F1 – Mercedes , Ferrari e Red Bull. Quem começa em vantagem?

Pré-temporada F1 2018

Por: Adauto Silva

Os treinos de pré-temporada são a única oportunidade que as equipes de F1 tem para avaliarem seus carros e a concorrência na pista antes da temporada começar, daí sua importância determinante para todos que participam.

Antigamente era normal alguma equipe esconder a performance ou andar com o carro abaixo do peso, para por exemplo, mostrar algo que não tinha para patrocinadores. Hoje isso não acontece mais pela simples razão que não existem outros treinos, além desses, para as equipes saberem se o que elas fizeram no inverno europeu vai funcionar.

Este ano os treinos foram dramaticamente prejudicados pelo clima. Os primeiros quatro dias, ou a primeira parte como gostam alguns, foi praticamente inútil, já que fez tanto frio que nenhuma equipe conseguiu mostrar todo seu potencial. Há muitos e muitos anos não fazia tanto frio em Barcelona como de 26 de fevereiro a 1 de março. Isso sem contar a chuva fina e a neve que caiu principalmente no terceiro dia de treinos, uma quarta-feira.

Circuito de Barcelona-Catalunha, 28/02/2018

Então restaram apenas quatro dias realmente uteis, o que é pouco, muito pouco.

Ano passado a Mercedes havia sido um pouco melhor nos primeiros quatro dias. Mas a Ferrari deu o troco nos últimos quatro dias, já que além da Mercedes ter tido que tirar a suspensão hidráulica que havia usado – nos primeiros quatro dias -, a Ferrari conseguiu fazer uma atualização aerodinâmica entre a primeira e a segunda parte do treino e a soma desses dois fatores deram a vantagem para Maranello na primeira parte da temporada regular.

Dessa vez não houve tempo para nada. Sem dados minimamente confiáveis dos primeiros quatro dias, as equipes foram para os últimos quatro dias totalmente vendidas quanto a seus reais desempenhos. Simulação? Esquece. Por melhor que seja a simulação de um carro totalmente novo de F1, ela não passa de 90 – 95% da realidade de pista. E essa diferença de 5 a 10% é uma vida em automobilismo.

Para os últimos quatro dias as equipes tiveram que fazer escolhas, já que não dá pra testar tudo de um carro novo com UP nova e pneus novos em apenas quatro dias. Focar em desempenho ou confiabilidade? Desempenho em volta lançada ou em long runs? Isso determina todo o resto. Se você focar em volta lançada obrigatoriamente terá que usar mais os pneus mais macios e vice-versa.

Mercedes e Ferrari, as duas principais protagonistas de 2017 focaram em seus traumas do ano passado. A Ferrari tomou um monte de poles da Mercedes em 2017, enquanto a Mercedes viu a Ferrari andando melhor em corrida e muito melhor em corridas em pistas mais sinuosas.

Portanto nos últimos quatro dias de testes vimos a Mercedes focar muito mais em long runs com compostos não tão macios e a Ferrari em voltas voadoras com os pneus mais macios que a Pirelli tem. E isso pode confundir todo mundo e todas as análises dessa pré-temporada!

A Ferrari fez os melhores tempos no penúltimo e último dias, mas estava com pneus hiper macios e deu poucas voltas ao fazer esses tempos, o que sugere pouca gasolina e consequentemente carro mais leve. Não vimos a Mercedes e nem a Red Bull fazerem isso. Elas focaram em pneus macios e médios com stints de muitas voltas sem reabastecer, o que sugere que estavam em condições de corrida, não de classificação.

Já a Ferrari, além de treinar stints de classificação, não teve como escapar de fazer simulações de corrida. Portanto, conhecemos as simulações de corrida das três equipes top, mas não conhecemos o potencial real de classificação da Mercedes e da Red Bull.

Lógico que é mais fácil você supor o potencial de classificação baseado na realidade de stints longos do que o inverso. Mas mesmo assim é suposição.

Bem, vamos analisar a ordem hierárquica baseada no que vimos e nos dados que guardamos.

Lewis Hamilton

O pódio
Seis pilotos disputarão quase todos os pódios nesse ano. Hamilton, Bottas, Verstappen, Ricciardo, Vettel e Raikkonen.

Hamilton e Bottas saem na frente porque a Mercedes começa o ano mais rápida. Quão mais rápida? Aí é que está… é muito difícil prever. Tem gente que falou em 1 segundo por volta. Obviamente trata-se de uma previsão absurda, eu diria até bizarra. A maior vantagem da Mercedes é com pneus médios e ela mal chega a meio segundo. Com pneus macios essa vantagem cai para cerca de 0.3s.

