Quarta-Feira, 27 de Agosto - 22:56    
Home
Gênios
Calendário 2008
Áudio - Loucos
Fórum
Reportagens
Entre em contato
Piloto da semana
Entrevistas
Matérias Técnicas
Nascar Brasil
Regulamento
Inscrição
Palpites
Classificação
Marcas Históricas
Tony Kanaan

Campeão das pistas e do bom-humor

Essa é a primeira entrevista feita pelo colaborador Rafael Ligeiro para o Autoracing. E certamente não haveria piloto melhor para ser entrevistado nesse debut que Tony Kanaan. Além de esbanjar carisma e humor pelas pistas ianques, aos 30 anos, o atual campeão da IRL é um dos principais representantes do Brasil no automobilismo internacional. Confira uma superentrevista feita com Tony após as 300 Milhas do Kansas.


Tony, qual é o balanço que você faz de sua participação na atual temporada da IRL?
Tony Kanaan: Faltava vencer, mas conseguimos uma vitória maravilhosa em Kansas. Nós tivemos pelo menos quatro chances de vencer e infelizmente não concluímos. Porém, a vitória no Kansas nos coloca numa ótima posição pois ainda faltam nove etapas e têm muita coisa para acontecer. O importante é que ainda estou na vice-liderança e buscando encostar no Dan (Wheldon).


Em termos de resultado, o que vem diferenciando o Tony Kanaan de 2004 para o de 2005? Você acredita que adversários como o Dan Wheldon vieram mais preparados para combater o Tony nesse ano?
Não mudou nada, principalmente, a disposição e a vontade de conquistar o bicampeonato. O Dan é um ótimo piloto e essa competitividade só mostra o equilíbrio da categoria. Realmente nós mostramos a receita no ano passado e o Dan e outros pilotos aprenderam rápido (risos). Porém, engana-se quem pensa que “desaprendi". Pode ter certeza que vou dar muito trabalho ainda.


No ano passado, a IRL trocou motores de 3,5 para 3 litros. Essa mudança resultou em alguma alteração no comportamento dos monopostos?
Com certeza a mudança foi fundamental para a segurança e competitividade entre as equipes. O carro tem uma retomada de aceleração um pouco menor do que os com 3.5 litros, mas continua com grande potência. Aliás, nas últimas três corridas a categoria teve as três montadoras vencendo cada uma delas. Isso é uma prova que as mudanças foram super acertadas.


Em suas temporadas na Champ Car você chegou a ter um companheiro de equipe. Em alguns anos, correu sozinho pelo time. Como foi para você, de repente, se ver em uma equipe com quatro carros na IRL?
Fantástico! Qualquer piloto gostaria de ter uma equipe que tenho hoje, onde somos muito unidos fora da pista. Eu recebo informações de três caras super competentes e que não estão ali por acaso. Talvez esse seja o diferencial da Andretti Green desde o seu ano de estréia, em 2003.


Na Andretti-Green é evidente que as estruturas são individualizadas por piloto. Apesar disso, vocês dividem dados de pista e comentam sobre ajustes.
Como eu disse antes, estamos sempre conversando após um treino, uma classificação e até mesmo após as corridas. Apesar de cada um de nós ter um time, nós somos uma só equipe e tenho certeza que este é o pensamento de todos. Para você ter uma idéia, na sede da equipe, em Indianápolis, os quatro times trabalham num mesmo espaço, sem divisória alguma.


A Andretti-Green é conhecida pelo clima cordial que há entre os pilotos. Como é que o Michael Andretti faz para ‘domar’ pilotos tão competitivos? Nunca pintou um mal-estar fora das pistas?
Acima de toda amizade, nós somos profissionais e todos nós corremos para vencer. Lógico que se tiver a oportunidade de passar um companheiro eu vou fazer e vice-versa. No entanto, há como disputar uma posição e ser limpo, certamente isso sempre acontece entre nós. É ilusão achar que nunca terá um toque, um erro ou algo que possa prejudicar um companheiro, até porque são coisas naturais de corrida, mas nos respeitamos muito e evitamos isso ao máximo. O Michael é um dos pilotos mais experientes do automobilismo norte-americano e sabe melhor do que ninguém o que falar e a hora certa de falar. É um chefe que todo mundo quer ter.


Por falar em amizades, ao longo da carreira você construiu diversas. Uma delas foi justamente com o Alessandro Zanardi. Apesar de agora viver em ambientes diferentes, você continua mantendo contato com o Alex?
Sempre que posso, falo com o Alex. Nossa amizade nasceu nas pistas e hoje rompe qualquer circuito. Ele é um exemplo de perseverança e, principalmente, de força para realizar aquilo que se ama. Ano passado estive com ele na Europa e também fui assistir a sua primeira corrida de carros em Monza no final de 2003. Agora, preciso dar uma agenda para ele não esquecer mais os testes que ele tem (risos).


Espera trazê-lo para disputar as 500 Milhas da Granja Viana?
Ano passado ele não pode vir por causa de compromissos, mas espero que este ano ele esteja na minha equipe. Será um reforço e tanto para o time. Ainda não conversei com ele para saber a agenda dele, até porque acho que ele não tem (riso).

O Zanardi sempre foi um dos pilotos mais engraçados no paddock das categorias em que passou. Qual foi o episódio mais divertido que você viveu com ele?
É impossível falar de um episódio com o Alex porque ele é impossível. Ele adora imitar e fazer gozações com seus amigos. Me divirto bastante quando estou com ele.


