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Emerson
Fittipaldi
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Nacionalidade:
Brasileira (São Paulo)
Nascido em: 12 de dezembro 1946
os números:
Na F1:
2 títulos mundiais (1972 e 1974)
144 GPs disputados
14 vitórias
35 pódiuns
6 pole-positions
6 voltas mais rápidas
281 pontos
Na
CART/F-Indy:
23 vitórias
1 título (1989)
2 vitórias nas 500 milhas de Indianápolis
Dentre as glórias
que o automobilismo brasileiro já conquistou pelo mundo afora,
talvez as façanhas menos decantadas em verso e prosa sejam
as de Émerson Fittipaldi. Talvez pelo fato de a televisão
a cores não ter sido um artigo tão popular assim nos
tempos em que Émerson disputava com monstros do quilate de
Stewart e Peterson a supremacia nas pistas... Talvez pelo fato de
o apogeu de sua carreira na Fórmula 1 estar prestes a completar
três décadas... Talvez porque ainda haja uma série
de preconceitos para com as disputas travadas nos ovais da Terra
do Tio Sam... Talvez por conta da decisão equivocada
mas inegavelmente ambiciosa de montar a própria equipe
de Fórmula 1.
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Emerson
Fittipaldi - Penske 1993
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Ou talvez simplesmente
porque, dentre os três gênios do esporte motor já
nascidos na Terra Brasilis, Émerson seja aquele cujo comportamento
mais se aproxime do homem comum. Enquanto Senna vivia, nas pistas,
uma experiência quase religiosa, Piquet encontrava no automobilismo
a sua perversão. Já Émerson, bem mais do que
os gigantes que lhe seguiram, sempre pareceu encarar tudo de forma
mais natural. É possível que este seja o seu problema:
o ídolo tem de se diferenciar da massa de fãs e, nesse
quesito, a vocação de Émerson para ícone
não é das maiores...
Não
adianta pensar em concorrer, Emmo (apelido ianque bem
mais carinhoso do que Rato)! As cores dos feitos
verdadeiras batalhas campais do guerreiro Senna (e de sua
morte diante da presença de milhões de
telespectadores) serão sempre fortes demais! Também
não se pode querer disputar atenção com a irreverência
e a controvérsia extrovertida de Piquet, que será
sempre um ímã para a polêmica!
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Wilson
e Emerson
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Ainda assim,
não se chateie, caro Émerson. Na história,
para sempre ficarão guardados seu bi-campeonato na F1 e sua
passagem vitoriosa pelos EUA, com duas vitórias em Indianápolis
e o campeonato da CART. Ficará gravada, sobretudo, aquela
mistura bem dosada de ambição e cautela, de talento
e de reconhecimento das próprias limitações
e erros, de agressividade e elegância... Essa virtude é
rara, mas parece comum, beirando o ordinário, como as TVs
em preto e branco dos anos 70...
Até os
anos 60, o automobilismo sul-americano era quase sinônimo
de automobilismo argentino. Graças ao penta-campeonato de
Fangio, a Argentina permaneceu por muito tempo como a nação
detentora do maior número de títulos mundiais. Mas
poucos anos após o grande argentino deixar um recorde que
perdura absoluto até os dias de hoje, um garoto brasileiro
se aventurava no mundo da velocidade.
Começando
em duas rodas na categoria de 50cc, Émerson seguiria o irmão
mais velho (Wilson) nos karts e, em 1965, ambos já estavam
disputando corridas de automóveis (nos idos tempos dos Gordini).
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1º
Vitória, com um Fusca!
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Sua carreira
em monopostos começou fulminante, sagrando-se campeão
brasileiro de Fórmula Vee já em 1967. O talento de
Émerson era claramente especial. Ele era de outra classe
e, tendo o automobilismo tupiniquim se tornado tão pequeno,
era a hora de descobrir o Velho Mundo. Em 1969, após
comprar um Fórmula Ford e não parar de vencer na categoria,
o jovem Émerson assinava contrato para correr na Fórmula
3 pela equipe Lotus, por onde se sagraria campeão. Fittipaldi
seria promovido à Fórmula 2 no ano seguinte (1970),
também pela Lotus.