Mas a Mercedes ainda tem um problema. Sua nova suspensão parece ter corrigido as dificuldades do ano passado, mas em compensação trouxe de volta uma antiga, o desgaste prematuro dos pneus. Nos stints longos, principalmente com os pneus mais macios, seus tempos de volta começam a piorar antes da Ferrari e da Red Bull. É nisso que a Mercedes vai trabalhar até Melbourne, pois esse é seu ponto fraco nesse início de ano. Não adianta você ter boa vantagem com um tipo de pneu que será pouco usado no ano. O composto médio deste ano é como se fosse o duro do ano passado, ou seja, será pouquíssimo usado.

O “grande” composto desse ano é o macio, pois será o composto usado por mais tempo em corrida. Depois vem o super macio que, se alguma equipe conseguir usá-lo bem, terá grande vantagem sobre sua concorrência direta. Nessa pré-temporada não foi possível identificar se alguém tem um carro que se destaca com os super macios. O que deu pra saber é que a Mercedes certamente não é, pelo menos por enquanto…

Sebastian Vettel

Atrás da Mercedes está a Ferrari, mas a diferença para a Red Bull parece tão pequena que não está claro quanto. Nesse momento, em Barcelona a Ferrari foi de 0.1s a 0.2s mais rápida em ritmo de corrida que a Red Bull. Mas isso pode e deve mudar até Melbourne, já que a Ferrari já vai chegar com um novo pacote aero e tudo indica que a Renault tem uma gordurinha na UP de cerca de 20 hp para entregar na Austrália para sua própria equipe e clientes.

A “vantagem” que a Ferrari tem hoje sobre a Mercedes e a Red Bull é conhecer literalmente seu potencial em uma volta de classificação. E esse potencial é bom. Vettel e Raikkonen conseguiram andar em 1m17s baixo com hiper macios contra 1m18.4s de Hamilton e Bottas com ultra macios. 1,2s de diferença quando a Pirelli afirma que a diferença entre esses dois compostos é de 0,7 / 0,8s. Lógico que isso não é definitivo, uma vez que esses tempos foram obtidos em dias diferentes e provavelmente com o tanque em níveis diferentes. Mas já é um indicativo…

Ricciardo também andou com os hiper macios no dia 6 e marcou 1m18.047s, praticamente 8 décimos mais lento que os pilotos da Ferrari, apesar de não ter sido um stint dos mais curtos.

Portanto a briga pelo pódio – principalmente se a Ferrari largar bem – tem tudo para ser muito feroz com os pilotos podendo fazer grande diferença!

Daniel Ricciardo

O meio de campo
Enquanto todo mundo esperava a McLaren como quarta força, a surpresa aí é a equipe Haas, surpreendentemente rápida com pneus macios e bem com os super macios. Os pilotos dessas duas equipes somadas à equipe Renault brigarão pelo P7 nas corridas deste ano, pelo menos no início do campeonato. A Haas leva a desvantagem de ter menos dinheiro para desenvolver seu carro durante a temporada, enquanto a McLaren parecer ser das três a equipe com mais potencial de melhora.

As muitas quebras e problemas de super aquecimento na McLaren já eram esperados. Motor novo + refrigeração desconhecida + aero extrema = problemas. Vamos ver o que a McLaren prepara em termos de aero com refrigeração extra para Melbourne. Tem que melhorar a refrigeração sob pena de não terminar a corrida, mas não pode destruir a aero, senão fica atrás nesse pelotão de três.

E a Toro Rosso-Honda? Foi muito melhor do que se esperava na pré-temporada. A confiabilidade da UP Honda deu um salto quase inacreditável. A Toro só andou menos que Mercedes e Ferrari durante a pré-temporada, quem podia imaginar isso? E em performance também não foi ruim. Eu só não a coloco no pelotão do meio de campo porque faltam dados para isso, mas eu não me surpreenderia nem um pouco caso ela comece o ano brigando nesse meio de campo.

Haas

Fechando o grid
Pelo menos em virtude do que foi apresentado nos últimos quatro dias da pré-temporada, Force India, Williams e Sauber começarão entre os seis piores carros de 2018 e brigarão entre eles para passar para o Q2. A Force India leva vantagem nessa disputa, enquanto a Sauber parece ser a última. Leclerc da Sauber foi o piloto que fez o melhor tempo (1m19.118s) desses seis na pré-temporada, mas ele estava de hiper macios. Sirotkin marcou 1m19.189s com pneus macios, que é um composto três degraus e 1,8s por volta mais lento que o pneu que Leclerc usou.

Será que o carro da Williams começa mal mesmo, ou ela está pagando pelos pilotos inexperientes?

Essa e muitas outras perguntas só vamos começar a ter certeza a partir do próximo dia 25.

Nos encontramos lá!

Adauto Silva
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