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Ayrton
Senna
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Nacionalidade:
Brasileira
Nascido em: 21 de março de 1960
Morto em: 1o de maio de 1994
os números:
161 GPs disputados
3 títulos mundiais (88, 90 e 91) 614 pontos
41 vitórias
65 pole-positions
80 pódiuns
19
melhores voltas
87 primeiras filas
Percorreu
8219 voltas, liderando 2987
Percorreu 37940, liderando 13679
Existe
uma piada mais ou menos assim: É o ano 2037. Um certo piloto que
correu na Fórmula 1 no final dos anos 80 falece. De boa índole,
generoso, afável, morreu - como se costuma dizer - de velhice e,
diante de tanta bondade, foi em vôo sem escalas para o paraíso.
São Pedro recebe de braços abertos o novo morador e diz-lhe que
ele podia até escolher como passar o resto da eternidade. Como não
havia obtido lá muito sucesso nas pistas do andar de baixo, o velho
piloto não titubeia: diz que quer disputar uma corrida a cada dia
e, é claro, vencer! São Pedro rapidamente providencia carro, macacão,
capacete, balaclava, e leva o piloto ao autódromo do paraíso. Já
na pista, o desejo vai-se tornando real. Ultrapassagens homéricas,
adversários sendo um a um derrotados. Todos haviam sido deixados
para trás, e já era a última volta. Mas eis que, dando como certa
a primeira vitória, o tal piloto sente um frio na barriga ao olhar
o retrovisor, e avistar um capacete amarelo. A cada curva a diferença
diminui. E na reta de chegada, antes que pudesse ter seu desejo
realizado, o dono do capacete amarelo faz uma ultrapassagem arriscadíssima,
tomando a vitória. Indignado, o piloto joga o capacete ao chão e
vai até São Pedro (que descaradamente entregava o troféu ao vencedor):
"São Pedro! Como você me faz isso? Por que não me avisou que o Senna
estava aqui?" E São Pedro: "Filho, esse aí não é quem você está
pensando. Esse aí é Deus, mas não espalhe... há dias em que ele
pensa que é Senna!"

Ayrton era um talento natural, que venceu inúmeras corridas de kart,
desde que começou a competir aos 13 anos. Campeão brasileiro e sul-americano
da categoria, Senna levou apenas três corridas para conhecer a vitória
na Fórmula Ford 1600, em 1981, já correndo na Grã-Bretanha. Ao vencer
os títulos da Fórmula Ford 2000 Inglesa e Européia em 1982, estavam
abertas as oportunidades para vôos mais altos. Em 1983, após quebrar
os recordes então vigentes na categoria, Senna derrota Martin Brundle
e se sagra campeão da Fórmula 3, o que lhe garantiu testes na Williams
e McLaren. Os dirigentes de ambas as equipes se impressionaram com
o jovem brasileiro, mas a vaga em um time de ponta não veio, deixando
a Ayrton como única opção o assento da pequena Toleman.
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Ayrton
Senna - Toleman Hart 1984
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Na Toleman,
Ayrton faria sua estréia no GP do Brasil de 84, um debut difícil,
considerando-se o 17o posto no grid e o abandono após apenas 8 voltas,
com problemas na pressão do turbo. No GP seguinte, na África do
Sul, viria o primeiro ponto. Após as frustrações em Zolder, Ímola
(onde sequer conseguiu se classificar) e Dijon-Prenois, Senna subiu
ao pódium pela primeira vez, com o segundo lugar no GP de Mônaco,
vencido por Prost após uma decisão controvertida da direção da prova.
Junto com Stefan Bellof, Ayrton lançaria nas ruas do principado
aquilo que seria sua marca registrada: atuações fantásticas sob
chuva. Senna ainda conquistaria dois outros pódiuns, em Brands Hatch
e no Estoril, e teria boas participações nos treinos qualificatórios
(Ayrton conseguiu a façanha de classificar a Toleman por sete vezes
entre os top-10, incluindo o surpreendente 3o lugar no grid do GP
de Portugal). O nono lugar no campeonato de 1984 (o último vencido
por Lauda), com 13 pontos, garantiria a Senna a passagem para o
Team Lotus, em 1985.