O talento de
Émerson estava na vitrine, para todos verem. Colin Chapman,
diante da possibilidade de que outras equipes do circo se lançassem
sobre o brasileiro com contratos sedutores, pôs-se à
frente de todos e apressou-se a conseguir um outro carro para Émerson
entrar na Fórmula 1 já naquele ano.
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Pilotando
seu primeiro F1 - Lotus 49B
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Era o dia 18
de Julho de 1970. Menos de um mês após o Brasil conquistar
o tricampeonato de futebol no México, se iniciava uma nova
era para o esporte brasileiro. Émerson Fittipaldi, aos 23
anos, disputava, pela primeira vez, um Grande Prêmio de Fórmula
1. O resultado na Inglaterra foi modesto: a 22a posição
no grid e um 8o lugar a duas voltas do vencedor, Jochen Rindt. Entretanto,
é preciso que se diga que, enquanto Rindt e Miles corriam
com o poderoso Lotus 72, Émerson estreou com o Lotus 49B,
um carro que havia sido criado há dois anos atrás.
Ainda assim, já na corrida seguinte a estrela de Émerson
brilharia, com o brasileiro marcando seus primeiros pontos, ao chegar
em 4o no GP da Alemanha. Após um GP difícil na Áustria,
Émerson assistiria à tragédia da morte de Jochen
Rindt, nos treinos para o GP de Monza. Os dois outros pilotos do
Team Lotus (Fittipaldi e John Miles) e o inglês Graham Hill
(cuja equipe também usava o chassis Lotus) não correram,
nem na Itália, nem no Canadá. Rindt havia aberto uma
grande vantagem no campeonato, mas as vitórias dos ferraristas
Jacky Ickx (na Áustria e no Canadá) e Clay Regazzoni
(na Itália) passaram a ameaçar a conquista do título
mundial de pilotos e construtores. Na penúltima prova do
ano, porém, Émerson selaria o destino do campeonato
de 1970, ao conquistar uma vitória indiscutível em
Watkins Glen, nos EUA. A primeira vitória do jovem brasileiro
garantiria o título de construtores para a Lotus e, acima
de tudo, permitira que Jochen Rindt se tornasse o único campeão
póstumo da história da F1. Mesmo tendo disputado apenas
4 GPs, Émerson terminaria o campeonato em décimo lugar,
com 12 pontos.
1971 seria
o ano em que Jackie Stewart e sua Tyrrel reinariam absolutos.A vantagem
do escocês e seus 62 pontos para o segundo no campeonato (Peterson)
foi de 29 pontos e a Tyrrel, com seus 73 pontos, terminaria a temporada
com mais do dobro dos pontos da BRM, a vice-campeã. Naquele
ano, Émerson teria de se contentar com o papel de coadjuvante.
Num ano marcado por várias quebras (África do Sul,
Espanha, Alemanha), Fittipaldi teria de se contentar com um segundo
lugar na Áustria, terceiros lugares na França e na
Inglaterra e um quinto lugar em Mônaco. Isso lhe daria o sexto
posto no campeonato, com um total de 16 pontos.
