transmissão da BBC. A narração é do lendário Murray Walker e comentários do campeão de 1976 James Hunt, absolutamente impressionado com a tocada magistral de Ayrton Senna.

LS - www.autoracing.com.br

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