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Michael
Schumacher
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Nacionalidade:
Alemã (Hürth-Hermülheim)
Nascido em: 03 de Janeiro de 1969
os números:
162 GPs disputados 4 títulos mundiais
(94, 95, 00 e 01) 801 pontos
53 vitórias
43 pole-positions
97 pódiuns
44
melhores voltas
72 primeiras filas
Percorreu
8642 voltas
Percorreu 40932
* Dados estatísticos até Novembro
de 2001
[.:O
INÍCIO:.]
Qual é
a importância de Bertrand Gachot para o automobilismo mundial?
A resposta não é simples, mas categórica: este
piloto belga, praticamente desconhecido do grande público,
contribuiu decisivamente para a estréia do tetracampeão
Michael Schumacher na Fórmula 1.
Na temporada
de 1991, Gachot pilotava para a estreante equipe Jordan, naquele
que vinha sendo seu melhor ano na categoria. No entanto, às
vésperas de correr em casa, o piloto foi condenado na Inglaterra
por uma briga de trânsito em que havia se envolvido um ano
antes. O resultado foi decepcionante para a torcida em Spa-Francochamps;
seu piloto acabou na cadeia, abrindo uma cobiçada vaga na
equipe irlandesa.
A procura pelo
cockpit foi intensa, mas uma proposta parecia melhor que as outras.
O empresário alemão Willi Webber apresentou um piloto
de esporte-protótipo protegido pela Mercedes-Benz, que teria
sua estréia bancada pela multinacional alemã. O rapaz,
um virtual desconhecido nos paddocks, atendia pelo nome de Michael
Schumacher.
Eddie Jordan
é famoso por não perder um bom negócio quando
tem a oportunidade. De qualquer forma, colocar um carro de F-1 nas
mãos de um piloto cuja experiência em monopostos restringia-se
à F-3 alemã, parecia uma atitude um pouco arriscada
demais. Perguntou, então, à Willi Webber se o promissor
alemão conhecia o difícil traçado de Spa-Francochamps.
"Sim,
claro"; - respondeu o empresário - ele já
correu muitas vezes neste circuito.
Na verdade, a experiência de Schumacher restringia-se à
algumas poucas voltas, de bicicleta...
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Estréia
com a Jordan...
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Apesar de ter
apenas 22 anos e desconhecer o circuito, Schumacher chamou a atenção
do circo da Fórmula 1 ao alinhar seu Jordan verde na 7º
colocação do grid de largada. A corrida não
durou nem uma volta, por conta de uma falha mecânica, mas
o impacto daquela surpreendente performance não seria abalado.
Na corrida seguinte, o alemão pilotaria uma Benetton, ocupando
o lugar de Roberto Moreno, sumariamente despedido pelo "capo"
Flávio Briatore.
De cara, Michael
constantemente superou seu mais experiente companheiro de equipe,
ninguém menos que Nelson Piquet. O tri-campeão brasileiro
"deu tudo de si" para não ser passado para traz
pelo novato, mas esta desgastante concorrência contribuiu
para precipitar sua aposentadoria.
Em 1992, Schumy
confirmou as expectativas da imprensa, com performances consistentes
durante toda a temporada. Disputando de igual para igual com mitos
do automobilismo, como Alain Prost, Nigel Mansell e Ayrton Senna,
acabou por vencer seu primeiro GP exatamente um ano após
sua estréia, no mesmo circuito de Spa-Francochamps. Terminando
o ano em 3º lugar na pontuação final, Schumacher
ganhou o status de campeão em potencial para o futuro próximo.
A Benetton estava
em franca ascensão no início da década de 1990.
Com a chegada de Michael, o progresso foi ainda mais significativo,
tornando-se a cada ano mais competitiva. De mera coadjuvante, a
equipe passou a ser uma pedra no sapato das grandes Ferrari, Williams
e McLaren. Novas conquistas teriam lugar em 1993, anunciando que
o melhor ainda estava por vir.
[.:TÍTULO
E POLÊMICA:.]
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Hill
vai a caça de Schumacher
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O campeonato
de 1994 tinha todos os ingredientes para ser inesquecível.