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Emerson
com o Lotus 72-D
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Já 1972
viria como a redenção para Émerson e a Lotus,
com o modelo 72D finalmente produzindo resultados. O ano começaria
difícil, com uma quebra de suspensão na Argentina
e Stewart vencendo seu décimo-nono GP. A reação
se iniciaria na África do Sul, em que as sortes se inverteram
e, enquanto o escocês (que havia marcado a pole) abandonava
com problemas de câmbio na volta 45, Emmo chegaria em segundo,
entre as McLarens de Hulme e Revson. Na Espanha, Émerson
venceria, derrotando as errari de Ickx e Regazzoni. Após
o terceiro lugar nas ruas de Monte Carlo (onde havia marcado a primeira
pole de sua carreira), viria outra vitória (e a segunda pole
consecutiva), no GP da Bélgica, em Nivelle. No GP da França,
Jackie Stewart (que havia marcado somente 3 pontos nas 3 corridas
anteriores) reagiria, com Émerson tendo de se contentar com
a segunda colocação. Mas duas semanas depois, na Inglaterra,
tudo se inverteria, com o brasileiro vencendo e o escocês
chegando 4.1s atrás. O GP de Nurburgring seria dominado pelas
Ferrari, com Ickx vencendo da pole e Regazzoni chegando em segundo.
Para a sorte de Fittipaldi, que sofreu problemas de câmbio,
Stewart sofreria um acidente faltando uma volta para terminar a
etapa alemã. Émerson selaria o destino do campeonato
nas duas provas seguintes, com vitórias na Áustrua
e na Itália. Stewart venceria os dois últimos GPs,
no Canadá e nos EUA, mas já era tarde. A Lotus encerraria
o ano campeã, com 61 pontos, e Émerson Fittipaldi,
com a mesma pontuação, faria história, tornando-se
o primeiro brasileiro campeão mundial de F1. A curiosidade
fica por conta do fato de nenhum dos dois companheiros de equipe
de Émerson na Lotus naquele ano (Dave Walker e Reine Wisell)
ter conseguido marcar um ponto sequer, pilotando o mesmo carro do
campeão mundial...

Contrastando
com o ano de 1972, em que seus companheiros na Lotus eram muito
fracos, em 1973 Émerson teve de dividir a equipe com um grande
piloto: o sueco Ronnie Peterson. Não haveria preferência
na equipe, e a disputa seria aberta. Enquanto isso, na Tyrrel
a adversária mais séria da Lotus na luta pelo título
apesar de Stewart também compartilhar os recursos
da equipe com um grande piloto (François Cevert), o escocês
tinha a primazia para disputar o tri-campeonato. Os dois primeiros
GPs davam a entender que Émerson marcharia firme para o bi,
com vitórias na Argentina (seguido de Cevert e Stewart) e
Brasil (com Stewart e Hulme completando o podium). Stewart venceria
o GP da África do Sul, com Émerson em terceiro. O
brasileiro voltaria a abrir vantagem no campeonato com mais uma
vitória, desta vez na Espanha, enquanto Jackie abandonava
a prova com problemas de freio. Mas aquela seria a última
vitória do brasileiro no ano. A reação do escocês
viria logo em Zolder, na Bélgica, onde Stewart comandou a
dobradinha da Tyrrel, com Émerson completando o podium. Em
Mônaco, deu Stewart novamente, com a segunda colocação
de Émerson servindo-lhe apenas para manter a liderança
do campeonato por uma pequena margem. Seguiram-se vitórias
de Hulme na Suécia, Peterson na França e Revson na
Inglaterra, com três abandonos de Fittipaldi. Stewart praticamente
selaria o destino do campeonato ao vencer consecutivamente em Zandvoort
e Nurburgring e chegar em segundo na Áustria (com vitória
de Peterson). Quanto a Émerson? Abandonaria todas elas, perfazendo
um total surpreendente de 6 provas seguidas sem completar. O brasileiro
se recuperaria ao marcar dois segundos lugares em Monza e em Mosport
Park, no Canadá, provas vencidas respectivamente por Peterson
e Revson, mas já era tarde. Stewart já era tri-campeão,
numa temporada que seria encerrada coma vitória de Ronnie
Peterson nos EUA (em que Émerson terminou em sexto). No placar
do campeonato, Stewart ficou com 71 pontos, contra 55 de Fittipaldi,
52 de Peterson e 47 de Cevert.