A estréia no novo time foi frustrante, com problemas mecânicos atormentando
o brasileiro, exatamente quando corria em casa. Mas após o desapontamento
com o GP do Brasil, a primeira vitória não tardaria. Em 21 de abril
de 1985, sob chuva torrencial, Ayrton subiria ao topo do pódium
pela primeira vez. Senna largou na pole, com Prost ao seu lado (cena
que tantas vezes se repetiria nos anos seguintes), seguidos de Keke
Rosberg, Elio de Angelis, Michele Alboreto e Derek Warwick fechando
os top-6. Valendo-se de sua habilidade na pista úmida e da vantagem
de não pilotar sob o spray, Senna foi abrindo vantagem. Eram 12
segundos, após 10 voltas. Ao final das 67 voltas (o total previsto
era de 69 voltas, mas o limite de 2 horas havia sido ultrapassado),
a margem de vitória chegou a incríveis 62 segundos. Era como se
Senna estivesse numa categoria à parte, eclipsando completamente
os demais pilotos. Lamentavelmente, problemas mecânicos e de combustível,
bem como acidentes (dois), tirariam Ayrton das 7 provas seguintes!
A recuperação viria com os pódiuns nos GPs da Áustria, da Holanda
e da Itália, e com outra vitória consagradora, em Spa-Francorchamps,
novamente no molhado. Senna encerraria o ano com outro pódium, em
Brands Hatch, e dois motores estourados, em Kyalami e Adelaide.
Senna ficaria em 4o lugar no campeonato de pilotos, com 38 pontos,
num ano em que Prost foi o campeão absoluto.
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Ayrton
Senna - Lotus Renault 1985
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Em 1986, Senna marcaria a primeira pole da temporada, no GP do Brasil
(a sétima da carreira). Ao final, chegaria em segundo, atrás de
Nélson Piquet. 8 poles, repetindo-se a façanha da dobradinha de
Pace e Fittipaldi no GP do Brasil de 1974. A Lotus, com motor Renault,
conseguia ser rápida, mas devia bastante às Williams de Piquet e
Mansell, além de consumir muito combustível. A disputa interna na
equipe de Frank Williams, no entanto, deixava o flanco aberto para
os adversários, do que se aproveitou Alain Prost para conquistar
o bi-campeonato a bordo de uma McLaren reconhecidamente mais fraca.
Senna poderia ter sido o piloto a tirar partido da disputa Piquet-Mansell,
não fosse a baixa confiabilidade da Lotus-Renault, que deixou Ayrton
a pé em 5 oportunidades (em San Marino, na Inglaterra, Áustria,
Monza e Austrália). Senna abandonaria ainda o GP da França, por
acidente, mas venceria na Espanha e em Detroit, além de conquistar
pódiuns em Mônaco, Spa, Hungaroring e México e ficar em quinto no
Canadá.
1987 marcaria o início de uma das mais bem sucedidas parcerias da
história da Fórmula 1, com os motores japoneses Honda equipando
o Lotus 99T, que seria pilotado por Ayrton Senna. A fábrica nipônica,
entretanto, também equipava os carros da Williams, reconhecidamente
melhores. Aliás, a superioridade das Williams era tão flagrante
que em três GPs no ano de 1987 apenas os seus dois carros terminaram
na mesma volta. A disputa do título ficaria, portanto, praticamente
limitada a Piquet e Mansell, com a astúcia de Nélson prevalecendo
sobre o arrojo do "Leão". O início do campeonato esteve longe de
ser perfeito para Ayrton, que abandonou o GP do Brasil com o motor
estourado, após largar em terceiro. Mas apesar da superioridade
do equipamento adversário, o carro se mostraria bem mais confiável
do que a Lotus 98T, do ano passado. O abandono de Ayrton no Brasil
seria o único (de um total de três) relacionado a problemas mecânicos.
