F1 – Autoracing Power Ranking 2019 – Parte 5 – Os 4 melhores de 2019

Autoracing Power Ranking

Nessa semana, assim como prometido, o Autoracing está divulgando o Ranking Geral dos pilotos de F1 de 2019. Você vai ver as colocações de todos os pilotos começando hoje e terminando nessa sexta-feira!

O critério para as notas é o menos empírico possível e levou em consideração os erros e acertos de cada piloto nos treinos livres, na classificações e corridas de toda a temporada de 2019. Mas o mais importante foi a performance relativa ao nível do carro de cada piloto e a seus adversários mais diretos, com os eventuais erros das equipes sendo descartados.

O ranking abaixo é o resultado da médias das notas que cada piloto recebeu em todos os GPs de 2019.

Os textos foram distribuídos entre os votantes de todas as corridas de 2019 assim:

Do P20 ao P17 – Eduardo Behling
Do P16 ao P13 – Leandro Schimidt
Do P12 ao P9 – Bruno Aleixo
Do P8 ao P5 – Fabio Campos
Do P4 ao P1 – Adauto Silva

Charles Leclerc

4. Charles Leclerc

O monegasco chegou tímido na equipe mais famosa do mundo. Com apenas uma temporada de experiência na Sauber, Charles inicialmente aceitou o papel de segundo piloto imposto pela Ferrari obedecendo ordens da equipe nas cinco primeiras corridas do ano, menos no Bahrain, onde ele era tão mais rápido que Vettel, que sequer tomou uma bronca por ter desobedecido a ordem de “esperar” para atacar seu companheiro de equipe. Chegou, passou e sumiu.

E só não ganhou aquela corrida porque sua UP superaqueceu e ele teve que andar as voltas finais em “modo de segurança” chegando a ser 5 segundos por volta mais lento do que era antes do problema. Depois teve grandes atuações na Áustria e Inglaterra, onde foi protagonista junto com Verstappen do “pega” mais bonito, técnico e agressivo da temporada lutando roda a roda com o holandês por mais de 15 voltas!

Charles foi conhecendo o carro, a equipe, foi aprendendo a lidar com as adversidades dos Vermelhos e após as férias verão mandou tudo às favas e massacrou Vettel. Fez pole e ganhou as duas primeiras corridas do segundo semestre, Spa e Monza. Virou ídolo dos tifosi na vitória emocionante em Monza com Hamilton no seu cangote a corrida inteira. Na corrida seguinte em Cingapura ele também ganharia, mas um undercut totalmente inesperado da Ferrari entregou a vitória de bandeja a Vettel.

Leclerc também é muito jovem. Com apenas 22 anos ainda tem muito que aprender e amadurecer. Mas pelo seu primeiro ano de Ferrari, quando teve atuações inesquecíveis, fez estonteantes 7 poles virando o jogo dentro da equipe a seu favor, é praticamente certeza que o veremos disputando o título seriamente nos próximos anos, além de provavelmente expulsar o tetracampeão Sebastian Vettel dos Vermelhos no fim de 2020.

Carlos Sainz

3. Carlos Sainz

Sainz é hoje o engenheiro-piloto da Formula 1. Andreas Seidl, chefe da McLaren que já trabalhou com dezenas de ótimos pilotos, disse que nunca viu um piloto conhecer tanto tecnicamente. Em várias oportunidades Sainz desafiou os dados dos computadores da McLaren e mudou o acerto do carro para melhor. Seu entendimento sobre aerodinâmica, pneus, UP, suspensão e como tudo isso deve trabalhar junto é muito acima da média.

Foi Sainz quem fez a McLaren “esquecer” de Alonso, tamanha sua capacidade em liderar a equipe tecnicamente a caminho de sua recuperação. E isso é para poucos, já que Alonso é um gênio das pistas.