O tri-campeão Ayrton Senna, maior piloto da história,
substituiria seu arqui-rival Alain Prost nas então imbatíveis
Williams-Renault. Seu (único) adversário seria a jovem
promessa Michael Schumacher, a bordo de sua surpreendente Benetton.
A FIA, Federação Internacional de Automobilismo, entidade
responsável pela categoria, apresentara um regulamento banindo
severamente avanços tecnológicos que diminuíram,
nos anos anteriores, a importância dos pilotos para a performance
de seus bólidos. Todos os ingredientes para uma disputa acirrada
entre o mito consagrado e nova estrela do esporte estavam garantidos.
O duelo começou
com ampla vantagem para o alemão. Nas duas primeiras corridas,
em Interlagos e Aida, só deu Schumacher, embora Senna tivesse
largado sempre na pole-position. Suas importantes vitórias
contrastavam com a má-sorte do brasileiro, que não
conseguira completar nenhuma destas provas. A disputa prometia,
mas o destino acabou nos privando de conferir este confronto até
o fim; jamais saberemos quem levaria a melhor.
Com a morte
de Ayrton Senna, no fatídico GP de Ímola, a Fórmula
1 ficou órfã de seu maior ídolo; e Schumacher,
de seu grande adversário. Nas corridas seguintes, o que se
viu foram performances fantásticas do alemão, e muita
polêmica. A Benetton foi acusada de burlar as regras do jogo,
desrespeitando o regulamento, bem como Michael foi repreendido por
conduta antidesportiva. Tirando pontos preciosos do alemão
e suspendendo-o por duas corridas, a FIA garantiu que o campeonato
somente fosse decidido na última corrida, na Austrália.
Nas ruas de
Adelaide, tudo que Schumacher precisava fazer para ser, enfim, campeão
era chegar à frente do inglês Damon Hill, da Williams.
O "esforço de guerra" da equipe inglesa para derrotar
o veloz alemão incluía ainda a volta de Nigel Mansell
de sua aposentadoria. O leão, que ocasionalmente pilotou
um destes bólidos entre as provas do campeonato de Fórmula
Indy, estava escalado para ser o escudeiro de Hill naquela prova
decisiva.
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A
batida com Damon Hill
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Largando em
segundo no grid - com Mansell na pole e Hill em terceiro, Schumy
assumiu a ponta e abriu uma vantagem confortável, mas justamente
quando tudo parecia decidido, uma bobeada quase pôs tudo a
perder. O alemão perdeu o controle de sua Benetton, batendo
fortemente contra o muro de proteção, comprometendo
sua continuidade na corrida. Mesmo com a suspensão criticamente
avariada, voltou desesperadamente para a pista, somente para se
chocar com o desavisado Damon Hill. Fim da corrida para ambos, e
título para Schumacher.
[.:BICAMPEÃO
SEM CONCORRÊNCIA:.]
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Schumacher
com a Benetton-Renault
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Para
1995, a Benetton garantiu os imbatíveis motores Renault,
os mesmos que equipavam a Williams. A estrutura era sólida,
havendo grande integração entre suas figuras chaves:
Flávio Briatore, Tom Walkinshaw, Ross Brawn e Michael Schumacher.
Com um time coeso e entrosado, a Benetton fez barba, cabelo e bigode,
conduzindo o alemão ao seu segundo título mundial,
e garantindo o único título de construtores de sua
história.
Schumy
deu show pelas pistas do mundo, derrotando o desafortunado Hill.
Sem resistência, as nove vitórias conquistadas vieram
naturalmente, num campeonato que mais pareceu à continuação
do anterior.
O
caso de amor de Schumacher com a pista de Spa-Francoshamps teve
nova página nesta temporada. Para muitos, o piloto teve sua
mais bonita vitória naquele GP da Bélgica, após
ter largado apenas em décimo sétimo lugar. Numa corrida
de recuperação fantástica, superou um a um
seus concorrentes, até ultrapassar de forma incontestável
Damon Hill, numa pista molhada e perigosa.
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Vibrando
com o "BI"
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Se
o título de 1994 foi conturbado, o de 1995 não poderia
ser questionado de forma alguma, tamanha a vantagem de Schumacher
sobre o resto do grid.