Senna somaria duas vitórias, nas pistas travadas de Mônaco e Detroit,
e outros cinco pódiuns (Inglaterra, Alemanha, Hungria, Itália e
Japão) ao seu cartel. Assim, encerraria o ano em terceiro lugar,
com 57 pontos, atrás dos dois pilotos da Williams. No ano seguinte,
deixando a Lotus e migrando para a McLaren junto com seus parceiros
da Honda, Senna prepararia o terreno para o tão almejado título
mundial.
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Ayrton
Senna - Lotus Honda 1987
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A equipe McLaren disputaria um campeonato à parte no ano de 1988.
A combinação de um carro extremamente equilibrado, com o motor Honda
faziam do McLaren MP4/4 uma máquina fortíssima. Colocar ao seu volante
dois pilotos do quilate de Prost e Senna, então, significaria pulverizar
as chances das concorrentes. De fato, ao final do ano, a McLaren
venceria 15 das 16 corridas disputadas, marcaria 15 poles, faria
10 dobradinhas e venceria o campeonato de pilotos com Senna, tendo
Prost como vice. Arrasaria as demais equipes, ao vencer o campeonato
de construtores com 199 pontos, nada menos que 134 pontos à frente
da Ferrari.
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Ayrton
Senna - McLaren Honda 1988
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As dificuldades,
porém, continuaram para Senna no GP do Brasil, do qual foi desclassificado.
A recuperação viria em San Marino, com a primeira vitória da temporada.
Em Mônaco, a batida próximo à entrada do túnel, tiraria de Ayrton
uma corrida ganha. Com a vitória de Prost no GP do México, as chances
de vencer o campeonato pareciam diminuir cada vez mais para o brasileiro.
Duas vitórias, no Canadá e em Detroit (ruas que Senna dominou tão
bem quanto as de Monte Carlo) recolocaram Ayrton na disputa. Naquela
altura do campeonato, Senna já dava indicações de que iria superar
o recorde de poles, então nas mãos de Jim Clark, ao largar 6 veze
em primeiro em 6 etapas. O GP da França seria dominado por Prost,
que venceu partindo do primeiro posto do grid (apenas em Portugal
o francês voltaria a superar Senna nos treinos qualificatórios).
Senna responderia com vitórias na Inglaterra, Alemanha, Hungria
e Bélgica. O GP italiano trouxe algum consolo à Ferrari, com a dobradinha
Berger-Alboreto e o abandono de ambos os pilotos da McLaren. Naquele
momento, tudo dava a entender que o campeonato iria tranqüilamente
para as mãos de Ayrton, mas duas vitórias de Alain Prost, no Estoril
e em Jerez colocaram toda a pressão sobre os ombros do brasileiro.
Graças ao critério de pontuação, através do qual eram descartados
os 5 piores resultados, Senna precisava de uma vitória, mas esta
teimava em não vir...
Enfim, no GP do Japão, na casa da Honda, ela veio: dramática, emocionante.