Carlos é rápido, consegue acertar seu carro da maneira mais neutra possível e guia sobre trilhos, sempre pensando na corrida como um todo. Não comete erros, desgasta pouco os pneus, mostrou no GP do Brasil que sabe atacar e pode ser muito agressivo quando necessário. Fez 11 ultrapassagens perfeitas e decididas ao largar da última posição do grid para chegar no pódio, ou seja, uma recuperação na corrida acima das possibilidades do carro, mesmo considerando que alguns adversários de ponta facilitaram seu caminho ao cometerem erros na corrida. Mas isso não é problema dele. Ele não cometeu erro nenhum, ao contrário, guiou como um campeão.

Sainz, o “Prost” do século 21, liderou a Formula 1 “B” com folga, ganhando inclusive de dois pilotos que guiaram um carro da Formula 1 “A”, a Red Bull, por meia temporada, Gasly e Albon. E ainda fez 72% mais pontos que seu adversário mais direto, Daniel Ricciardo.

Max Verstappen

2. Max Verstappen

Max é um piloto que reúne todas as qualidades para se tornar um grande campeão. Ultra rápido e agressivo, domina o carro a e a pista como poucos que vi nesses 45 anos acompanhando a Formula 1.

Sua “fraqueza” até o ano passado era sua precocidade. Chegou na F1 aos 17 anos e é evidente que faltava maturidade para entender e dominar todas as minúcias de um dos esportes mais complexos do mundo. Estive com ele no final de seu primeiro ano na F1 num evento fechado durante a semana do GP do Brasil e ele parecia um moleque desses cheio de espinha na cara batendo rodas com os outros no kart.

Mas as pessoas não entendem isso. Para muitas, se o cara chegou na F1 é porque ele já está pronto pra ela. Ledo engano. A maioria dos pilotos que chegam na F1 ainda não estão prontos. Nem os mais velhos. O ambiente da categoria é o mais selvagem que você possa imaginar. Dos mecânicos mais antigos até os chefes de equipe e passando pela imprensa, ninguém que não tenha competido em carros de corrida tem ideia da força mental que é necessária na F1.

Max sempre demonstrou muita força mental, “expulsou” dois grandes pilotos da Red Bull – Sainz e Ricciardo – ao roubar a equipe para ele com suas performances exuberantes. Fez isso mesmo tendo pouca maturidade e muitas vezes tomando decisões erradas em frações de segundo que o levaram a cometer erros durante as corridas. A capacidade de julgamento do homem demora mais para se desenvolver do que a da mulher. O cerebelo dos homens – que é a parte do cérebro responsável pela maturidade e consequentemente pela capacidade de julgamento – só fica completamente desenvolvido aos 25 anos. Max tem 22.

Mas mesmo assim, mesmo ainda faltando mais 3 anos para seu cerebelo se desenvolver completamente, este ano ele deu um salto de amadurecimento. Cometeu bem menos erros do que fazia até 2018 e ainda por cima refinou sua tocada, que ao vivo, é disparada a mais bonita da F1. E isso se refletiu num resultado espetacular no campeonato. Ele só terminou a temporada atrás dos pilotos da Mercedes em P3, quando sua posição normal seria P5 atrás dos pilotos da Ferrari, que teve um carro melhor que o dele na grande maioria das pistas.

Como você verá abaixo, ele ficou muito, mas muito perto de Hamilton na média geral de todas as corridas de 2019.

Se Max continuar a se desenvolver como vem fazendo – e nada indica que não fará – ele será o próximo multicampeão da F1. Na minha opinião, ele já é o único piloto da F1 que tem plenas condições de competir contra Lewis Hamilton em carros parelhos e com chance de ganhar.

O tempo se encarregará de mostrar isso.

Lewis Hamilton

1. Lewis Hamilton

Além de todas as qualidades que um super piloto costuma ter, Hamilton tem uma que é única na F1 atual: adaptação. Ele é o único piloto que tira tudo do carro em qualquer circunstância, em todas as pistas e com todos os regulamentos que a F1 já teve desde 2007, quando ele estreou.

