F1 – Por que a Ferrari trocou Arrivabene por Binotto?

Arrivabene, Marchionne e Binotto

A Ferrari não conseguiu conquistar nenhum título em 2017 e 2018 em meio a uma série de erros dos pilotos e de seu gerenciamento.

Arrivabene era o chefe da equipe desde dezembro de 2014 vindo do principal patrocinador, a gigante do tabaco Philip Morris, onde ele era vice-presidente. Entre 2011 e 2015 ele também acumulou as funções na Ferrari com a de um importante dirigente de futebol na Juventus de Turim, time que também pertence a família Agnelli.

Ele estava no comando da Ferrari, enquanto a equipe teve um aumento não visto desde o início do século na competitividade nas duas últimas temporadas.

Para alguns, ele era visto na F1 apenas como uma figura secundária da Ferrari, com o poder real nos ombros do ex-presidente Sergio Marchionne, que planejou e concluiu uma remodelação do departamento técnico em 2016 com grandes frutos em 2017, mas morreu de complicações durante uma cirurgia de câncer em julho passado.

A intenção de Marchionne antes de sua morte era remover Arrivabene e substituí-lo por Binotto, que levou o departamento técnico da equipe a uma série de inovações de design amplamente copiadas pelos rivais desde 2016.

Após a morte de Marchionne, houve uma luta de poder entre Arrivabene e Binotto várias vezes publicada pelo Autoracing.

Binotto, de 49 anos, havia sido abordado por outras equipes, e John Elkann (CEO) decidiu que continuar com o plano de Marchionne era a melhor opção.

No entanto, a partida de Arrivabene apenas dois meses antes do início da nova temporada, em 17 de março, inevitavelmente levantará dúvidas sobre como a mudança afetará a gestão da única equipe que foi capaz de desafiar regularmente a campeã mundial Mercedes nos últimos dois anos.

O fracasso da Ferrari em conquistar o título no ano passado foi em grande parte devido a erros do piloto principal, Sebastian Vettel, e algumas falhas de gerenciamento operacional, das quais Arrivabene tinha total responsabilidade.

Sob Arrivabene, a Ferrari realizou uma revisão interna do fracasso de 2018, cujas conclusões eram de que o problema fundamental era que eles precisavam de um carro mais rápido para cumprir sua ambição de derrotar a Mercedes pelo título.

Além disso, Arrivabene concluiu que os erros de Vettel eram porque ele precisava forçar mais do que ele gostaria, a fim de compensar as deficiências do carro. O problema é que essa visão não foi e não é compartilhada pela cúpula da Ferrari e pela maioria dos membros do alto e médio escalão técnico, que consideram que a Ferrari teve carro sim para vencer os títulos de 2017 e mais ainda em 2018.

E por essa visão que predominou, Vettel e o gerenciamento da Ferrari desperdiçaram uma série de oportunidades que, se eles tivessem se apoderado de todas elas, poderiam ter visto o alemão bater Lewis Hamilton, da Mercedes, pelo título de pilotos e a dupla bater a da Mercedes pelo de construtores.

Outra batalha que Arrivabene perdeu foi a chegada de Charles Leclerc. O italiano preferia e externou algumas vezes que queria a continuidade de Kimi Raikkonen, enquanto Binotto, mais capacitado para avaliar o poderio técnico do carro, preferia trocar o finlandês pelo jovem monegasco.

Dizem que Binotto foi o principal apoiador do plano de Marchionne em trazer Leclerc para o lugar de Raikkonen, além de achar que Vettel foi pouco cobrado (por Arrivabene) por seus seguidos erros de pilotagem em 2017 e principalmente em 2018.

Outro problema da administração Arrivabene na Ferrari foi a quase total falta de comunicação com o mundo exterior. Ele parou de fazer briefings regulares da mídia em todas as corridas, e suas aparições obrigatórias em coletivas de imprensa oficiais nas corridas eram frequentemente caracterizadas por uma atitude um pouco desdenhosa em relação às perguntas.

Como tal, Arrivabene operou um estilo de gestão muito diferente dos seus homólogos da Mercedes e da Red Bull, Toto Wolff e Christian Horner respectivamente.

Binotto é altamente considerado como um líder de engenharia. Os insiders dizem que ele tem uma visão boa e arredondada dos negócios da Ferrari na F1, mas pode precisar de alguma ajuda no lado comercial da empresa.

Isso incluirá a relação entre a Ferrari e o Grupo de F1 em um momento crítico em relação a novos contratos para substituir os existentes entre as equipes e o esporte que acabará no final de 2020. Discussões sobre uma nova relação comercial e mudanças nas regras técnicas estão em curso há algum tempo sem qualquer conclusão.

Como tal, alguns dizem que ele compartilha algumas das características do ex-diretor técnico da Ferrari, Ross Brawn, outro engenheiro que se tornou chefe e depois diretor de equipe.

AS - www.autoracing.com.br

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