Os dois pilotos se classificaram lado a lado na primeira fila, com
Senna mais uma vez ocupando a pole-position. O carro do brasileiro,
no entanto, estancou. Senna foi superado por mais da metade do grid,
até conseguir que o carro funcionasse, valendo-se do ligeiro declive
da pista. Após a primeira curva, Senna era o 13o. Na primeira volta,
fez cinco ultrapassagens. Na segunda volta, deixou para trás a Williams
de Patrese e a Benetton de Nanini. Na volta seguinte, seria a vez
de Boutsen, na outra Benetton. A Ferrari de Alboreto seria superada
na volta de número 4, mas apenas na 11a volta é que Senna conseguiria
ultrapassar a outra Ferrari, de Gerhard Berger. Ivan Capelli, com
uma surpreendente Leyton House, manteve-se à frente de Senna até
a volta de número 20, mas abandonaria com problemas de motor. Prost
era o próximo, 11 segundos à frente. Mas Alain não era qualquer
piloto, e sim um bi-campeão mundial, e pilotava o mesmo carro! Cinco
voltas depois, a diferença já era inferior a três segundos, graças
à ajuda de uma chuva leve. Quando esta parou, Prost voltou a seu
ritmo e conseguiu manter a diferença estável. Na volta 27, porém,
o francês perdeu tempo com um retardatário. Senna aproximou-se e
fez a manobra de ultrapassagem. Valendo-se dos retardatários, o
brasileiro viria a abrir 5 segundos de vantagem, apenas para ver
a diferença cair para 1,5s pouco depois. A chuva voltou a ajudar,
e Senna voltaria a aumentar sua vantagem para Prost, vencendo por
13s e conquistando o primeiro de seus títulos mundiais em grande
estilo. Senna encerraria a temporada com um 2o lugar na Austrália,
completando o ano com 13 poles e 8 vitórias.
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Ayrton
Senna - Suzuka 1988
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A temporada de 1989 começou com uma surpreendente vitória de Mansell,
com a Ferrari, no GP do Brasil. Entretanto, como no ano anterior,
o campeonato seria marcado por uma ampla superioridade da McLaren,
com Senna e Prost duelando pelo título. O dado novo, no entanto, ficou
por conta da completa deterioração do relacionamento entre os dois
campeões mundiais, com uma verdadeira guerra sendo travada dentro
e fora das pistas.
Após a vitória de Mansell, Senna dispararia no campeonato ao vencer
em Ímola, Monte Carlo e México. Prost responderia em Phoenix. No Canadá,
um duplo abandono da McLaren deu a Thierry Boutsen a oportunidade
de vencer pela primeira vez, com sua Williams. Após 4 abandonos consecutivos
(3 quebras e uma rodada) e vitórias de Prost na França e Inglaterra,
Senna venceria na Alemanha e chegaria em 2o na Hungria, atrás de Mansell.
Prost responderia de imediato, vencendo em Monza e secundando Berger,
no GP de Portugal, enquanto Senna colecionava outros dois abandonos
(uma quebra e um acidente). Daí em diante, apenas vencer interessava
a Senna. O brasileiro venceria o GP da Espanha, mantendo acesas suas
chances. O próximo GP seria no Japão.
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Ayrton
Senna - Jacarepaguá 1989
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Uma multidão foi
assistir ao penúltimo GP dos anos 80, esperando mais uma vez presenciar
a uma fantástica disputa entre Senna e Prost. Senna, como de costume,
marcaria a pole-position (o recorde de Clark já havia caído), mas
Prost largou melhor. A configuração dos carros era diferente, com
Prost optando por ter um carro mais rápido nas retas, enquanto Senna
era mais veloz nas curvas. Prost conseguiu abrir vantagem, apenas
para assistir a recuperação de Senna. Por seis voltas, os pilotos
da McLaren andaram colados, até que, na 47a volta, Senna pôs o carro
de lado e mergulhou em direção à chicane. Naquela fração de segundo,
Prost teria de tomar a decisão: recolher, e possivelmente assistir
a mais uma vitória de Senna ou fechar a porta. O francês ficou com
a Segunda opção. A controvérsia fica por conta do fato de que, de
acordo com fotos (como a mostrada ao lado) e a tomada aérea, Prost
girou o volante antes do que seria necessário para fazer a curva.