[.:EM
BUSCA DE DESAFIOS:.]
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O
primeiro contato com a Ferrari
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Bicampeão
mundial aos 26 anos (só perdeu em juventude para Emerson
Fittipaldi, por alguns meses), Schumacher tinha todos os caminhos
abertos para a temporada de 1996. A alternativa mais lógica
seria continuar na Benetton, pilotando para um time forte que ele
ajudou a criar. Poderia passar para a McLaren, que correria desde
então com os motores de seu antigo messias, Mercedes-Benz.
Até mesmo a Williams teria feito uma proposta pelos seus
serviços. No entanto, Schumacher queria mesmo era desafios
- e um belo salário.
Aceitou o convite
da Ferrari com a missão de tirar o time da fila, mediante
um super-contrato que lhe garantia um salário fabuloso e
a total atenção da equipe, com carta branca para escolher
com quem queria e como gostaria de trabalhar. Uma tarefa bastante
penosa, contemporizada por um acordo para lá de interessante.
Rapidamente, a Ferrari foi ficando com a cara de Schumacher. Em
poucos meses, conseguiu expulsar o projetista John Barnard da equipe,
contratado a peso de ouro, sob a justificativa de que "não
era hora para ousadias". Trouxe antigos companheiros de Benetton,
Ross Brawn e Rory Byrne, para compor um time com vocação
para vencer, sob o controle sempre competente de Jean Todt, que
já estava na equipe desde 1993.
O primeiro ano
na escuderia italiana, em 1996, serviu para arquitetar as bases
para futuros títulos. Não houve como oferecer resistência
às Williams, que fizeram dobradinha no mundial de pilotos:
Hill foi campeão, e Jacques Villeneuve, recém-chegado
da Indy, vice. No entanto, três importantes vitórias
de Schumy serviram de impulso para a temporada seguinte.
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Ferrari
1996
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1997 tinha tudo
para ser o ano do tri de Schumacher. Foi uma temporada fantástica,
marcada pela alta competitividade e pela acirrada disputa entre
o alemão e Villeneuve. Ambos fizeram por merecer o título,
levando a definição para a última prova, em
Jerez de la Frontera. Schumacher liderava o campeonato por um ponto;
logo, um enrosco entre os dois lhe daria o título. Após
um treino de qualificação inacreditável, onde
três pilotos fizeram exatamente os mesmos tempos (Villeneuve,
Schumacher e Frentzen), o piloto da Ferrari largou na liderança.
O que ninguém espera (tampouco Michael) era que o canadense
tentasse uma ultrapassagem tão arriscada, na metade da corrida.
Relembrando
seu falecido pai Gilles, o piloto da Williams foi para o tudo ou
nada, mergulhando por dentro numa curva de baixa. Schumacher, nitidamente
surpreso com aquele movimento, não hesitou ao notar o canadense
ao seu lado: fechou-lhe a porta descaradamente, arremessando sua
Ferrari num último ímpeto destrutivo. Afinal, se ambos
abandonassem, o título seria seu. Para sorte do esporte,
Villeneuve conseguiu continuar, enquanto seu adversário ficava
atolado na caixa de brita. Ville iria até o fim e conseguiria
o título, mas, após a corrida, o que todos queriam
saber era qual seria a punição para tamanho ato de
deslealdade.
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Schumacher
vai bater em Villeneuve...
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Schumacher descia
ao inferno pela segunda vez, depois das punições de
1994. Sua fama de "Dick Vigarista" foi espalhada pelo
mundo e quase colocou um fim em sua carreira. Acabou desclassificado
do campeonato, mantendo ainda suas cinco vitórias; para muitos,
foi pouco.
Determinado
a mudar sua imagem, o alemão veio com tudo em 1998. A óbvia
evolução das Ferraris sobre as Williams parecia apresentar
um cenário favorável, mas ninguém contava com
o fantástico avanço das McLarens-Mercedes.
As "flechas de prata" botaram poeira na concorrência,
colocando seus pilotos constantemente no topo dos pódios.