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GP
de Mônaco (1973)
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Em 1974, a
tentação de pilotar para a McLaren, que contaria com
o patrocínio dos cigarros Marlboro (uma das parcerias que
mais tempo duraria na F1), falou alto. Stewart não estava
mais em cena, mas Peterson era, agora, o número 1 sem disputas
da Lotus, e Lauda, em sua primeira temporada pela Ferrari, prometia
dar muito trabalho. Para completar as dificuldades que enfrentaria
o brasileiro, Reutemann era uma ameaça mais do que evidente
a bordo da Brabham, o suíço Regazzoni continuava extremamente
rápido ao lado de Lauda na Rossa e um promissor Jody Scheckter,
que havia estreado no ano anterior, teria a seu dispor o veloz Tyrrel
007. O primeiro GP (na Argentina) terminaria com uma surpreendente
vitória de Denis Hulme, que havia largado em 10o. Mas o melhor
estava mesmo por vir duas semanas mais tarde, em Interlagos...
Émerson
marcou a pole, seguido de Reutemann, Lauda e Peterson, os três
a menos de um segundo de atraso para o brasileiro. A largada se
deu em circunstâncias estranhas, com a bandeira verde sendo
baixada antes do que se esperava. Com isso, Reutemann assumiu a
ponta, seguido de Peterson. Fittipaldi manteria o terceiro lugar,
enquanto Lauda, com problemas de motor abandonaria já na
volta de número 3. Reutemann viria a se arrepender da escolha
de pneus. O composto usado pelo argentino era macio demais e, com
o desgaste de pneus, não foi possível para ele segurar
Peterson e Fittipaldi. Os ex-companheiros de equipe Lotus puseram-se,
então, a travar uma batalha de gigantes, sob forte calor,
até que Émerson foi beneficiado por um pequeno furo
no pneu da Lotus do sueco, que teve de fazer um pit-stop não
programado. A tarde se encerraria com uma forte pancada de chuva
e com a consagração de Émerson, ao conquistar
pelo segundo ano consecutivo, o GP do Brasil. O outro brasileiro
na pista, Carlos Pace, terminaria em quarto.
O campeonato
permaneceria em aberto após os resultados das provas seguintes.
Reutemann venceria na África do Sul, com Émerson apenas
o sétimo. Lauda venceria na Espanha, com Fittipaldi chegando
em terceiro. O brasileiro venceria na Bélgica, com Lauda
colado em segundo. Peterson venceria como um vendaval em Mônaco,
mas o quinto lugar de Émerson lhe daria os pontos necessários
para permanecer na liderança do campeonato. O GP da Suécia
terminaria em decepção para os fãs locais,
que veriam Ronnie Peterson abandonar com problemas mecânicos.
Jody Scheckter venceria a primeira corrida de sua carreira, com
Patrick Depailler completando a dobradinha da Tyrrel, enquanto Fittipaldi
completava em quarto. As Ferrari se mostrariam em grande forma em
Zandvoort, com Lauda vencendo, seguido de Regazzoni. Émerson,
coma regularidade como marca registrada, completaria o podium. Na
França, seria a vez de Peterson vencer, com Émerson
abandonando com problemas de motor. O sueco seria seguido pelas
Ferrari de Lauda e Regazzoni e a Tyrrel de Scheckter. Duas semanas
mais tarde, o sul-africano não deixaria sombra de dúvidas
sobre seu talento ao vencer o GP de Brands Hatch, seguido de Fittipaldi,
Ickx, Regazzoni, Lauda e Reutemann. O piloto suíço
da Ferrari seria a grande estrela em Nurburgring, ao vencer com
quase um minuto de diferença para Scheckter. Reutemann completaria
o podium, seguido de Peterson. Outro abandono de Émerson
(uma das raras vezes em que o piloto brasileiro se envolveu em acidentes)
colocava em xeque suas ambições de conquistar o bi-campeonato.