Quais são os fatores que fazem da IRL uma categoria com grande equilíbrio?
Competitividade, qualidade e transparência. Hoje temos uma quantidade de pilotos de ótimo nível, os principais patrocinadores, a principal prova que é as 500 milhas de Indianápolis e a cobertura das maiores emissoras de TV dos Estados Unidos. Portanto, é uma categoria que se solidificou como a maior de monoposto do país.


No ano passado, você liderou o campeonato praticamente de ponta-a-ponta. Nesse ano, você está atrás do Dan Wheldon na luta pelo título. Como é mudar a condição de ‘caça’ para ‘caçador’?
É mais um desafio que tenho na carreira. Eu corro porque amo o automobilismo e amo quebrar os limites. Se no ano passado nós quebramos todos os recordes, este ano eu quero derrubar todas as estatísticas e estar disputando o título nas duas últimas etapas. São sensações que sempre fizeram parte da minha carreira e adoro isso.


Na sua primeira temporada completa na IRL, em 2003, tivemos um campeonato com diversos acidentes, como do Kenny Brack, no Texas. De que maneira as medidas da IRL refletiram no rendimento dos carros? Atualmente, você se sente mais seguro que nas temporadas passadas?
Totalmente. Acidentes de corridas acontecem e vão acontecer sempre. O importante são as medidas de precaução que são tomadas e, neste ponto, a IRL está muito bem. Desde a diminuição da capacidade dos motores até a instalação dos amortecedores nas curvas (“safe barriers”), são ações que proporcionaram uma segurança maior aos pilotos. Hoje, nós não batemos mais no muro, e sim, num sistema que amortece cerca de 80% o impacto. Para uma categoria que corre a 350km/h de média, isso é fundamental.


Você, infelizmente, já perdeu companheiros de profissão em corridas, como o Greg Moore, nas 500 Milhas de Fontana, em 1999. Como fica o lado emocional e a concentração do piloto ao receber pelo rádio a notícia de que um companheiro sofreu um grave acidente?
Os riscos você nunca pensa enquanto você é piloto, você sabe que pode acontecer, porém se você pensar nisso é o momento certo de parar. E como em qualquer esporte que envolve risco, o medo não pode estar presente nessas horas, pois com certeza colocaria em risco a sua habilidade de fazer o trabalho com perfeição.


Deixando bem de lado os momentos tristes, vamos falar sobre algo muito bom: seu teste pela equipe BAR de Fórmula-1. Já há uma data definida? O que você espera encontrar em termos de equipamento e bastidores nessa sessão?
Ainda não temos data definida, mas deve acontecer em breve. Eu quero muito realizar este sonho de criança e realmente espero que se concretize. Certamente vou encontrar carros com uma tecnologia avançada e uma equipe bastante trabalhadora, isso porque convivo com a Honda desde 1998 e sei que eles são extremamente competentes. É uma família que eles formam. (A data do teste foi confirmada pouco após a entrevista: acontecerá em 29 de setembro, no circuito de Jerez dela Frontera)


Como está a repercussão, no paddock da IRL, sobre o Grande Prêmio dos Estados Unidos de Fórmula-1?
Com certeza foi muito negativa principalmente por se tratar de um país onde a Fórmula-1 ainda estava conquistando seu espaço, ao contrário da Nascar e IRL. Acredito que eles tinham umas 30 escolhas e com certeza essa (realização da corrida com apenas seis carros, calçados por pneus Bridgestone) foi a pior delas. Será bem difícil recuperar o espaço deles aqui nos Estados Unidos.


Lamentavelmente seu amigo Cristiano da Matta não se deu bem ao trocar o automobilismo norte-americano pela F-1. O que você pensa sobre a ”imigração” da IRL para a F-1? Vale a pena sair de uma equipe forte nos Estados Unidos para ingressar em uma equipe promissora na categoria da FIA – Tony Kanaan tem contrato com a Andretti-Green até 2008?
Eu sempre digo que no automobilismo a gente deve evitar dizer nunca, mas, no meu caso, é improvável a mudança. Eu tenho contrato com a Andretti Green até 2008, patrocinadores que estão apoiando e investindo em mim e tenho uma carreira concretizada aqui na América. Porém, se houver interesse, é uma conversa com o Sr. Michael Andretti e não comigo.


Sabemos que você gosta como poucos de bicicletas, inclusive chegando a fazer apostas com o Cristiano valendo uma “magrela”. Agora que ele voltou à Champ Car, a disputa continua?
Na verdade esse negócio da bicicleta era em relação a quem ganhasse uma corrida na CART (o vencedor de uma prova da categoria premiaria o oponente com uma bicicleta) e como ele ganhou várias (corridas; sete em 2002) ganhei várias bicicletas. Agora não temos mais apostas, só torcemos muito um para o outro.


Enfim, pode ficar a vontade para mandar uma mensagem à sua imensa legião de fãs e leitores do Autoracing.
Pessoal, podem ter certeza que vou soltar a bota e acelerar para diminuir a vantagem do Dan. Espero que estejam gostando da categoria e das emocionantes disputas. Conto com a torcida de vocês pelo o bi-campeonato. Grande abraço.

Rafael Ligeiro, 19/07/2005


© Copyright 2000/2005 - Autoracing.com.br - Kleython Rodrigues
uv