As vitórias de Schumacher foram conquistadas na base da garra
e do talento, contando com os equívocos dos adversários
mais velozes. A Ferrari evoluiria durante o campeonato, levando
a disputa para a última etapa, em Suzuka, mas o título
acabou com o finlandês Mika Hakkinen. Parecia injustiça:
depois de tanto esforço para bater a Williams, chegava a
McLaren com um carro do outro mundo para atrapalhar o sonho ferrarista.
A pressão por resultados batia à porta de Schumy,
ficando evidente no episódio envolvendo David Coulthard,
segundo piloto da McLaren, no GP da Bélgica. Chovia muito,
e o alemão novamente dava um show pelas curvas de seu circuito
favorito. No entanto, ao tentar passar pelo retardatário
escocês, seus carros se chocaram de forma perigosa, tirando
de Michael uma vitória fácil e importante. No final,
quando chegaram aos boxes com seus bólidos semi-destruídos,
quase que o assunto foi resolvido no tapa.
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Determinado...
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Schumy estava
cansado de tanto bater na trave. Em 1999, a Ferrari tinha um bom
carro, capaz de competir de igual para igual com as McLarens. O
sonho acabou na primeira volta do GP da Inglaterra, quando perdeu
o controle de seu carro e atingiu a barreira de pneus violentamente.
Com as fraturas em sua perna, o alemão somente voltou às
pistas para as duas últimas etapas da temporada, com a inglória
missão de ajudar seu companheiro de equipe Eddie Irvine conquistar
o título que deveria ser seu. Na Malásia, a ajuda
veio, mas na corrida decisiva, em Suzuka, Schumacher não
se esforçou tanto. Mika conquistou o bi-campeonato.
[.:ENFIM
HERÓI:.]
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Michael
Schumacher (2000)
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Com a ajuda
de seu novo companheiro de equipe, o brasileiro Rubens Barrichello,
Schumacher sabia que 2000 tinha que ser seu ano. Não existia
mais a desvantagem da Ferrari perante a McLaren, tampouco seqüelas
do acidente do ano anterior. Começou a temporada de forma
avassaladora, conquistando importantes vitórias sem deixar
margem para a concorrência. Mas como num roteiro de filme,
o título que parecia assegurado começou a escapar
de suas mãos no decorrer da temporada, quando uma série
de maus esultados somaram-se à reação de Mika
Hakkinen. Justamente quando o cenário parecia indicar para
o terceiro título mundial do finlandês, Michael decidiu
acabar com a brincadeira de uma vez por todas. Venceu os GPs dos
EUA e de Suzuka, garantindo finalmente o título que tanto
desejava, tirando a Ferrari de uma fila de 21 anos: a última
conquista de pilotos ferraristas ocorrera em 1979, com o sul-africano
Jody Scheckter.
Deve-se dar
a devida dimensão deste feito. Por mais de duas décadas,
grandes pilotos tinham pegado o volante dos carrinhos vermelhos
com a missão de conquistar títulos, sem sucesso. Nomes
como Gilles Villeneuve, Nigel Mansell, Jean Alesi e Alain Prost
falharam nos seus intentos, submergindo no ambiente passional que
envolve a escuderia italiana. A pressão dos tifosi, os fanáticos
torcedores italianos, nem sempre é um fator positivo, trazendo
instabilidade para os pilotos e funcionários. A equipe mais
famosa da F-1, a única que esteve em todos os campeonatos
mundiais desde 1950, não podia ficar relegada ao segundo
plano por tanto tempo.
A contratação
de Michael Schumacher, em 1996, foi o movimento mais importante
da estratégia traçada por Luca di Montezemolo para
levar a Ferrari de volta à ribalta. Só que nem o presidente
do time pensou que seria tão difícil, apesar do corpo
técnico de primeira linha e rios de dinheiro para gastar.
Em 2000, Schumacher entrou para a história ao levar o time
mais carismático à liderança da categoria,
lugar de onde jamais deveria ter saído.