O quadro continuaria indefinido faltando três provas para
o fim da temporada, após a vitória do argentino Carlos
Reutemann no GP da Áustria em Osterreichring. Em Monza, Peterson
sairia vencedor, sob forte pressão de Émerson, que
chegou apenas 8 décimos atrás do sueco. Os dois principais
candidatos ao título conquistariam as duas primeiras posições
no Canadá, com Fittipaldi em primeiro e Regazzoni em segundo.
No GP dos EUA, o brasileiro finalmente pôde respirar aliviado,
ao chegar em quarto lugar. Reutemann venceria a prova, fazendo uma
dobradinha da Brabham com Pace, mas o argentino já não
estava no páreo. Regazzoni foi apenas o décimo-primeiro,
enquanto Scheckter, Peterson e Lauda abandonaram. Com 55 pontos
(contra 52 de Regazzoni, 45 de Scheckter, 38 de Lauda, 35 de Peterson
e 32 de Reutemann), Émerson Fittipaldi era bi-campeão
mundial!
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Emerson
"voando" com a McLaren
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Em 1975, Émerson
Fittipaldi continuaria a correr com a McLaren, mas Niki Lauda e
sua Ferrari viriam a ser os donos da festa. Naquele ano, Émerson
conquistaria vitórias na Argentina (na abertura do campeonato)
e na Inglaterra, sua última na Fórmula 1. Outros bons
resultados seriam as segundas colocações no Brasil
(completando a dobradinha atrás de Carlos Pace, feito que
só seria repetido por Piquet e Senna mais de uma década
depois), em Mônaco, na Itália e nos EUA. O ano se encerraria
com Émerson conquistando seu segundo vice-campeonato, com
45 pontos.

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Sofrendo
com o Copersucar...
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Após
dois títulos de campeão e dois vice-campeonatos, a
carreira vencedora de Émerson sofreria um forte revês
a partir do ano de 1976, em que a Fittipaldi/Copersucar estrearia.
Naquele ano, seria criada uma equipe que recebia o nome do brasileiro,
mas que jamais se tornaria vencedora e promoveria um dos maiores
desperdícios de talento da história do automobilismo
brasileiro, com Émerson se vendo privado das chances de continuar
a disputar vitórias.
Na década
de 1970, o Brasil ainda respirava os ares sombrios do regime de
exceção. Mesmo não contando com a mesma força
do final dos anos 60 e do início da nova década, em
1975 o regime militar ainda buscava mecanismos para fazer crer que
o Brasil vivia um período de avanços e de desenvolvimento.
Dentre estes mecanismos, estavam os incentivos a projetos tecnológicos
de utilidade duvidosa... Um deles, o patrocínio fundamentalmente
estatal (apesar de eventualmente empresas privadas, como a Skol,
terem contribuído para o projeto) a uma equipe de F1 100%
brasileira. À frente dela, colocando a mão na massa,
havia talentos inegáveis, como o do bi-campeão do
mundo e de dedicados e esforçados técnicos e mecânicos
brasileiros. Atrás dela, porém, havia a mão
do Estado ditatorial, através da companhia estatal de açúcar,
a Copersucar. O carro, mesmo não sendo o pior daqueles equipados
com motores Ford Cosworth, viraria motivo de piada em todo o território
nacional, sendo apelidado de açucareiro.
Na estréia
do novo time, no GP do Brasil de 1976, apesar de largar em 5o, Émerson
ficaria apenas em 13o. O primeiro ponto viria na terceira prova
do campeonato, com o sexto lugar de Émerson em Long Beach.
O mesmo resultado seria repetido em Mônaco e na Inglaterra,
mas a marca registrada seriam os abandonos (Kyalami, Espanha, Suécia,
França, Áustria, Holanda, Canadá e Japão),
e os desempenhos sofríveis do carro, com Émerson chegando
até a não conseguir tempo para disputar o GP da Bélgica.
