F1 – Cinco ultrapassagens de tirar o fôlego

GP do Brasil 2018

Por: Bruno Aleixo

Há alguma edições atrás, durante o Loucos por Automobilismo, comentamos sobre a possibilidade de fazer um programa especial sobre ultrapassagens. Em tempos de DRS, nada mais adequado do que lembrar de grandes manobras, que construíram a história do esporte a motor.

Bom, minha ansiedade não vai me deixar esperar a tal edição, então, pedindo desculpas aos camaradas Fábio Campos e Adauto Silva, já vou dividir minha lista com meus leitores aqui. Para não ficar uma coluna enorme, fiz uma coisa bem difícil: selecionei as 5 ultrapassagens mais espetaculares que já vi. Só cinco e nada mais. Mas poderia ser uma lista com 30 ou 40. Vamos ver se vocês concordam:

Michael Schumacher x Mika Hakkinen (Bélgica/2000)
Tem quem diga que esta talvez tenha sido a maior ultrapassagem de todos os tempos. Pode ser verdade mesmo. A manobra de Mika Hakkinen para cima de Michael Schumacher reuniu técnica, habilidade, reflexo e muita coragem. O finlandês liderava a corrida, quando escorregou no asfalto úmido e perdeu a liderança para o alemão. Nas últimas voltas, Hakkinen imprimiu uma perseguição infernal sobre o rival. Na sua primeira oportunidade, depois da Eau Rouge, ele tentou colocar por dentro, mas Schumacher o jogou na grama. Na volta seguinte, o alemão deu de cara com o retardatário Ricardo Zonta que, lento, colocou seu carro no meio da pista para que os dois líderes o ultrapassassem. Schumacher escolheu o lado de fora, e Hakkinen mergulhou por dentro. Um passão de respeito que carimbou o tricampeonato de Schumacher, conquistado ao fim daquele ano.

Juan Pablo Montoya x Michael Schumacher (Brasil / 2001)
Em 2001, Fábio Campos me arrastou pela primeira vez para o setor G, de Interlagos. Nascia ali um caso de amor. Com a arquibancada, não com o Fábio, que fique bem claro. Naquela corrida, um colombiano que vinha da Indy fazia apenas sua terceira prova pela Williams. Era Juan Pablo Montoya.

Depois de uma bandeira amarela causada por Mika Hakkinen, que não conseguiu largar, veio a bandeira verde e parecia que Michael Schumacher tinha partido bem. Mas Montoya freou muito depois do que manda o bom senso, no S do Senna, e emparelhou com o alemão na entrada da curva, forçando Schumacher a ir para fora da pista. Um dos momentos em que a arquibancada de Interlagos se transformou em um estádio de futebol. O outro, infelizmente, foi quando o colombiano abandonou a prova, depois de ser acertado na traseira pelo retardatário Jos Verstappen. Sim, o pai do Max.

Ayrton Senna x Damon Hill (Brasil / 1993)
Senna e Hill na pista úmida, em Interlagos. Alguma dúvida do que iria ocorrer? Depois de sair dos boxes na sua última parada, Senna viu Hill à sua frente, tentando aquecer os pneus slick do FW15. Na entrada do Laranjinha, ele fez um verdadeiro drible ao estilo futebol, ao fingir que ia para um lado e colocando o carro do outro. Assim, Ayrton engoliu o inglês, a Williams, a suspensão ativa, o controle de tração e todo o resto do aparato eletrônico que lhe estava massacrando desde o início de 92 e rumou para a vitória em casa. Uma vitória, aliás, tão incrível quanto a de 91, quando chegou com apenas uma marcha na McLaren.

Nelson Piquet x Ayrton Senna (Hungria / 1986)
Esta manobra é responsável por milhares de discussões entre os fãs de Senna e Piquet sobre qual dos dois é melhor. Bobagem. Nelson já era bi campeão e Senna estava em seu 3º ano na Fórmula 1. O que vale é ver que, nessa época, não tinha estratégia de equipe nem medo de bater o carro e ficar fora da prova. Se o de trás estava mais rápido, passava de qualquer jeito. E põe de qualquer jeito nisso! Piquet colocou sua Williams na sujeira, controlou o carro de lado, voltou para o traçado e, diz a lenda, ainda teve tempo de mandar aquele dedo do meio para o rival, que havia dado um x na volta anterior. Se é verdade mesmo, jamais saberemos. Mas a ultrapassagem ficou na história.

Alessandro Zanardi x Bryan Herta (Laguna Seca / 1996 – Fórmula Indy)
A maior e mais incrível manobra de ultrapassagem já vista no automobilismo não pode ficar fora de lista nenhuma. Alessandro Zanardi mandou às favas qualquer tipo de cerimônia e, na última volta, jogou seu Reynard por dentro, numa das curvas mais difíceis do mundo (o Saca Rolha, em Laguna Seca) para vencer a corrida. Azar de Bryan Herta. Sorte dos fãs do bom automobilismo. Uma manobra corajosa e de pura raça e técnica que, hoje, sem dúvida, acarretaria em punição para o piloto, que usou a área de escape para completa-la.

E você, também tem a sua lista? Então mande aqui nos comentários, ou então no Twitter (@brunoaleixo80)!

Bruno Aleixo
São Paulo – SP

AS - www.autoracing.com.br

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