F1 – Próximo domingo será “quente”

Largada – EUA 2018

Por: Adauto Silva

Para quem é brasileiro e fã de F1 domingo será um dia decisivo. Não sei o que está mais difícil; Hamilton perder o campeonato ou Bolsonaro perder a eleição. Para esses dois fatos acontecerem será necessário um hecatombe poucas vezes visto!

Não que a conquista de Hamilton vá mudar a vida de alguém. Talvez nem a dele, afinal o sentimento de vitória em esportes é muito efêmero, dura pouco.

O que certamente já mudou para mim é a percepção em relação a Lewis Hamilton, independente do resultado do próximo domingo.

Lewis, na minha opinião, é o único piloto nos últimos 46 anos – tempo em que acompanho a F1 – que conseguiu se colocar na mesma prateleira de Ayrton Senna.

Lewis tem mais sorte que Senna teve, já que não há outro piloto de exceção competindo contra ele. Senna tinha Prost, Hamilton tem tido Vettel, que como venho afirmando desde o início de 2017 não tem a menor condição de competir de igual para igual contra o inglês. Vettel precisa de um carro dominante e um companheiro de equipe fraco para ser campeão, essa é a diferença.

Alonso seria atualmente o único piloto que Lewis temeria, mas seu McLaren está fora de combate há muitos anos. Depois temos Max, mas ele ainda é muito jovem, ainda tem muitos altos e baixos típicos da idade e portanto, numa disputa por título contra Lewis hoje provavelmente sucumbiria mentalmente como acontece com Vettel.

Mas isso mudará e provavelmente aquela minha “profecia” que Max será o próximo piloto dominante da F1 vai se concretizar em alguns poucos anos. Basta que ele tenha equipamento para isso. A batalha dos dois foi bacana no GP dos EUA. Hamilton mostrou que já respeita Max dando a ele mais espaço que o necessário naquela tentativa de ultrapassagem. Lógico que temos que levar em consideração que Lewis não podia arriscar. Ele está na frente no campeonato, muito na frente. E quem está na frente não arrisca. Isso é coisa para quem vem atrás.

Mas esse ano nem sempre foi assim. Lewis passou a maior parte do tempo com um carro inferior a Vettel e teve que arriscar muito para fazer algumas poles e vencer algumas corridas. Em todas ele conseguiu, nunca cometeu um erro sequer. Ele se mostrou melhor inclusive que a poderosa equipe Mercedes, que errou muito em algumas estratégias – tanto que seu estrategista quase foi mandado embora e não decide mais tudo sozinho.

Falando em estratégia, muitos acharam que a Mercedes errou ao parar Lewis muito cedo em Austin e por isso ele teve que fazer duas paradas. Na verdade não foi um erro, até porque Bottas parou só uma vez e ficou com os pneus traseiros destruídos nas 10 voltas finais. Mas por que a Mercedes ficou sem pneus no final, por que as bolhas voltaram a aparecer?

Alguns fatores somados. A FIA sugeriu que a Mercedes tapasse os pequenos orifícios que o carro tinha desde a Hungria no cubo de roda. Poderia haver um veredito bizarro que isso pode ser considerado um apêndice aerodinâmico móvel, que é proibido pelo regulamento. Ora, é evidente que não se trata de aero mas sim de refrigeração dos pneus. Esses orifícios servem para dissipar o calor gerado nos pneus de dentro para fora, justamente para evitar o desgaste térmico e o consequente aparecimento de bolhas. Nicholas Tombazis, comissário técnico da FIA e ex-diretor da Ferrari, já tinha liberado esse cubo de roda da Mercedes, mas uma carta da Ferrari para a FIA fez os alemães seguirem a sugestão da FIA para evitar um protesto pós-corrida da Ferrari.

Mas além do cubo de roda, a Mercedes – assim como todas as equipes – teve quase tempo nenhum para acertar sua suspensão para essa pista, ainda mais sem essa solução de refrigeração dos pneus que vinha funcionando muito bem desde a Hungria. E pelas minha fontes, a tacada final para que o carro destruísse os pneus foi o aumento imposto pela Pirelli da calibragem mínima em 1,5 PSI no dia da corrida.

Vamos ver como a Mercedes vai lidar com o cubo de roda no México no próximo domingo, mas desde já a Ferrari é a franca favorita para a vitória no Hermanos Rodrigues, ainda mais depois das atualizações trazidas para o carro antes do GP dos EUA, que mostramos aqui.

Falando em Ferrari, muita gente – principalmente a mídia italiana – tem colocado a culpa dos fracassos da Ferrari em Vettel. Eu não concordo. Vettel é esse desde sempre e está fazendo seu melhor. O problema é a cúpula da Ferrari, principalmente Arrivabene, que é muito fraco tecnicamente e muito emocional mentalmente. Um cara na posição dele precisa ter noções técnicas acima da média dos outros chefes de equipe e ser mais pragmático. Essas duas fraquezas óbvias que ele apresenta o impede inclusive de avaliar o desempenho dos que estão a sua volta, inclusive de seus pilotos.

Sebastian Vettel venceria fácil sem mais um erro de primeira volta. Arrivabene não enxerga isso? Definitivamente ele não serve para a Ferrari.

Um fato que me deixou feliz foi Kimi ter vencido o GP dos EUA. Não é todo dia que um piloto aposentado-em-atividade consegue vencer uma corrida, que aliás foi ótima, uma das melhores do ano com pegas em todos os lugares do pelotão do começo ao fim!

Nos “vemos” semana que vem!

Adauto Silva
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AS - www.autoracing.com.br

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