Fora o ano de 2011, quando o inglês parecia estar em Marte, todos os outros anos ele sempre tirou tudo dos carros que pilotou. Algumas vezes mais do que a própria equipe achava possível. É por isso que seus companheiros de equipe sempre sofreram – e continuam sofrendo – demais com ele. O outro piloto que tem essa qualidade não está na F1, Fernando Alonso.

Nesta temporada de 2019 Hamilton focou mais em corrida do que em classificação. Ele e seu engenheiro escolheram fazer acertos de carro mais sólidos para corridas do que mais rápidos em volta voadora. Sim, existe essa diferença, sempre existiu e ficou ainda mais evidente quando a F1 “inventou” o parque fechado depois da classificação de sábado. Um carro mais rápido desgasta mais pneus e freios, além de forçar mais a UP. Eu acho que ele fez isso por algumas razões bem racionais.

A primeira delas é que ele já tem o recorde de poles, mas ainda não o de vitórias. A segunda é que ele esperava uma luta muito acirrada com seu rival dos últimos anos Sebastian Vettel após a pré-temporada em Barcelona. Mas a luta não aconteceu, uma vez que Vettel não andou nada esse ano e a Ferrari se perdeu no primeiro semestre tomando um baita susto com sua UP derretendo na primeira corrida na Austrália, assim como na segunda corrida no Bahrain, quando superaqueceu de novo e Leclerc perdeu uma vitória certa..

Outra coisa que Hamilton fez esse ano foi arriscar pouco. Sua estratégia de ter um acerto de carro muito sólido somado aos erros da Ferrari e a demora da Red Bull em acertar sua traseira, fizeram com que Lewis já pusesse muita diferença na tabela na metade do campeonato. Foram 8 vitórias nas primeiras 12 corridas. Com isso, ele sabia que precisava andar bem para pontuar no segundo semestre depois das férias, mas não precisaria arriscar quase nada,

Por isso vimos um Hamilton mais cerebral de agosto em diante, quando em 9 corridas ele venceu somente três, já contando o fim de semana perfeito em Abu Dhabi, quando ele quis sentir mais prazer e forçou tudo como se não houvesse amanhã.

Em 2020 talvez Lewis tenha que guiar como em Abu Dhabi o ano inteiro, já que a tendência será do ano mais equilibrado entre as três principais equipes desde o início da era híbrida em 2014.

Mas neste ano 2019, mesmo com a ameaça muito evidente de Max Verstappen, Hamilton provou que ainda é o melhor piloto do mundo e certamente um dos melhores da história.

Ranking Piloto  Média final
1 Lewis Hamilton 8,23
2 Max Verstappen 8,1
3 Carlos Sainz Jr. 7,87
4 Charles Leclerc 7,62
5 Lando Norris 7,35
6 Valtteri Bottas 7,34
7 Sergio Perez 7,15
8 Alexander Albon 7,09
9 Daniil Kvyat 6,98
10 Daniel Ricciardo 6,91
11 George Russell 6,84
12 Nico Hulkenberg 6,78
13 Sebastian Vettel 6,69
14 Kimi Raikkonen 6,65
15 Pierre Gasly 6,45
16 Antonio Giovinazzi 6,45
17 Kevin Magnussen 6,22
18 Lance Stroll 6,1
19 Romain Grosjean 5,73
20 Robert Kubica 5,37

Adauto Silva
São Paulo – SP

Quem votou?

Adauto Silva: publicitário, jornalista, ex-kartista, ex-piloto amador, editor chefe do Autoracing e comentarista do Loucos.
Fabio Campos: jornalista especializado em automobilismo e comentarista do Loucos.
Bruno Aleixo: kartista, jornalista especializado em automobilismo e comentarista do Loucos.
Leandro Schmidt: jornalista especializado em automobilismo, vice-campeão mundial de simulador de F1, vencedor da única etapa do Trofeu Maserati que participou em Interlagos e colaborador do Autoracing.
Eduardo Behling: jornalista especializado em automobilismo e colaborador do Autoracing.

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