MotoGP – As duas faces da exclusividade

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Ser o fornecedor exclusivo de um componente para a categoria máxima do motociclismo no mais antigo campeonato do mundo de desportos motorizados é, ao mesmo tempo, um privilégio e uma enorme responsabilidade. Ser o único fornecedor de um equipamento tão essencial como os pneus é uma responsabilidade duplicada.

Fornecedor exclusivo para o Mundial de MotoGP é uma oportunidade única para a exposição de uma marca, ser associado aos equipamentos mais sofisticados já produzidos pela tecnologia aplicada em duas rodas e aos nomes mais famosos do motociclismo. A marca e logotipo são exibidos para milhões de fãs de corridas e entusiastas da motovelocidade a cada grande prêmio, aparece em fotos de jornais e revistas que cobrem a MotoGP e em milhares de polegadas em colunas de sites. Pagar a mesma exposição – um conceito conhecido como valor publicitário equivalente – custaria uma fortuna.

Existe o reverso da medalha. É extremamente raro ouvir pilotos elogiar os pneus espontaneamente. Os méritos da Bridgestone só foram reconhecidos quando o fabricante anunciou que estava se retirando do papel do fornecedor oficial, Marc Márquez reconheceu que muito do seu estilo agressivo de pilotagem só foi possível pela extraordinária aderência do pneu dianteiro da fabricante japonesa. A crítica, em contrapartida, é imediata: pneus que não aquecem o suficiente, desgastam muito rápido ou não tem a aderência adequada são explicações frequentes para insucessos na pista. Se houver uma falha catastrófica ou acontecer algo terrivelmente errado, a cobertura negativa da mídia é implacável. Na indústria de pneus, a exclusividade no fornecimento em uma categoria tão importante quanto a MotoGP coloca seus relações públicas em plantão permanente.

Esta foi a situação enfrentada pela Michelin no segundo dia de testes em Sepang. O único piloto que está debutando na MotoGP este ano, Loris Baz, estava com o acelerador a pleno em sua Ducati GP14.2 Avintia a dois terços da reta em frente aos boxes quando o pneu traseiro simplesmente explodiu. O piloto foi ejetado da moto a mais de 290 km/h e apenas luxou o cotovelo. O treino foi interrompido, o fabricante imediatamente retirou os componentes mais macios para a sessão de treinos e enfatizou a necessidade de respeitar os limites de pressão recomendados.

A Dorna utiliza apenas um par de câmeras nos testes de Sepang, entretanto o incidente foi capturado por uma das câmeras de segurança do circuito que cobre a reta principal.

Carlos Alberto Goldani
Porto Alegre – RS

AS - www.autoracing.com.br

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