Lito Cavalcanti: Vettel se despede do Oriente com vitória absoluta

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Formula 1 - GP do Bahrain 2013

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Agora a F1 volta à Europa, onde tudo pode mudar

Um doce para quem responder primeiro e melhor: o que faz um carro de Fórmula 1 atual ser bom? Velocidade pura? Errado. Beleza? Mais errado ainda. Consumo de combustível? Mais ou menos, mas ainda não é isso. O que será?

Acertou quem disse baixo consumo de pneus. Não há argumento contra: todas corridas deste ano foram decididas por este fator: o Grande Prêmio do Bahrain, no último domingo, não foi diferente. Sebastian Vettel correu livre na frente e se tornou o primeiro a vencer duas vezes neste ainda curto 2013.

Aliás, Vettel ganhou esta última como Fernando Alonso ganhou a penúltima, na China. Um ataque fortíssimo nos primeiros movimentos lhe permitiu se despedir do pelotão e se isolar das fortes disputas que se desenrolavam mais atrás. Bem atrás.

Sim, foi uma corrida interessante aquela pelas posições subsequentes. Paul di Resta com uma Force India incrivelmente eficiente; Romain Grosjean vindo do 11º lugar para o pódio. Pódio este que, aliás, repetiu com exatidão o de 2012: Vettel no degrau mais alto, Raikkonen no segundo e Grosjean no outro.

Di Resta e Grosjean, por sinal, foram algumas das poucas certezas extraídas do GP do Bahrain: a primeira é de que quando derem ao escocês um carro melhor, por pouco que seja, e adotarem estratégias menos conservadoras do que a deste domingo, ele terá ótimas chances de chegar ao pódio.

A segunda, de que Grosjean compensou a aposta nele feita pelo patrão Eric Bouiller com um amadurecimento tardio mas valioso. Sua ousadia é a mesma, a tendência de se envolver em acidentes já é coisa do passado. Para ganhar posições, ele teve de assumir riscos, mas nada tão desproporcional como nos anos anteriores. O prêmio foi o terceiro lugar e a consolidação da Lotus em segundo no Mundial de Construtores, a apenas 17 pontos da Red Bull.

Foram de fato poucas as certezas que ficaram após esta bela corrida. Talvez haja ainda a de que, após as 56 voltas que deram a Vettel sua 28ª vitória, não se ouvirão mais com tanta frequência os lamentos e queixumes de Christian Horner, o chefe da Red Bull, contra os pneus que a Pirelli desenvolveu para esta temporada.

Chegava às raias do insuportável a cantilena da Red Bull contra os pneus. A cada 10 frases, Horner e Mark Webber pediam mudanças nos compostos e/ou na construção. Tudo porque seus carros andavam largando fora da primeira fila com mais frequência do que se espera de carros desenhados por Adrian Newey. Pior ainda nos GPs, como no da China, onde Vettel fez uma corrida “estratégica”, economizando a borracha para fazer uma parada a menos. E ainda assim foi um discreto quarto colocado.

Nem precisa dizer que, pelo menos até o primeiro treino do GP da Espanha, o pessoal da Pirelli poderá desfrutar de alguns momentos de paz. A menos que os outros chefes de equipe, que até agora vinham reagindo às críticas de Horner com ar de deboche, mudem de opinião e passem a repetir as críticas que até agora eram exclusivas da Red Bull. Na verdade, não duvido nada que isso venha a acontecer, mas só se Vettel, ou Webber, repetir na Espanha a vitória esmagadora do Bahrein.

Ou será que todo o sucesso de Vettel no domingo, que não foi compartilhado pelo companheiro/inimigo Mark Webber, foi produto de características nem sempre presentes em outros circuitos? Como o tipo de asfalto, o traçado atípico, a temperatura em queda gradativa, as inovações presentes em seu carro (e ausentes no do australiano)?

Só teremos esta resposta na fase europeia, onde carros, pilotos, equipes e pneus encontrarão temperaturas bem mais amenas, provavelmente frias. Se isso de fato ocorrer, como reagirão os Red Bull? Os de Adrian Newey, sabe-se, nunca estão prontos. Em constante evolução, eles apresentam inovações de corrida a corrida, sempre com melhor desempenho.

