MotoGP – Phillip Island 2019

Marc Marquez e Maverick Viñales

Colaboração: Carlos Alberto Goldani

Tempos atrás havia na mídia impressa um comercial de uma marca de uísque interessante, uma fotografia de uma modelo de costas, ocultando uma garrafa do produto com o seguinte chamada: “O que você pode dar para quem tem tudo é um pouco mais do que ele já tem”.

Quem acompanha o esporte de duas rodas tenta imaginar o que Marc Márquez ainda pode realizar na MotoGP neste final de temporada. O título mundial, sexto na classe e quarto consecutivo, foi conquistado na Tailândia com antecedência de 4 provas. O título de fabricantes para a Honda foi confirmado em Motegi com uma antecipação de 3 provas. A competição por equipes ainda é liderada pela Ducati Team que acumula 409 pontos, 240 de Andrea Dovizioso e 169 de Danilo Petrucci, a Repsol Honda tem 408, 375 dos quais obtidos por Márquez (Jorge Lorenzo contribuiu com 23 e Stefan Bradl com 10), o campeão já declarou que vai atrás também deste título. Antes do GP da Austrália equipe italiana tinha uma vantagem de 17 pontos, os 25 da obtidos em Phillip Island menos os 9 da 7ª colocação de Dovizioso reduziram a diferença para apenas 1, Lorenzo e Petrucci não pontuaram.

A etapa de Phillip Island foi complicada por problemas do clima, chuva e ventos fortes alteraram a rotina dos pilotos e as tomadas de tempo para formação do grid de largada foram postergadas para o dia de realização da prova. Em termos de estratégia Márquez não alterou o seu padrão, utilizou os testes livres para evitar o Q1 e trabalhou na adequação da moto para a prova sem a preocupação de marcar tempos. Uma queda de Quartararo no TL1 obrigou o francês a ausentar-se do TL2 e permitiu os protagonismos de Yamaha de Maverick Vinales e da Ducati de Jack Miller na sexta-feira. Vinales comandou os testes livres no sábado e ficou com a pole no domingo, compartilhando a primeira fila com Quartararo e Márquez.

A largada foi confusa, Valentino Rossi pulou da 6ª posição para a liderança, Danilo Petrucci foi catapultado da moto (highside) na 2ª curva e, na queda, tirou a Yamaha de Quartararo da prova. Cal Crutchlow com uma Honda e Andrea Iannone com uma inesperada Aprilia ocuparam as posições seguintes. Rossi liderou por 3 giros, Iannone por um pequeno trecho e Crutchlow por nove voltas, até a disputa ficar reduzida entre Vinales e Márquez. Os dois livraram alguma diferença do 3º, Crutchlow, que por sua vez abriu sobre os demais.

Existe uma regra não escrita que motores V4 (Honda, Ducati, Aprilia & KTM) entregam maior torque, apresentam maior velocidade final em retas, e propulsores com cilindros em linha (Yamaha & Suzuki) proporcionam melhor desempenho em curvas. Não foi o que aconteceu na prova, nas 16 voltas seguintes Márquez não procurou ultrapassar Vinales na grande reta e o piloto da Yamaha não conseguiu abrir uma distância confortável nos trechos sinuosos. Foi a reedição de um roteiro conhecido, já aconteceu em Silverstone quando Rins ficou na perseguição de Márquez e o venceu na última volta, em Misano e Buriram Márquez não permitiu a fuga de Quartararo e o ultrapassou nos momentos finais de ambas as provas. Até as gaivotas que sobrevoavam o circuito sabiam que o campeão ultrapassaria com a força do motor na última vez que percorresse a longa reta, foi o que aconteceu e, ao tentar retomar a posição no trecho sinuoso, Vinales se excedeu e caiu. Márquez ficou com a pista livre para obter a sua 11ª vitória nesta temporada, Cal Crutchlow herdou a 2ª posição com um atraso de mais de 11 segundos do líder e o australiano Jack Miller (3º) ficou muito feliz em obter um lugar no pódio em seu GP caseiro.

O resultado final apresentou algumas surpresas, Peco Bagnaia conduziu sua Ducati (Pramac) para a 4ª posição, a Suzuki de Joan Mir ficou em 5º, seguido da surpreendente Aprilia de Iannone (6º) e da Ducati de Dovizioso (7º). A Yamaha de Valentino Rossi, que entusiasmou o público no início da prova, ficou com a 8ª colocação, na frente de Rins (Suzuki) e da segunda Aprilia de Aleix Spargaro. Foi a primeira vez em muitas provas que Valentino conduziu a Yamaha melhor colocada na classificação final.

Enquanto o desempenho da Aprilia, duas máquinas entre os 10 primeiros, foi digno de elogios, a ausência da KTM no Top 10 foi a decepção do dia,. Talvez a única alegria para a fábrica austríaca tenha sido Pol Spargaro que, disputando a 12ª posição, bateu Johann Zarco em sua estreia na Honda por 0,1 segundo. Jorge Lorenzo prosseguiu em seu calvário e finalizou a prova com um intervalo superior a 1 minuto do líder.

Este fim de semana foi particularmente ilustrativo porque proporcionou a oportunidade de comparar duas concepções de circuitos para esportes motorizados. Na Austrália foi realizada a etapa da MotoGP em Phillip Island, um cenário paradisíaco onde o traçado é da escola antiga, construído privilegiando competições e não projetado para oferecer espetáculos ao público. No mesmo dia a Fórmula 1 visitou o circuito Hermanos Rodriguez na Cidade do México, uma pista reconstruída com base no antigo autódromo, introduzindo cantos geométricos e criando um desenho adequado para servir de palco para espetáculos com grande número de espectadores. Na reforma o autódromo mexicano perdeu um dos seus pontos mais representativos, a Curva Peraltada, e ganhou uma passagem pelas arquibancadas de um antigo estádio de beisebol para proporcionar um desfile de carros para os espectadores. A Peraltada era uma longa curva de 180º que antecedia a reta principal, de certa forma semelhante a Parabólica do Circuito de Monza. Segundo o projetista Hermann Tilke, responsável pela readequação do Hermanos Rodriguez, a curva foi descaracterizada por motivo de segurança, não haveria espaço do lado externo para área de escape.

Carlos Alberto Goldani
Porto Alegre – RS

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