Quando tudo parecia decidido e Prost já havia abandonado o carro,
eis que um Senna desesperado gesticula para que seu carro seja empurrado
de volta à pista. Após voltar aos boxes e trocar o bico de sua McLaren,
Senna iniciou outra fantástica corrida de recuperação em Suzuka. Rapidamente,
Ayrton tiraria a vantagem para a Benetton de Nanini e ultrapassaria
o italiano na volta 50. Surpreendentemente, no entanto, o brasileiro
seria barrado na ida ao pódium. Por decisão dos comissários, a "manobra"
de Senna após o acidente com Prost havia sido considerada ilegal,
pois a chicane teria sido cortada. A McLaren apelou da controvertida
decisão, mas o apelo foi negado. Sob acusações de Senna de ter sido
favorecido pelo então presidente da FISA, o francês Jean-Marie Balestre,
Prost conquistava seu terceiro título mundial. O encerramento da temporada,
mais uma vez na Austrália, terminou marcado por um verdadeiro dilúvio,
que levou Prost à decisão de não correr, e provocou múltiplos acidentes,
inclusive envolvendo Senna. Ao final de uma prova extremamente confusa,
Boutsen receberia a bandeira quadriculada como vencedor. Senna terminaria
o ano como vice-campeão, conquistando 13 poles e 6 vitórias.
Em 1990, Prost migrou para a Ferrari. O carro da equipe italiana evoluíra
bastante, e o time de pilotos (Alain Prost e Nigel Mansell) certamente
punha o cavalino em condições de enfrentar Senna e a McLaren.
A abertura do campeonato se deu em Phoenix, com vitória de Senna,
após um belo confronto com um surpreendente Jean Alesi, na Tyrrel.
Prost venceu o GP do Brasil, enquanto Senna chegaria apenas em terceiro.
Patrese sairia vencedor do GP de San Marino, indicando o potencial
da Williams para a temporada seguinte. Senna venceria em Mônaco e
no Canadá, mas Prost responderia com vitórias no México, França e
Inglaterra. Até o GP do Japão, Senna conquistaria outras três vitórias
(Alemanha, Bélgica e Itália) contra uma de Prost (Espanha). Boutsen
havia vencido o GP da Hungria, e Mansell chegou em 1o em Portugal.
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Ayrton
Senna - McLaren Honda 1990
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No Japão, Senna e Prost ocupariam a primeira fila. A rivalidade
entre os dois permanecia extremamente acirrada e Senna continuava
a polemizar com Balestre. Como o pole-position largaria do lado
sujo da pista, o que dava uma óbvia vantagem ao segundo lugar no
grid, o piloto brasileiro e sua equipe solicitaram a troca de posições
entre as fileiras. O pedido não foi atendido. O resultado é conhecido
de todos: Prost aproveita a vantagem e pula à frente. Senna divide
a primeira curva com o piloto ferrarista, se nega a recolher e tira
o rival da pista. A controvertida manobra de Senna punha um ponto
final na disputa pelo título de 1990. O brasileiro se sagrava bi-campeão,
enquanto assistia a dobradinha dos brasileiros da Benetton, com
Piquet em 1o e Moreno em 2o (Piquet ainda repetiria o feito no último
GP da temporada, na Austrália, em que Senna abandonou). Os anos
90 começavam, assim, com Senna tornando-se bi-campeão e acrescentando
10 poles e 6 vitórias ao currículo.
Em 1991, Prost não representaria ameaça para Senna, uma vez que
sua Ferrari mostrou-se um carro ruim e inconsistente (os melhores
resultados do francês seriam meros segundos lugares nos EUA, França
e Espanha). Mas nem por isso o campeonato seria tranqüilo para Ayrton.
Confirmando a promessa do ano anterior, a Williams evoluíra bastante.
Além disso, o velho Frank teria Nigel Mansell de volta, para pilotar
o FW14.
O início de temporada dava a entender que Senna dominaria como nunca,
com vitórias nos EUA, Brasil, San Marino e Mônaco, com destaque
para a primeira vitória de Ayrton em seu País. Esta viria a ser
a vitória de número 28 deste grande piloto, e talvez a mais sofrida.
Senna conquistou a pole, mas foi sempre perseguido por Mansell.
