F1 – A Mercedes desfilou em Sochi

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Hamilton e Rosberg disputam a primeira curva

Por: Lorenzo de Luca e Adauto Silva

O primeiro GP da Rússia testemunhou outro fim de semana dominante da dupla da Mercedes – com Rosberg vindo da parte de trás do grid – para terminar na segunda posição, meros 14 segundos atrás do vencedor, Hamilton, o que explica muito melhor do que quaisquer palavras – a diferença que realmente existe entre a equipe de Stuttgart e o resto do grid. Para dizer a verdade, quase todos os carros equipados com o PU106A híbrido demonstraram performances muito boas em relação à concorrencia.

Mercedes PU106A Híbrido:

E aqui está o PU106A, a estrela da temporada até agora, com uma instalação muito esmerada.

Visão lateral do Mercedes PU106A Híbrido:

Compacto e leve. A foto tirada pela parte traseira mostra alguns detalhes, tais como o MGU-K à esquerda (onde o mecânico está trabalhando), a bomba de óleo / água a direita e os coletores de escape muito curtos unindo-se ao turbo.

Do ponto de vista lateral podemos apreciar a instalação esmerada, ao contrário do que é visto em ambas as unidades de potência da Ferrari e da Renault. A unidade de potência Mercedes não só é mais forte e eficiente, mas também é 18 kg mais leve e todas estas características se traduzem em uma grande lacuna em relação à concorrência – uma lacuna que de acordo com engenheiros da Lotus, que a partir da próxima temporada vai usar o motor Mercedes, foi quantificada em 1,4 segundos. Ouvindo estes números não é difícil entender por que no domingo na pista russa tivemos cinco carros movidos pela Mercedes nas primeiras posições.

Gráfico de classificação por setor: Clique na imagem para ampliá-la

Comparação do ritmo de corrida dos top 14: Clique na imagem para ampliá-la

Gráfico do ritmo de corrida + estratégia: Clique na imagem para ampliá-la

Legenda pneus: M – Médio. S – Macio. (U) – Usado. (N) – Novo

A Pirelli fez uma escolha muito conservadora de borracha para ser usada para o GP da Rússia, trazendo os compostos macios e médios, e permitindo assim que os pilotos fizessem uma estratégia de apenas uma parada. Provavelmente a Pirelli não se deu conta – assim como quase ninguém – que o asfalto fosse uma tremenda novidade no que tange a proporcionar grande aderência sem agredir os pneus.

Se Rosberg impressionou a todos, realizando 52 voltas consecutivas com os compostos médios e mantendo um ritmo muito bom, deve-se ressaltar as boas atuações entregues pela Williams (com Bottas) e, especialmente, a de Button, que mostrou uma melhoria significativa da McLaren, um sinal de que as atualizações aerodinâmicas introduzidas em Cingapura (e focadas também no carro de 2015) estão funcionando bem – como o novo slot em “L” para refrigerar o pneu inspirado na Red Bull.

Assoalho da McLaren:

Para confirmar o quão duro a Mclaren está trabalhando no desenvolvimento do novo carro, podemos dar uma olhada em sua versão revista da suspensão tipo borboleta testada em Suzuka, com o braço superior agora menor do que no Japão.

McLaren suspensão borboleta traseira:

A Ferrari continuou perdendo terreno para a Williams e em Sochi era lenta demais para competir com os carros movidos pela Mercedes. Além da diferença entre as duas unidades de potência (Mercedes e Ferrari), a pista russa destacou outro ponto fraco do F14-T – sua incapacidade para explorar seus pneus nas primeiras voltas.

Como já foi dito, a Pirelli fez uma escolha muito conservadora para o GP da Rússia, de modo que mesmo o composto macio precisava de pelo menos duas voltas para começar a trabalhar na faixa de temperatura certa. Mas se com o composto macio, o ritmo era bom o suficiente para lutar contra a McLaren, com o composto médio as coisas foram de mal a pior.

De fato, se com os pneus macios Alonso ficou no ritmo da McLaren e “apenas” meio segundo mais lento que a Williams, com o composto médio a Ferrari era seis décimos mais lenta que a McLaren e mais de 1 segundo em relação a Williams.

Esta teoria foi confirmada pelo ritmo de Kimi também. Depois de um mau primeiro stint, o ritmo de corrida de Raikkonen com o composto médio foi quase idêntico ao de Alonso, destacando todas as deficiências do F14-T, que vão além da unidade de potência. As atualizações apresentadas até agora por Maranello não são suficientes, a diferença para a Mercedes ainda é considerável (1,846s na classificação e 0,906s na corrida).

Uma das equipes que, sem dúvida impressionou em Sochi foi a Toro Rosso. A equipe de Faenza tem mostrado grandes melhorias durante as últimas corridas. A estreita colaboração com Milton Keynes está valendo a pena, e um exemplo dessa cooperação é o novo nariz introduzido em Suzuka (claramente inspirado na irmã mais velha Red Bull), com o Duto-S

Duto-S da Toro Rosso:

Foi interessante notar que em Sochi os engenheiros da Red Bull optaram por usar sua versão do nariz pelicano com uma protuberância por baixo. Esta decisão foi independente dos requisitos de downforce médio-baixo da pista.

Nariz da Red Bull:

COTA

A próxima corrida será em 2 de novembro no belíssimo Circuit of The Americas em Austin, provavelmente a melhor criação de Hermann Tilke. Assim como Spa-Francorchamps, Austin é uma pista que exige tudo dos carros; potência, downforce, tração e freios.

Em Spa os pilotos da Mercedes bateram e Ricciardo venceu. Em Austin a Mercedes é favorita e a Williams deve vir logo atrás. A briga boa deverá ser entre Red Bull, Ferrari e McLaren

AS - www.autoracing.com.br

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