F1 – Nova teoria sobre trapaças de Schumacher em 1994

Ayrton Senna – Williams 1994

O site MSN, através de Brett Graham, lançou uma nova luz foi sobre uma das maiores controvérsias da história da Formula 1 – se Michael Schumacher trapaceou ou não para conquistar seu primeiro campeonato mundial em 1994.

A declaração de Ayrton Senna ficou famosa por acreditar que a equipe Benetton de Schumacher estava usando controle de tração para minimizar derrapagens das rodas sob forte aceleração, que havia sido banida desde o início da temporada de 1994.

Senna morreu depois de bater durante o GP de San Marino, em 1994, com alguns acreditando que ele forçou sua Williams além do limite em uma tentativa desesperada de ficar à frente do carro ilegal de Schumacher.

Senna havia abandonado na primeira volta da corrida anterior no Japão, e antes de retornar aos boxes, ficou na pista para observar seus rivais, ficando desconfiado sobre a legalidade do carro de seu rival principal depois de ouvir o ronco do motor durante a frenagem e reaceleração.

“O próprio Senna estava convencido de que havia algo diferente no carro de Schumacher”, disse o ex-gerente da Williams, Ian Harrison, à Autosport em 2014.

“Se houve ou não, eu não sei, mas Senna tinha absoluta certeza de que havia.”

As suspeitas ganharam mais credibilidade em 2011, quando o companheiro de equipe de Schumacher em 1994, Jos Verstappen, alegou que o alemão estava usando dispositivos eletrônicos de ajuda à condução proibidos.

Agora uma nova teoria surgiu, que algumas ex-figuras da F1 acreditam deixar Schumacher isento.

Um livro recém-publicado – 1994: The Untold Story of a Tragic and Controversial Season (1994: A História Não Contada de Uma Temporada Trágica e Controversa), mostra a ideia de que a técnica de Schumacher de frear com o pé esquerdo poderia ter enganado Senna a pensar que a Benetton era ilegal.

Frear com o pé esquerdo era novidade na F1 em 1994, mas Schumacher rapidamente se adaptou e os rastros de telemetria de sua carreira mostraram como ele usava o pé direito para manter 10-15% de aceleração mesmo enquanto freava com o pé esquerdo. Este método mantinha o carro estável e permitia que a aerodinâmica funcionasse de forma mais eficiente.

Willem Toet, o chefe de aerodinâmica da Benetton em 1994, acredita que foi a técnica de Schumacher que Senna confundiu com o controle ilegal de tração.

“Eu acho que foi o uso de freio de pé esquerdo combinado com o acelerador que teria feito o barulho estranho”, disse ele.

“Teria sido estranho ouvir o motor trabalhando nesses lugares na pista.”

“Isso é o que eu acredito ser o cenário mais provável”.

Mark Blundell guiou para a Tyrrell em 1994, e concorda que a frenagem com o pé esquerdo “se tornou uma tendência nesse estágio” e “teria feito um som diferente”.

As suspeitas de que a Benetton era ilegal atingiram o ápice no meio da temporada de 1994, depois que o órgão regulador do esporte, a FIA, apreendeu a caixa preta que continha o software de gerenciamento do motor.

Uma análise independente do código-fonte revelou que a Benetton tinha um software “capaz de violar as regulamentações” e, embora a equipe admitisse a existência do código, alegou que ele era redundante e não poderia ser ativado por Schumacher.

As regras na época apenas impediam o uso do controle de tração, não a existência de software que pudesse ser usado para implementá-lo. Mas não parece haver qualquer lógica em uma equipe ter um dispositivo ilegal num carro para não usá-lo. De qualquer maneira, como a FIA não conseguiu provas de que estava sendo usado, nenhuma ação foi tomada.

Um mecânico do companheiro de equipe de Senna, Damon Hill, também revelou que a fornecedora de motores Renault estava convencida de que a Benetton estava usando o controle de tração com base na análise de gravações de áudio. O dono da equipe, Frank Williams, confirmou que Senna queria apresentar um protesto oficial, mas Williams optou por não fazê-lo.

Em uma temporada cheia de controvérsias, a disputa pelo título foi até a última corrida em Adelaide. Com Schumacher a apenas um ponto na frente de Hill, os dois lutavam pela liderança da corrida quando Schumacher perdeu o controle de seu carro numa curva, bateu no muro e retornou à pista jogando seu carro em cima do de Hill na curva seguinte, o que colocou ambos os pilotos fora da corrida dando o título a Schumacher.

Embora muitos sentissem que Schumacher causou a colisão deliberadamente, sabendo que seu carro danificado não teria conseguido terminar a corrida, a equipe de Hill se recusou a protestar.

“Nós da Williams já estávamos 100% certos de que Michael era culpado do crime”, disse o diretor técnico Patrick Head.

“Nós consideramos seriamente a apresentação de um protesto formal com base no fato de que ele tinha sido tão descarado. Mas 1994 foi um ano tão terrível – em outras palavras, porque Ayrton Senna havia sido morto em um de nossos carros – nós realmente não achamos que seria certo Damon vencer o campeonato mundial naquele ano, especialmente num tribunal, então não protestamos.”

Embora os comissários tenham investigado o acidente e não tenham atuado, o chefe da FIA, Max Mosely, revelou mais tarde em sua autobiografia que ele se sentia diferente.

“Minha opinião pessoal é que Michael teve muita sorte de não ser penalizado e, assim, perder seu campeonato mundial.”

Isso pôs fim a uma temporada de acrimônia, embora as acusações de que ele trapaceou no caminho para o título de 1994 ficassem em Schumacher pelo resto de sua carreira.

“Eu nunca usaria um sistema ilegal”, disse Schumacher em 1998.

“Eu sei que em 1994 não tivemos nada de ilegal, mas houve tanta conversa que se tornou a verdade.”

E à medida que o 25º aniversário dessa terrível temporada se aproxima, talvez este novo livro nos aproxime um pouco mais da descoberta do que realmente aconteceu.

AS - www.autoracing.com.br

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