O Leão teria problemas nos boxes, mas voltaria ao ataque. Para a
sorte de Senna, Mansell ganharia um pneu furado e ainda quebraria
o câmbio semi-automático da Williams, o que o fez rodar. Mas o que
parecia ser o fim dos problemas de Senna foi apenas o início de
um pesadelo doloroso. Senna já não conseguia manter-se em quarta
marcha há várias voltas, mas uma a uma as demais marchas foram se
perdendo, até sobrar apenas a sexta. O tempo das voltas de Ayrton
logo caiu 6s. O brasileiro ainda recuperaria 3s, após experimentar
traçados diferentes, mas ainda assim Ricardo Patrese, com a outra
Williams continuava a se aproximar. Como não poderia ser diferente
em um GP tão atípico, Patrese e Berger (o terceiro colocado) também
passaram a apresentar problemas mecânicos (ainda que não na mesma
gravidade dos da McLaren de Senna) e, para completar, veio a chuva.
Um exausto Senna conseguiu, enfim, cruzar a linha de chegada, 3s
à frente de Patrese. Gravações de dentro do carro mostram que Senna
gritava de dor, em virtude de câimbras. Ele teve de receber ajuda
para sair do cockpit. Mas tudo valeo a pena, pois a tão esperada
vitória no Brasil havia chegado, e Senna finalmente pôde carregar
sua bandeira brasileira para o topo do pódium diante de seus torcedores.
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Ayrton
Senna - Monza 1991
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Subitamente,
porém, o campeonato mudaria de figura. Piquet venceria o GP do Canadá,
mas uma sucessão de vitórias da Williams (Patrese no México e Mansell
na França, Inglaterra e Alemanha) reduziria a vantagem de Senna
no campeonato para meros 8 pontos. O brasileiro responderia com
vitórias na Hungria e na Bélgica, apenas para ver a resposta das
Williams nas três provas seguintes (Mansell em Monza, Patrese no
Estoril e Mansell novamente na Catalunha). A decisão novamente se
deu no Japão, com Mansell saindo da pista e Berger (companheiro
de Ayrton Senna na McLaren) vencendo. Senna era tri-campeão. Ayrton
ainda venceria o GP australiano, para completar a temporada com
7 vitórias, 12 pódiuns e 8 poles. Das 16 etapas, Ayrton marcaria
pontos em 14, mostrando que ele também sabia usar da regularidade
quando o regulamento justificava (o descarte de pontos havia acabado
no ano anterior). Senna, por sinal, teve apenas dois abandonos em
1991, um por quebra mecânica no Canadá e outro por falta de combustível
na Alemanha. Naquele ano, o brasileiro pilotou sem cometer nenhum
erro.

1992 seria marcado por uma série de frustrações para Ayrton Senna.
No último ano da parceria entre a McLaren e a Honda, os carros da
equipe perderam terreno tanto em desempenho quanto em confiabilidade.
O Williams FW14B estava anos-luz à frente de qualquer outro carro,
uma superioridade ainda mais incontestável do que a das McLaren
ao final dos anos 80. As cinco primeiras provas do campeonato foram
vencidas por Nigel Mansell, a bordo daquilo que seria chamado por
Senna de "carro de outro planeta". Em quatro delas, Patrese completaria
a dobradinha, chegando em 2o. Mansell se sagraria campeão com 5
provas de antecedência, um fato inédito na história da F1.
Senna terminaria o ano com apenas três vitórias (em Mônaco, na Hungria
e na Itália). A vitória em Mônaco, por sinal, passou a história
como uma das maiores demonstrações de pilotagem defensiva que já
se viu, com Senna segurando um Mansell enfurecido até a linha de
chegada. Senna ainda chegaria ao pódium em outras 4 oportunidades
(África do Sul, San Marino, Alemanha e Portugal), além de marcar
pontos na Bélgica. A marca da temporada, no entanto, foram os abandonos:
5por falha mecânica (México, Brasil, Canadá, Inglaterra e Japão)
e 3 por acidente (Espanha, França e Austrália). Dentre eles, o mais
frustrante foi, com certeza, o do Canadá. Mansell já havia abandonado
a prova e Senna tinha herdado uma liderança folgada para Berger.
