F1 – Finalmente?

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Lotus 79 – Mario Andretti

Por: Adauto Silva

A matéria com um link lá embaixo escrita por mim foi originalmente publicada em 16 de julho de 2015, quando a Formula 1 falou pela primeira vez em décadas sobre a volta do efeito solo (ground effect), na minha opinião a única maneira de tornar as corridas roda-a-roda totalmente viáveis novamente.

Na época isso não passou principalmente por causa da segurança, uma paúra impressionante que a FIA tem desde o final de semana fatídico do GP de San Marino em 1994, quando dois pilotos morreram (Ratzenberger e Senna) e um terceiro (Rubinho Barrichello) escapou da morte por milagre.

Naquele época o efeito solo já havia sido banido da F1, mas os carros estavam extremamente ariscos devido a uma grande mudança de regulamento feita de 93 para 94, o que só contribuiu para a F1 ficar ainda mais receosa da volta do efeito solo.

Daquele ano para cá inúmeras tentativas foram feitas de se mudar o regulamento para termos corridas mais acirradas com disputas roda-a-roda em todo o pelotão. Até pneus sulcados chegaram a  ser introduzidos, o que obviamente só piorou a situação tornando as ultrapassagens virtualmente impossíveis, a menos que o piloto da frente cometesse um erro.

Todas as tentativas fracassaram fragorosamente, uma vez que a aerodinâmica se tornou o item mais importante – decisivo até – de um carro de F1. Quanto mais downforce e menos arrasto um F1 tiver, muito mais rápido ele se torna tanto em retas quanto em curvas, mas principalmente em curvas. E pior ainda, essa aerodinâmica faz com que o carro da frente “suje” demais o pouco ar que o carro de trás vai ter que enfrentar.

A aerodinâmica se tornou tão vital para um carro de F1 que a até a Red Bull – que tem o gênio da aerodinâmica Adrian Newey – conseguiu ganhar várias corridas nos últimos anos de forma quase inacreditável, mesmo tendo um motor com absurdos 70 a 80 hp menos que Ferrari e Mercedes.

Mas porque sem o efeito solo as ultrapassagens e as disputas roda-a-roda ficam tão difíceis?
É simples. O carro que vem atrás simplesmente não consegue entrar no vácuo do carro da frente para preparar a ultrapassagem no meio de uma curva para realizá-la no meio ou no fim da reta seguinte. O carro fica “inguiável”, uma vez que – de acordo com estudos publicados hoje pelo Autoracing que foram supervisionados pelo também gênio Ross Brawn – ele perde 70% de seu downforce. Por isso o piloto de trás precisa dar uma distância para o piloto da frente em qualquer curva para ele não perder muito downforce e correr o risco de bater, ou ter que tirar demais o pé do acelerador.

Quando o piloto de trás dá essa distância, ele perde a chance de entrar colado ao carro da frente na reta e realizar a ultrapassagem.

Efeito solo

O efeito solo elimina quase totalmente essa dependência de ar limpo que o carro de trás precisa para manter sua velocidade normal quando segue o carro da frente. No efeito solo é o ar que passa por baixo do assoalho que faz a grande diferença para manter seu downforce. Em alguns casos, o carro-asa (termo usado para um F1 com efeito solo pleno) sequer precisa de asa dianteira para continuar sendo ultra rápido!

Efeito solo sem asa dianteira

O DRS, que muitos odeiam, foi criado para nada mais, nada menos como uma compensação para essa falta de downforce que o carro de trás fica em relação ao da frente quando tenta fazer uma curva colado. Sem o efeito solo o carro de trás perde distância do da frente e o DRS os aproxima de novo na reta para compensar aquela perda de distância anterior.

Veja esse vídeo, que mostra exatamente o que estou dizendo:

Com a volta do efeito solo no assoalho com dois canais, agora previsto para 2021, o DRS certamente não será mais necessário e nós veremos disputas pelo menos parecidas com essa de novo na pista com bastante frequência, disputa esta que não seria possível de jeito nenhum sem o efeito solo:

Clique aqui para ver a matéria de 2015

Adauto Silva
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