Memória afetiva

GP do Brasil 2014

Por: Fernanda de Lima

Esse foi mais um ano que deu o que falar na F1. Um ano, sobretudo, de reclamações. Mas, convenhamos, um ano bem parecido com todos os outros, e possivelmente com os próximos. Quem não está na frente vai reclamar, torcedores, imprensa também vão reclamar, vão dizer que a F1 não é mais a mesma e blá blá blá. As pessoas sempre vão encontrar algo para baterem incessantemente na tecla. Eu mesma, ano passado, quase não parei de reclamar dos pneus da Pirelli.

Mas sabe que esse ano quase não tenho reclamações?! Aliás, eu realmente não teria nenhuma não fosse algo que notei em Interlagos.

Quando eu olhar para trás e relembrar a temporada 2014 de F1, só terei uma reclamação a fazer: os tais dos motores V6. Em algum ponto eu já tinha notado a diferença. É claro que pela tevê, pelos vídeos da internet, as diferenças dos sons dos V8, V10 para os V6 são nítidas. Mas ao vivo, in loco ou da minha casa a alguns consideráveis quilômetros do autódromo, ela é absurda!

Eu contei aqui em uma das colunas que morei a algumas ruas do autódromo até os 15 anos. Estudei ali no bairro também, num colégio que existe até hoje em frente ao portão G. Todos os anos éramos dispensados na sexta-feira por conta dos treinos, e muito mais pelo barulho ensurdecedor dos motores do que pela muvuca criada no entorno. E todas as vezes que eu me pendurava naquela janela para ver uma pontinha daqueles carros, tenho certeza que era aquele zunido que me atraía.
Depois dos 15, eu me mudei para um lugar a alguns bons quilômetros de lá, no entanto, todos os anos eu ainda conseguia ouvir o ronco dos motores. Por inúmeras vezes, coloquei a tevê no mudo para ouvir só o que realmente importava.

Esse ano não fui à primeira parte dos treinos livres de sexta. Eu estava em casa e não consegui ouvir o barulho dos motores. Eu reparei que não ouvia mas não parei realmente pra pensar naquilo. Mas quando cheguei ao autódromo, que passei pelas ruas em que escrevi minhas primeiras histórias, passei em frente ao colégio, pelos portões do autódromo e ouvi os sons dos motores V6 NÃO ecoarem em Interlagos… foi como se tivessem se livrado de um pedacinho da minha infância.

Eu não sou o tipo que acha que a F1 precisa se reinventar. Eu gosto dela como está… Mas essa realmente doeu.

Fernanda de Lima

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