O carro de Ayrton, então, na 38a volta, sofreu uma pane elétrica,
deixando o brasileiro a pé. A vitória, que seria de Senna, caiu
tranqüilamente no colo de Berger. Com apenas 50 pontos e a 4a colocação
no mundial de pilotos (atrás de Mansell, Patrese e do jovem Michael
Schumacher), 1992 seria um ano para ser esquecido por Senna e seus
fãs.
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Ayrton
Senna - Hungria 1992
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A Williams
continuava contando, disparadamente, com o melhor carro em 1993.
A combinação mágica entre os possantes e confiáveis motores Renault
e uma engenhosa suspensão ativa continuava a ser a fórmula do sucesso.
A diferença maior ficou por conta do homem a conduzir a máquina.
Mansell fora dispensado e foi buscar o sucesso nas pistas da CART.
Alain Prost, que havia deixado a categoria após uma temporada de
1991 em que só colecionou frustrações com a Ferrari, preparou a
volta por cima e conquistou, aos 38 anos o tetra-campeonato a bordo
da máquina fantástica de Sir Frank Williams.
As dificuldades para Senna e a McLaren eram tamanhas. Sem contar
com uma parceria, a equipe teve de apelar para a condição de cliente
da Ford, recebendo, assim, motores que ficavam a dever em potência
até mesmo aos motores oficiais da mesma empresa, cujo uso era exclusivo
por parte da Benetton. Acreditava-se até que, em tais condições,
Senna não iria competir.
Não obstante, no dia 14 de março, na abertura do campeonato, em
Kyalami, lá estava o capacete amarelo, a bordo da McLaren. Senna,
que havia flertado com a CART através de Émerson Fittipaldi, terminou
fechando um acordo "prova-a-prova" com a McLaren. Na África do Sul,
Senna foi o segundo, mas surpreenderia a todos duas semanas depois,
com uma memorável vitória no Brasil, no molhado, após a saída de
Alain Prost. No entanto, aqueles que imaginaram que a atuação de
Ayrton em Interlagos havia sido impressionante, mal podiam esperar
pelo GP da Europa, disputado em Donington Park. A primeira volta
de Senna é considerada uma das maiores voltas de abertura por um
piloto em todos os tempos. Na qualificação, a dupla de pilotos da
Williams (Alain Prost e Damon Hill) fez os melhores tempos, mais
de um segundo à frente de Schumacher e sua Benetton com a especificação
oficial do motor Ford. Senna largaria apenas em quarto. Na largada,
Schumacher não deu espaço a Senna, que teve de recolher para não
sair da pista. Na tomada para a Redgate, Ayrton era apenas o quinto.
O brasileiro despachou a Benetton na saída da curva e ultrapassou
a Sauber de Karl Wendlinger pelo lado de fora, nas Craner Curves.
Na McLeans, Senna já era o segundo, ao superar Damon Hill e uma
belíssima ultrapassagem sobre a Williams de Prost, no Grampo Melbourne,
deu a ele a primeira colocação! As condições variáveis do GP colocaram
em cena a questão da estratégia, e Prost terminou por fazer nada
menos que sete paradas nos boxes. O domínio de Senna, enquanto isso,
era absoluto, fazendo apenas duas paradas: uma para pneus slicks,
na volta 18, e outra para voltar aos pneus de chuva, na volta 66.
Ayrton chegou inclusive a marcar a volta mais rápida, de forma atípica,
por dentro dos boxes. No ano em que se falava dos carros de outro
planeta, naquele dia ficou claro que, de outro planeta mesmo (do
"planeta-água" talvez) era o piloto Ayrton Senna da Silva. No final
da tarde, a diferença dele para o terráqueo mais rápido (Damon Hill)
chegou a quase 90s.