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Michael
Schumacher (2000)
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Sem pressão
e no ápice de sua técnica, alemão partiu em
2001 para quebrar recordes. Foi uma temporada de gala, sem deixar
espaço para os adversários. Os resultados dizem tudo:
11 poles postion, 9 vitórias e 5 segundos lugares permitiram
que Schumacher somasse mais pontos ao final da temporada que o segundo
e terceiro colocados juntos (David Coulthard e Rubens Barrichello).
De fato, o título jamais esteve em perigo, apenas existindo
ocasionais reações da McLaren e da renascida Williams,
em cujo volante estava ninguém menos que o irmão do
tetracampeão, Ralf Schumacher. A superioridade foi tamanha
que pareceu até covardia. Pelas pistas do mundo, a única
coisa que separava Michael da vitória era ele mesmo. Se estava
com a cabeça boa, se tinha achado o acertocorreto, o primeiro
lugar do pódio já tinha dono. Pudemos presenciar um
verdadeiro "Showmacher", onde o resto do grid fazia o
papel de atores coadjuvantes.
Recordes? Poucos
faltam para ser conquistados. Schumacher terminou 2001 com o maior
número de vitórias e de pontos da história,
sobrando apenas dois grandes desafios para os anos seguintes: os
cinco títulos mundiais de Juan Manuel Fangio e as 65 poles
de Ayrton Senna. Parece difícil que o alemão deixe
a F-1 sem tê-los alcançado.
[.:O
HOMEM POR TRÁS DO MITO:.]
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O
menino de 4 anos
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Nascido em 3
de janeiro de 1969, na pequena cidade de Kerpen, Michael Schumacher
desde cedo teve contato com o automobilismo. Seu pai, pedreiro,
tornou-se zelador de uma pequena pista de kart, permitindo que seus
filhos dessem algumas voltas de vez em quando. Sua mãe, até
pouco antes de se tornar campeão do mundo pela primeira vez,
comandava a lanchonete do circuito, vendendo cervejas e chucrutes
para os visitantes. Como se pode ver, a origem de Michael é
bastante humilde, quando comparada com a de outros pilotos.
Para despontar
no automobilismo, foi necessária a intervenção
de terceiros que apostassem em seu talento. Sua performance logo
atraiu donos de equipes de kart, permitindo que o alemão
competisse nas categorias nacionais. Seus vários títulos
chamaram a atenção de um astuto empresário,
Willi Webber, dono de um time de F-3 alemã. Em troca de garantir
uma vaga à Schumacher em sua equipe, Webber ofereceu um contrato
de gerenciamento de carreira, que lhe garantiria dali em diante
uma gorda fatia de tudo que o alemãozinho conquistasse.
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O
início com o Kart
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Os resultados
vieram logo. Schumacher ganhou o campeonato de F-3 regional e também
a prestigiosa corrida extra-campeonato de Macau, onde competiu contra
os mais importantes pilotos de F-3 do mundo. Naquela prova, disputada
em duas baterias, teve como grande adversário ninguém
menos que Mika Hakkinen, então campeão de Fórmula
3 Inglesa. A Mercedes-Benz se interessou por Schumacher, oferecendo-lhe
uma vaga em sua equipe junior no mundial de Esporte Protótipos.
O time era comandado pelo atual dono de equipe de F-1 Peter Sauber,
e contava com pilotos experientes, como Jochen Mass, e jovens promessas
germânicas, como Karl Wendlinger e Heinz-Harald Frentzen.
Este último era um antigo amigo de Michael. Ambos se conheciam
desde os tempos de kart, e tinham o costume de saírem sempre
juntos pelos bares da vida. No entanto, esta amizade não
durou para sempre: Schumacher roubou a noiva de Frentzen, Corina,
com quem posteriormente se casaria. A traição jamais
foi engolida por H-H, e desde então os dois não se
bicam.
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O
início nos monopostos...
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No Esporte Protótipos,
Schumacher recebeu os importantes ensinamentos de Jochen Mass, ex-piloto
de F-1, sobre como gerenciar sua carreira e como acertar um carro
de corridas. Aprendeu que manter a boa forma física era essencial,
ainda mais para as provas de longa duração da categoria,
em cockpits fechados onde a temperatura era extremamente alta. Estes
ensinamentos teriam fundamental importância para os anos seguintes.
