MotoGP – Misano 2018

Romano Fenati

Colaboração: Carlos Alberto Goldani

Foi quase o fim de semana dos sonhos dos torcedores italianos. Vitória nas três competições, Lorenzo Dalla Porta na Moto3, Francesco Bagnaia na Moto2 e a cereja do bolo, Andrea Dovizioso com uma moto italiana na MotoGP. A festa dos “tifosi” só não atingiu o Nirvana (contexto budista, não a banda) por alguns pequenos detalhes, a queda de Lorenzo faltando menos de duas voltas evitou mais uma dobradinha da Ducati e o ídolo local, Valentino Rossi, conseguiu apenas a sétima colocação.

Depois de uma temporada fantástica em 2016 quando nove pilotos ocuparam o lugar mais alto do pódio da categoria principal, 2018 mostra uma acentuada tendência a voltar aos tempos onde só duas equipes monopolizavam as vitórias. Entre 2012 e 2015 todas as provas tiveram um dos pilotos oficiais da Yamaha ou Honda em primeiro lugar. Este ano, excetuando a segunda etapa em Rio Hondo, todas as outras foram vencidas por Andrea Dovizioso e Jorge Lorenzo da Ducati, ou Marc Márquez da Honda. Vale lembrar que a única exceção, Cal Crutchlow que venceu na Argentina, é bancado pela Honda e compete com uma moto que a fábrica nipônica considera no estado da arte, não pode ser rotulado como piloto de uma equipe independente como acontece com Johann Zarco, que utiliza um equipamento Yamaha desatualizado.

A prova da MotoGP em Misano foi sem emoção, quase previsível. A algum tempo existe o consenso que a Ducati está desenvolvendo um ótimo trabalho e a Desmosedici GP18 é no momento a melhor máquina do grid, eficiente nas frenagens, veloz nas curvas e com ótima retomada de velocidade. A supremacia da Ducati não se reflete na classificação do Mundial porque seus pilotos tiveram um péssimo início de temporada e a Honda tem Marc Márquez, um piloto diferenciado que consegue andar muito próximo do limite da RC213V.

Faltando ainda seis etapas, o título do mundial da MotoGP já está muito próximo do atual campeão. Com um máximo possível de 150 pontos em disputa, ele acumula 67 de vantagem, ou seja, garante o seu sétimo mundial, o quinto na principal categoria, se manter uma média de 14 pontos nas provas restantes. Considerando que conquistou 9 pódios nas 13 provas realizadas, esta situação é muito confortável para o espanhol de apenas 25 anos. Há um movimento incipiente na mídia italiana digital e impressa para que a Ducati aposte desde já todas as fichas em Andrea Dovizioso, seu piloto melhor classificado na contagem de pontos, utilizando inclusive o “Sugested Mapping: Mapping 8” se Jorge Lorenzo estiver melhor colocado em alguma prova.

Com a corrida principal sem maiores atrativos, o foco da cobertura da imprensa do GP de San Marino em Misano foi deslocado para o comportamento irresponsável de um piloto na Moto2. Romano Fenati, italiano de 22 anos que estreou na Moto3 em 2012 e foi promovido para a Moto2 este ano, protagonizou um incidente grave na pista e foi penalizado com a bandeira preta.

Não foi a primeira vez que Fenati esteve no centro das atenções por razões erradas. Um vídeo postado pela BT Sports em seu Twitter no próprio domingo lembra exemplos de seu comportamento imprudente nas pistas. Recupera uma imagem onde ele fez o impensável, em plena disputa chutou a moto de outro competidor. O italiano é conhecido por discutir com os outros pilotos e pode ser visto desligando a moto de um rival quando ambos estavam alinhados para um ensaio de largada. Fenati também é agressivo e desrespeitoso com seus concorrentes, de modo verbal ou via redes sociais e assumia com orgulho a imagem de um Bad Boy. Em 2016 foi desligado da equipe VR46 de Moto3 no meio da temporada, na época Valentino Rossi afirmou que desistiu do piloto após seguidos casos de indisciplina.

Antes do incidente na pista em Misano houve uma intensa disputa com Stefano Manzi por posições intermediarias, que em determinado momento acabou com os dois na caixa de brita. O fato enfureceu o piloto e o levou a uma reação irresponsável e perigosa, em plena reta com o acelerador a pleno, Fenati emparelhou a sua moto com a do concorrente e acionou o seu freio, uma manobra cujos resultados eram imprevisíveis. Os comissários o afastaram da prova com uma bandeira preta. Depois da corrida ainda recebeu a mais alta penalidade prevista nos regulamentos, ausência do grid nas duas próximas etapas. Nos desdobramentos da manobra desastrada ele foi ainda demitido da sua equipe, em respeito aos patrocinadores. Um contrato já assinado para 2019, Ironicamente com a equipe de Manzi, também foi cancelado.

Quando o fato foi citado na conferência de imprensa depois do GP, Dovizioso e Márquez optaram pela diplomacia, reconheceram a gravidade da ocorrência e recomendaram punição rigorosa. Cal Crutchlow, talvez a voz mais autêntica entre os pilotos foi radical, indicou que a única medida correta é banir definitivamente o piloto, ninguém por motivo algum pode deliberadamente pôr a vida de um colega em risco. Segundo o britânico, competições com equipamentos potentes e pesados já são perigosas o suficiente.

Carlos Alberto Goldani
Porto Alegre – RS

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