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Ayrton
Senna - Senna e Prost 1993
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Senna,
no entanto, sabia que não havia porque alimentar nenhuma euforia,
uma vez que seria uma questão de tempo para que Prost e sua Williams
restabelecessem a verdade. De fato, Prost venceria os GPs de Ímola
e da Espanha. Senna quebraria o recorde de vitórias de Graham Hill
em Mônaco, ao conquistar sua Sexta vitória nas ruas de Monte Carlo.
Mas as quatro vitórias consecutivas de Prost (Canadá, França, Inglaterra
e Alemanha) vieram para não deixar dúvidas sobre a superioridade
do conjunto guiado pelo já quase tetra-campeão do mundo. O jejum
de Senna se estenderia por outras corridas (3 vitórias de Hill e
uma de Schumacher), mas o brasileiro encerraria o ano com belas
vitórias no Japão e na Austrália. As cinco vitórias, os dois segundos
lugares e os pontos marcados em outras quatro corridas garantiram
a Senna o vice-campeonato, com 73 pontos, números que pouco refletem
aquela que foi uma das temporadas em que Ayrton foi mais genial
atrás do volante.
Emocionalmente, ao final de 1993, Senna era o oposto do que se via
no início do mesmo ano. Tudo já estava acertado para que Ayrton
herdasse o posto de Prost, na Williams. Na última corrida, Senna
puxou Prost para dividir o alto do pódio e o abraço de dois homens
que marcaram a história recente do automobilismo selou uma paz da
qual eles não compartilharam por longos anos. Era para ser, afinal,
uma dupla despedida: a de Prost, da Fórmula 1, e a de Senna, da
McLaren. O que não se sabia era que aquela seria, na verdade, uma
despedida tripla. Era a última vez que Senna e o pódio se encontrariam...
O sonho de Senna de pilotar a máquina extraterrestre da Williams
já havia se transformado em pesadelo antes do mês de maio chegar.
As mudanças no regulamento vieram trazendo o fim dos carros ativos.
Os bólidos haviam se tornado mais instáveis e todas as equipes tiveram
de buscar alternativas à suspensão ativa para lhes devolver o equilíbrio
perdido. A situação era particularmente crítica na Williams, que
nos dois últimos anos havia dominado a Fórmula 1 graças à suspensão
ativa, e que havia se tornado extremamente dependente desse dispositivo.
Schumacher, que viria a se sagrar campeão naquele ano, e sua Benetton
já eram uma ameaça concreta. Para completar a onda de má sorte,
Senna marcou a pole nos dois primeiros GPs, mas rodou em Interlagos
e foi posto para fora da pista na etapa do Pacífico.
Já ficava claro que o domínio absoluto que se esperava por parte
de Senna e sua Williams não iria acontecer. O que não se imaginava
é que o ano em que se previa o auge da "era Senna", seria, de fato
o fim dessa era.
Às 2:17 da tarde do dia 1o de Maio de 1994, no Circuito Dino e Enzo
Ferrari em Ímola, Senna sofreu um acidente mortal, na curva Tamburello.
No impacto, o braço da suspensão se rompeu e perfurou o visor do
gênio das pistas. Tivesse ele passado milímetros acima, Senna teria
sobrevivido, dando ao brasileiro a oportunidade de vencer os títulos
de 1994, 1995... 1996, 1997, quem sabe? Mas quem imaginaria Senna
aposentado, logo ele que era tido por muitos como um lutador dentro
das pistas? O destino de Senna, ainda que sua morte tenha sido tão
brutal e prematura, foi o de um verdadeiro guerreiro: morreu no
campo de batalha, morreu vestido em sua armadura, morreu na liderança,
onde esteve na maior parte de sua fantástica carreira! Adeus, Ayrton!
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Adeus...
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Texto de Alexandre Araújo Costa |

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