Em 1991, quando
Schumacher chegou à F-1, ele não era verde como muitos
pensavam. Estava pronto para dar conta do recado, acelerando fundo
em qualquer pista que aparecesse pela frente. Sua extrema confiança
em si mesmo lhe trouxe a fama de arrogante; uma injustiça:
Michael apenas sabia que era bom mesmo, quer os outros aceitassem
isso ou não.
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O
veloz Sauber-Mercedes
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Seu ponto fraco,
porém, é o temperamento explosivo. Se fora das pistas
ele é um sujeito até certo ponto pacato, quando veste
o macacão vira uma fera. Seus enroscos desleais são
famosos, tirando ou tentando tirar da pista sem cerimônias
qualquer adversário que se coloque a sua frente. Que o diga
Damon Hill, após o desfecho do mundial de 1994; ou Jacques
Villeneuve, em 1997. Seu inimigo Frentzen também levou alguns
"chega-pra-lás" bastante desleais, como também
Ralf, seu irmão. Schumy não está nem aí,
continua correndo para vencer, sem se importar com os outros. David
Coulthard, em 2000, acabou perdendo a esportiva em Magny Cours,
fazendo sinais obscenos para o alemão após uma série
de fechadas ...
A verdade é
que Michael Schumacher é um homem de família. Orgulhoso
pai de duas crianças, vive confortavelmente em uma mansão
nos Alpes suíços. Tem até uma cachorra vira-lata,
que encontrou no GP do Brasil de 1994, que é seu xodó.
Adora esportes radicais, sendo um exímio esquiador, e um
entusiasta do pára-quedismo. No entanto, sua paixão,
fora o automobilismo, é mesmo o futebol. Schumacher financia
um pequeno time das divisões de base do futebol suíço,
mediante a garantia de poder participar de alguns jogos, de vez
em quando. Não é nenhum Bierhof (craque da seleção
alemã), mas arrisca alguns passes invocados em campo. Gosta
tanto do esporte bretão que não hesitou em participar,
antes da corrida do Brasil de 2001, de uma partida amistosa envolvendo
ninguém mais, ninguém menos que craques como Ronaldinho
e Zico. Até marcou gol de pênalti, escutando toda a
galera do Maracanã gritar seu nome.
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O
pai de família...
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Com o tempo,
a consciência de sua importância para o mundo do esporte
trouxe-lhe uma mais engajada participação política.
Schumacher é embaixador da UNICEF e presidente há
muitos anos da GPDA (Associação dos Pilotos de Grandes
Prêmios), entidade que define a posição dos
pilotos da F-1 sobre a segurança na categoria. Sempre que
ocorre um acidente grave nas pistas, vemos uma mudança evidente
em seu semblante, principalmente nos pódios, contrastando
com os característicos socos no ar que desfere antes da festa
da champanhe. Após os atentados terroristas às torres
gêmeas do World Trade Center, em 11 de setembro de 2001, partiu
do alemão a iniciativa da Ferrari correr sem patrocínios
no GP da Itália. Na etapa seguinte, em Indianápolis,
o ainda abalado Michael pintou em seu capacete a bandeira norte-americana
como homenagem às vítimas.
Mas a
imagem que fica de Michael Schumacher é sempre a de um vencedor.
Piloto arrojado e campeão nato, dá shows inesquecíveis
em qualquer tipo de pista, seja qual for o clima ou o carro. Utiliza
um traçado diferente dos outros pilotos, aproveitando ao
máximo o grip dos pneus e o potencial do equipamento. Tem
uma tocada forte e constante, sendo capaz de girar volta mais rápida
seguida de volta mais rápida pouco antes de entrar para fazer
pitstops, o que permite utilizar ao máximo as fantásticas
estratégias de seu engenheiro e amigo Ross Brawn. Não
se intimida com recordes imbatíveis ou pilotos consagrados,
acreditando sempre que irá superar os adversários.
Enfim, Schumacher é uma máquina de vencer, e a cada
corrida assegura ainda mais uma posição de destaque
entre os grandes heróis do automobilismo.
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Ele
promete mais... Será?
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