F1 – Monaco molhado

Ayrton Senna em Monaco 1984

Ayrton Senna em Monaco 1984

Colaboração: @flaviomperes

Tenho percebido, nos últimos anos, talvez na última década, que a nova geração já não enxerga no GP de Mônaco algo tão grande como realmente é. Chocou algumas pessoas, o fato de Fernando Alonso, que já foi vencedor lá, escolher correr as 500 milhas de Indianapolis, ao invés de prestigiar a prova monegasca. Mas Alonso não está de todo errado: o que está terrivelmente errado é a coincidência de datas, de duas provas tão importantes, no calendário anual do automobilismo. Alonso deseja as 500 milhas por que a considera tão importante quanto a vitória em Mônaco (ao lado das 24 horas de Le Mans). Vencer as 3 é buscar o reconhecimento a seu talento, é se aventurar – o que anda faltando neste mundo de marketing e interesses meramente econômicos. Claro que um GP como o de Mônaco não deveria ficar sem um grande piloto, em atividade, como Fernando Alonso. Mas o certo seria ele poder correr as duas provas.

A Liberty Media Corporation, nova proprietária da F1, deveria valorizar mais o GP de Mônaco, recuperar o seu prestígio. De todas as ideias extravagantes de Bernie Ecclestone, molhar artificialmente as ruas de Monte Carlo – com água do mar -, durante todo o desenrolar da prova, parece definitivamente acertada: é algo que extrai tudo dos pilotos e faz com que as ultrapassagens sejam possíveis lá. Além disso, o vencedor do GP de Mônaco deveria ganhar 30 pontos e voltar a subir ao pódio sem a presença de outros pilotos, como era antigamente. Devolveria toda a pompa e circunstância necessárias a tal prova.

Lógico, as equipes precisariam discutir alguns detalhes, para ajustar e aprovar tal ideia. Se estiver aquele chove e para, melhor deixar a indefinição da natureza e não molhar mais nada quando parar de chover. Este ano, imaginem: os carros são mais largos e somente Mercedes e Ferrari tem chances de vitória no seco. Mas, Mônaco, na chuva, separa o joio do trigo, mostra quem realmente é capaz de tirar no braço. Com a pista molhada o final de semana inteiro, de pronto, a Red Bull e seus pilotos já entrariam na luta pela vitória; as ultrapassagens reais retornariam (lembram-se, claro, das ultrapassagens de Ayrton Senna e Stefan Bellof em 1984, ou mesmo aquelas de Rubens Barrichello em prova primorosa em 1997). Talvez, até Alonso se animasse a participar, haja vista que o sétimo posto não seria o resultado máximo possível. Quem sabe algum jovem talento, eclipsado pelas limitações de seu carro, nos surpreendesse? As alternativas seriam bem maiores. E vencer o GP de Mônaco voltaria a ser uma honraria.

Flávio M Peres‏
Poços de Caldas – MG

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