Seja como for, não se deve esperar outra corrida tão curta como foi a deste domingo para Vettel: apenas três voltas. Sim, foi o que bastou para ele ultrapassar Alonso e Rosberg, repetindo a estratégia de se colocar a salvo da abertura das asas móveis antes da terceira volta, quando é permitido seu acionamento.

Não se deve, porém, esperar a repetição dos problemas que alijaram as Ferrari da luta. Não que Alonso ou Massa mostrassem condições de superar Vettel em disputa direta, mas em condições normais eles provavelmente teriam dificultado, um pouco só que fosse, o passeio de Vettel rumo à bandeirada.

Isso se pode deduzir da belíssima recuperação do espanhol, mesmo sem poder abrir seu aerofólio traseiro para viabilizar as ultrapassagens. Ainda assim, conseguiu se recuperar do 19º lugar para onde caiu após as duas primeiras paradas até um honroso oitavo lugar ao final.

Já Massa teve a tática de largar com pneus duros arruinada pelos furos sofridos no traseiro direito. A parada na 11ª volta arrasou a expectativa de ganho de posições quando os adversários fizessem a primeira troca. O segundo furo continua sem explicação.

Também não se explicou por que nem ele nem Alonso ganharam posições na largada, como é o hábito. Hoje não é mais o piloto, mas os sistemas eletrônicos que ditam a eficiência das largadas. A Scuderia Rossa é a equipe que melhor as executa, mas elas dependem de várias regulagens feitas antes e durante a volta de apresentação.

Não são só as dificuldades de Massa com os pneus que geram dúvidas e incertezas. A Pirelli admite desconhecer o que aconteceu com o traseiro esquerdo de Lewis Hamilton, que causou a quebra da suspensão e da caixa de marchas, que teve de ser trocada antes do prazo mínimo de cinco corridas.

Como prevê o regulamento nestes casos, o inglês foi removido de quarto para nono no grid. Como terminou a prova em quinto, é inegável que a vida de Vettel foi muito facilitada pela sorte. De qualquer maneira, Hamilton mostrou enorme vantagem sobre Nico Rosberg, que largou em primeiro e chegou em nono. Sem dúvida, o inglês merece ser observado de perto neste ano.

Quem também merecerá atenção em Barcelona é a McLaren, por dois motivos: primeiro, a estreia de um pacote aerodinâmico destinado a dar fim à torturante falta de tração do novo MP4-28; segundo, a enorme tensão entre Jenson Button e Sérgio Perez, responsabilidade inquestionável do chefe da equipe Martin Whitmarsh.

Após o GP da China, Whitmarsh criticou Perez via imprensa, disse que faltava agressividade ao mexicano. Foi o que bastou para disparar o temperamento do presunçoso Perez, que entrou na pista disposto a mostrar toda sua qualidade. E se sua corrida não foi a mais inteligente, não deixou de ser impressionante.

Foi ele uma das principais atrações do GP do Bahrein. Fez uma corrida repleta de ultrapassagens, correu riscos mas também conquistou admiração. Chegou em sexto, quatro colocações à frente de Button, em quem desferiu ferozes batidas de roda a 300 quilômetros por hora. Não contente, ainda o empurrou para fora da pista e, no momento de tensão máxima, chegou a bater, ainda que de leve, em sua roda traseira direita durante uma perigosa disputa de posições.

Depois da corrida, Perez recebeu críticas pesadas da equipe e de Button, deste também via imprensa, mas não abaixou a crista. E agora que já sabe que pode superar o companheiro, vai ser difícil convencê-lo a ser menos agressivo. O veterano inglês, por seu lado, reagiu como nunca antes: Button foi visto travando rodas nas freadas, uma cena rara em sua longa carreira. Pode ser, porém, que esta cena venha a se tornar mais comum.

Por tudo isso, e apesar da superioridade de Vettel, o GP do Bahrein foi uma bela corrida. Vale ressaltar que só foi assim porque os pneus que a Pirelli levou para o Bahrein cumpriram amplamente a meta de provocar alternativas imprevisíveis como as vistas no circuito de Sakhir.

Resta torcer para que em Barcelona, palco de corridas bem menos atraentes, as emoções voltem a dizer presente. Mesmo que para isso a Red Bull volte a reclamar dos pneus, do tempo, do asfalto, dos adversários…

Lito Cavalcanti

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