F1 – GP do Brasil e Ferrari

Tyrrel na antiga Curva do Sol em Interlagos

Por: Adauto Silva

Não deve ter sido fácil para qualquer ferrarista ver a Ferrari perder os títulos de construtores e piloto de 2017. Conheço alguns que estão fulos da vida…

Há quanto tempo a Ferrari não fazia um carro tão bom quanto o SF70H? Eu digo que desde 2008, quando perdeu o título de pilotos, mas ganhou o de construtores da McLaren por 21 pontos.

Mas agora Arrivabene, Vettel e Kimi têm chances de mostrarem alguma coisa nessas duas corridas finais. E é bom que aproveitem.

O GP do Brasil deste domingo não tem favorito. Red Bull, Mercedes e Ferrari vão entrar na pista praticamente em pé de igualdade, portanto qualquer um dos seis pilotos dessas equipes que vencer terá muito mérito, já que terá vencido outros cinco em condições muito similares.

Dos três carros das principais equipes, neste final de temporada o Red Bull é o melhor em curva, mas o pior em reta. O Mercedes é o melhor em reta e curvas de alta, mas Interlagos só tem duas curvas de alta. O Ferrari é o mais equilibrado dos três, mas a pressão que Maranello está sofrendo depois da declaração de seu presidente Sergio Marchionne não está fácil de suportar.

A classificação tem grandes chances de ser sob chuva e a corrida no seco, se a previsão do tempo acertar, o que raramente acontece em São Paulo. Nós paulistanos já estamos acostumados a sentir as quatro estações do ano em dois dias, às vezes até mesmo num dia só. Um sábado chuvoso e frio não quer dizer que domingo não possa fazer 32º num dia totalmente ensolarado e abafado.

Obviamente isso ajuda que a corrida seja boa, pois confunde os engenheiros das equipes em relação ao acerto de carro. Mas mais que isso, como o campeonato já está decidido, vai todo mundo para o “tudo ou nada”, o que deve deixar a corrida sensacional.

Ricciardo quer provar que Max não tomou a equipe dele, enquanto Max quer confirmar que tomou. Vettel precisa dar uma resposta convincente depois de uma temporada sofrível. Hamilton quer finalmente fazer uma corrida só se preocupando em acelerar para vencer. Bottas precisa acalmar Wolff e Lauda, que andam meio desconfiados. E Kimi? Bem, não sei exatamente o que ele pode fazer, mas espero que me surpreenda!

Sexta-feira no TL1 do GP do Brasil teremos uma combinação rara de campeões na pista de Interlagos:

Hamilton = Campeão 2017 F1
Leclerc = Campeão 2017 F2
Russel = Campeão 2017 GP3
Hartley = Campeão 2017 WEC e vencedor de Le Mans

Mattia Binotto e Maurizio Arrivabene

Voltando à Ferrari
Sabe o que é pior? É que parece que Maranello não aprende.

Em 2008 o título de pilotos foi perdido por falta de gerenciamento, por erros bobos que tiraram pontos preciosos de Felipe Massa na Hungria e em Cingapura principalmente.

Apesar da dupla de pilotos da McLaren ser mais forte, a da Ferrari era ótima. Massa estava no auge e Kimi era o campeão mundial de 2007. E tinham o melhor carro. Não era um carro dominante, mas era o melhor do grid, uma situação muito parecida com o que aconteceu este ano.

Esse ano erraram tudo. Começando por Maurizio Arrivabene, que não podia ter renovado o contrato do aposentado-em-atividade Kimi Raikkonen no meio da temporada por mais um ano mais uma vez! Tudo bem que a política da Ferrari em ter um piloto número 1 e outro número 2 é essa mesmo, mas o Kimi de novo?

Arrivabene não viu o quanto Kimi está lento há três anos? Tem no mínimo uma dúzia de pilotos melhores que o Kimi atual no grid para a Ferrari escolher. É quase inacreditável.

E Vettel? Por que Arrivabene renovou com ele por mais três anos vendo a quantidade de erros de pilotagem que ele cometeu esse ano? Por que não renovou apenas para 2018 quando acabaria os contratos de Ricciardo na Red Bull e Hamilton na Mercedes? Isso sem contar Max Verstappen, que ainda não havia estendido seu contrato com a Red Bull e por uma multa gorducha iria correndo para a Ferrari. Simplesmente não tem explicação…

Sergio Marchionne disse que vai “corrigir tudo isso”. Bem, a primeira coisa a fazer é trocar seu chefe de equipe, pois Arrivabene provou que não serve, não tem olho para piloto e não vislumbra o futuro.

O “cara” para o lugar de Arrivabene é Mattia Binotto.

Em tempo: O que a foto que abre o texto tem a ver com a corrida deste ano? Nada. É que considero essa uma das fotos mais espetaculares já tiradas no antigo traçado de Interlagos. Obrigado ao fotógrafo – que não sei quem é – e a Patrick Depailler e Ronnie Peterson.

Adauto Silva
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