Em 1977, o carro pelo menos se mostraria mais confiável,
e Émerson colecionaria dois quartos lugares no Brasil, na
Argentina e na Holanda e um quinto em Long Beach, mas ficaria fora
do grid em duas oportunidades. 1978 seria o melhor ano do time,
com Émerson colecionando 17 pontos, com o 2o lugar no Brasil,
o 4o lugar na Alemanha e Áustria, o 5o lugar na Holanda e
em Watkins Glen e o 6o lugar na Suécia.
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Encerrando
a carreira na Fórmula 1
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De 1979 em diante,
a equipe Fittipaldi/Copersucar entrou definitivamente em declínio
e, com ela, as estatísticas de Émerson. O brasileiro
raramente pontuaria, abandonaria corridas com freqüência
com problemas mecânicos e seria visto, tristemente, disputando
as últimas posições. O 3o no GP de Long Beach
de 1980, vencido por Piquet, seria seu último momento de
glória na F1, muito pouco para tamanho talento na arte de
guiar. A equipe Fittipaldi/Copersucar permaneceria ativa até
o ano de 1982, colecionando 44 pontos em 7 anos de existência.

Em 1984, se
iniciava uma nova etapa na carreira de Émerson! O primeiro
ano não foi fácil, pois foi necessário que
Émerson se adaptasse ao american way of drive,
especialmente aos circuitos ovais.
Mas em 1985,
já conhecendo o caminho das pedras no Novo Mundo, já
podíamos ver de volta o velho Émerson. Pilotando para
Pat Patrick, ele liderava as 500 milhas de Indianápolis,
após ter largado em quinto, mas seu carro perdeu rendimento
próximo ao final e Fittipaldi terminou em décimo-terceiro.
Uma bela temporada, no entanto, foi o suficiente para garantir ao
brasileiro a sexta colocação no campeonato, com uma
vitória, 104 pontos e mais de meio milhão de dólares
em prêmios.
No ano seguinte
(1986), uma vitória, a sétima colocação
no Brickyard e no campeonato, com 103 pontos, lhe permitiram superar
a barreira de um milhão de dólares em prêmios.
Em 1987 e 1988, uma série de vitórias e um segundo
lugar em Indianápolis (em 1988) contribuíram para
engordar seu currículo (e sua conta bancária...).
Émerson terminaria o campeonato de 1987 com duas vitórias
e 78 pontos, e em 1988 seria o sétimo colocado, novamente
com duas vitórias, marcando 105 pontos e colecionando mais
de 700.000 dólares em prêmios. Era o exemplo clássico
de um piloto extremamente maduro e inteligente aprendendo aos poucos
uma nova arte e se aproximando novamente do topo de sua forma.
Enfim, 15 anos
após se sagrar bi-campeão mundial de F1, um novo ápice
surgia na carreira de Émerson! Em 1989, Fittipaldi conquistaria
as 500 milhas de Indianápolis pela primeira vez (feito que
repetiria 4 anos mais tarde), em um final emocionante, com direito
a toques de roda a 350km/h com Al Unser Jr. Com um total de 5 vitórias,
4 poles e 196 pontos e liderando mais voltas do que qualquer outro
piloto (584 voltas como líder), Emmo dominaria a temporada
e se sagraria campeão. A soma dos prêmios arrebatados
pelo naquele ano seria estratosférica: U$ 1.712.578,00!
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Vencendo
as 500 Milhas de Indianápolis
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Em 1990, Émerson
deixaria a equipe Patrick para se unir em parceria com Roger Penske.
Em seu primeiro ano no novo time, marcaria a pole em Indianápolis
a mais de 360km/h de média e lideraria a legendária
corrida até próximo do final, quando foi superado
por Arie Luyendyk e Bobby Rahal. A temporada se encerraria com Emerson
em quinto no campeonato, 144 pontos e uma vitória, e novamente
ganhando mais de um milhão de dólares em uma única
temporada.
