MotoGP – O fator Márquez e o início da temporada europeia

Marc Marquez

Colaboração: Carlos Alberto Goldani

O Mundial de MotoGP de 2019 começou estranho para a Honda. O fabricante não pôde contar integralmente com seus principais pilotos nos testes pré-temporada realizados em Jerez, Sepang e Losail. Márquez atuou com limitações pela operação no ombro, Lorenzo com uma fratura no escafoide (mão) sofrida quando praticava Motocross e Crutchlow consolidando um tornozelo reconstruído por causa de um acidente em Philip Island no ano passado. Os testes com novos componentes e ensaios de corrida foram realizados por Takaaki Nakagami e Stefan Bradl, profissionais competentes, porém sem o “algo mais” dos hóspedes do que a mídia batizou de “Enfermaria da Honda”.

O aparente atraso no desenvolvimento da RC213V não foi confirmado por resultados no início do mundial. Na abertura em Losail, em uma pista que historicamente não é favorável aos equipamentos nipônicos, duas Honda figuraram no pódio e as outras duas na zona de pontuação. Em Rio Hondo Marc Márquez sobrou na pista, Carl sofreu uma penalização que resultou na perda de mais de 30seg, mesmo assim as quatro máquinas pontuaram. Então aconteceu o desastre de Austin, Marc e Cal caíram, Lorenzo abandonou por um problema mecânico e Nakagami classificou-se em 10º, a fábrica conseguiu só 6 dos 74 pontos possíveis.

A Honda está convivendo com uma dificuldade inédita, para uma fábrica caracterizada pela confiabilidade dos equipamentos e resiliência da equipe de apoio o início de temporada foi atípico. Nas três primeiras etapas as motos da equipe oficial tiveram múltiplos problemas técnicos, duas ocorrências foram relacionadas com a correia de transmissão, um tipo de defeito que só costumava acontecer nos primórdios do motociclismo esportivo. A equipe ainda não confirmou o que aconteceu com a moto de Lorenzo em Austin, o próprio piloto apressou-se em esclarecer que não foi a correia e tudo aponta para um problema eletrônico.

Se não foi exatamente o início de temporada dos sonhos para Marc Márquez, está longe de um desastre irrecuperável. Valentino Rossi, que ocupa a 2ª colocação na corrida pelo mundial, em uma entrevista declarou que ele (óbvio), Alex Rins atualmente em 3º e o atual campeão são, entre outros, candidatos ao título. Estranhamente ele não mencionou o atual líder Andrea Dovizioso e seu colega de equipe Maverick Vinales.

Os jornalistas especializados em MotoGP já estão acostumados a ampliarem o leque de possibilidades sempre que Marc Márquez está envolvido, para eles o fato dele estar apenas na quarta posição não é muito significativo. Examinando no detalhe, depois de três etapas Marc está exatamente com a mesma pontuação que tinha em 2018, 45 pontos, e ele venceu a temporada com três etapas de antecedência. Historicamente nas três primeiras provas o atual campeão do mundo acumulou 61 pontos em sua primeira participação no mundial de 2013, 75 pontos, o máximo possível em 2014 e apenas 36 em 2015, único ano que participou e não foi campeão. Nos anos seguintes contabilizou 66 em 2016, 38 em 2017 e 45 em 2018, mesmo número deste ano. A única diferença é que no ano passado estava em 2º e agora está em 4º, em 2019 seus concorrentes estão errando menos e são mais competitivos, o campeonato está mais disputado.

Pelo apresentado até agora, a Honda conseguiu melhorar o desempenho do motor e está com um chassi mais equilibrado, o equipamento conservou a sua agilidade e ganhou maior velocidade final. Uma má notícia para seus adversários, Marc Márquez em duas ocasiões já mencionou que esta é a melhor moto que já pilotou. Em Losail, uma pista onde a Ducati utiliza a grande reta para obter uma vantagem expressiva, as Honda andaram junto. Em Rio Hondo um fato curioso, alertado pelas placas de sinalização que poderia administrar a vantagem obtida, Marc mudou para modo conservador e ainda assim, poupando o equipamento, pilotava o protótipo mais rápido da pista. Na prova de Austin já tinha aberto 3,5seg de vantagem quando cometeu o erro que causou a sua queda.

Os resultados obtidos por Márquez não são acompanhados por seu colega de equipe Jorge Lorenzo, que ainda não está em processo de adaptação com a moto, mas Cal Crutchlow do satélite LCR anda muito perto. Nos boxes da MotoGP existe a convicção de que o bom piloto necessita de um bom equipamento para obter vitórias, na Honda esta premissa é mais elástica, a capacidade de Marc Márquez continua uma certeza, o desenvolvimento da tecnologia da Honda é que precisa acompanhar o piloto.

No primeiro domingo de maio começa a temporada europeia da MotoGP, para muitos o início real da competição. Entre 05/05 e 07/07 serão realizadas provas em Jerez, Le Mans, Mugello, Barcelona, Assen e Sachsenring antes da parada de meio de ano. A sequência de provas em circuitos conhecidos e tradicionais costuma ser uma orientação sobre os destinos no mundial. Em 2018 Márquez venceu na Espanha, França, Holanda e Alemanha, Lorenzo obteve as suas duas vitórias com a Ducati na Itália e Catalunha. No início das férias de verão (europeu) do ano passado Márquez tinha uma vantagem de 46 pontos sobre o segundo colocado (Rossi) e o título do ano encaminhado.

A prova de Jerez é também uma oportunidade para o atual campeão do mundo igualar o número de poles na categoria principal com Valentino Rossi. Lembrando que o atual sistema de determinar as posições de largada foi introduzido em 1974, os registros oficiais indicam que o espanhol é o recordista de poles em todas as classes, largou na primeira posição em 82 oportunidades, seguido de Lorenzo em 69 vezes e Rossi em 65. Considerando apenas a principal categoria, 500cc & MotoGP, o recorde é de Mick Doohan com 58 poles, seguido por Valentino Rossi com 55 e Marc Márquez com 54. Ao analisar estes números é importante considerar que Valentino Rossi está em sua 24ª temporada e já participou de 386 GPs, 326 na classe principal, Marc Márquez está em sua 11ª temporada, tem 189 largadas, 111 na MotoGP.

Carlos Alberto Goldani
Porto Alegre – RS

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