Nos dois anos
que se seguiram, outras seis vitórias, sendo uma em 1991
e cinco em 1992, igualando seu recorde pessoal de vitórias
em uma única temporada. Emmo terminaria os dois campeonatos
na quinta e quarta colocações, respectivamente.
Em 1993, Émerson
reviveria a glória no Brickyard, vencendo pela segunda vez
as legendárias 500 milhas de Indianápolis. Com outras
2 vitórias somadas a 2 poles e pela terceira vez em sua carreira
superando a casa de um milhão de dólares em uma só
temporada, Émerson, quase aos 47 anos, conquistaria o vice-campeonato,
ficando com seus 183 pontos atrás apenas do
estreante Nigel Mansell.
1994 seria
um ano marcado pelo domínio da Penske e por uma temporada
brilhante por parte de Al Unser Jr. O campeonato seria vencido pelo
americano, com Émerson e Paul Tracy (seus companheiros de
equipe) ocupando as posições seguintes. Naquele ano,
o brasileiro acrescentaria outra vitrória ao seu cartel.
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Emerson
"segurando" Jacques Villeneuve
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Em 1995, Emmo
conquistaria novamente apenas uma vitória, mas o perene,
já quase cinqüentenário piloto, deixaria uma
herança inestimável para o nosso automobilismo: a
invasão brasileira na CART. Naquele ano, além de Émerson,
disputariam o campeonato outros 6 brasileiros: Maurício Gugelmin,
Raul Boesel, André Ribeiro, Marco Greco, Gil de Ferran e
Christian Fittipaldi, os dois últimos brilhando e disputando
até a última prova o título de estreante do
ano, conquistado por Gil por meros 2 pontos. No ano seguinte, em
vias de completar 50 anos, Fittipaldi faria suas últimas
aparições ao volante de um bólido da CART.
A aposentadoria como piloto seria abreviada por acidentes: um nas
pistas, que lhe resultou em uma lesão perigosa nas vértebras;
outro quando voava de ultra-leve. Mas o legado já havia sido
deixado, para todos verem, e Émerson permaneceria vivo, ativo
e envolvido com o esporte, na condição de empresário.
Se é
verdade que se foi o tempo em que se encontrava um Doutor em Economia
Política (como Nino Farina) vencendo ao volante de um carro
de corrida, Émerson Fittipaldi, cuja carreira só veio
se encerrar nos anos 90, desmente que haja incompatibilidade entre
velocidade, de um lado, e cultura e elegância, do outro, mesmo
nos dias de hoje. Tendo vivido em três continentes, falando
cinco línguas e invariavelmente sagaz e articulado, construiu
uma carreira singular. Num mundo sujo de graxa e cheirando a gasolina
e metanol, é fácil achar classe e sofisticação.
Basta procurar Emmo.
Mas procurar
Émerson também significa encontrar velocidade. Fittipaldi
e o americano Mario Andretti são os únicos homens
do planeta a terem vencido até hoje os campeonatos da F1
e da CART e as 500 milhas de Indianápolis. E mais... Velocidade
com pioneirismo, tendo ele sido o primeiro brasileiro a conquistar
títulos na F1 e na CART.
Entretanto,
o mais duro quando se trata de falar de Emmo é que geralmente
não são os pioneiros os que vão mais longe.
Piquet e Senna conquistaram mais do que Emmo na F1. É possível
também que algum dos jovens talentos brasileiros hoje na
CART (seja Hélio, Cristiano ou Tony) também colecione
mais vitórias na Terra do Tio Sam do que ele. Mas uma coisa
tem de ficar clara. Sem os pioneiros, não haveria os seguidores.
Sem Émerson, com certeza não existiria todo esse fascínio
em torno do esporte motor que existe no Brasil há quase três
décadas. Nossos parabéns e nossa reverência
ao eterno desbravador!
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Jackie
Stewart entrevista Emerson Fittipaldi
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Texto de Alexandre Araújo Costa |

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