Entrevista exclusiva com Vitor Meira

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O piloto brasiliense vai para a décima temporada na Fórmula Indy. No último fim de semana, liderou a equipe vencedora das 6 horas de Kart de Brasília e conversou com exclusividade com o Autoracing.

Vitor, como foi seu ano?
Foi um ano de altos e baixos, porque está muito competitivo. Um erro hoje significa muito, mas nós localizamos os baixos e sabemos como melhorar, mas se vamos sanar é outra coisa. Olhando no geral foi o melhor resultado da equipe em oito anos. Altos e baixos, mas no fim das contas foi alto e com muito espaço para melhorar.

Para a próxima temporada?
Estou tranquilo, não estou assinado, não está escrito em pedra, mas estou bem tranquilo da minha posição com a equipe e junto ao patrocinador estou bem.

Apesar de sete pilotos na Indy e dos bons resultados do Brasil na categoria por que ainda é difícil conseguir patrocínio aqui?
É fácil culpar a economia e dizer que ninguém incentiva, mas tem uma série de questões, como: quem vai botar a mão no bolso e tirar muito dinheiro para alguém correr? Tem um fundo comercial sempre e tem que ter uma televisão legal passando todas as corridas, tem que ter corrida aqui, tem que ter interesse da mídia inteira. Por isso que é mais fácil gerar o patrocínio lá, o patrocinador consegue se conectar mais lá, fazer mais ações promocionais. Mas a gente continua tentando crescer aqui no Brasil.

Como você viu essa situação do Tony Kanaan?
Para você ver, é aquela velha história a grama é sempre mais verde no vizinho, eu já passei por isso. A mesma coisa foi na Rahal, um ano excelente, o melhor piloto da equipe, mas o patrocínio, ‘não estou mais interessado, comercialmente para mim não é interessante’, direito deles de repente não tinha mais dinheiro para fazer meu carro, e aí fazer o que, alguém tem que colocar a mão no bolso. Foi o que aconteceu com o Tony e o Michael (Andretti) não tinha outro patrocinador e ‘aí como eu faço, eu vou colocar tantos milhões de dólares?’ Não faz sentido, isso é um negócio, tem que ganhar dinheiro. Tenho certeza que o Tony vai se resolver, vai ser um degrau abaixo de onde ele estava, mas ele é competente e já provou o que tinha que provar.

Falando agora da formação dos pilotos, você acredita que existe um abismo entre a Indy Lights e a Indy?
Existe um abismo grande nos ovais, a Indy Lights é mais lenta nos ovais, é um carro muito diferente no oval, nos mistos não é tão grande, tem pista que eles ficam quatro segundos da gente. Isso acontece em toda categoria, você vê o Tony saindo da Andretti e para alguém novo entrar? Isso também acontece na GP2. Não é problema de organização ou de incentivo, é automobilismo, isso sempre aconteceu.

Nas últimas temporadas a Fórmula Indy optou em colocar mais circuitos mistos no calendário, o que você acha dessa escolha?
Hoje se não me engano tem mais misto que oval. Eu adoro misto, sempre corri em misto, mas eu acho um erro, acho que tem ser de 50% a 60% oval, é a alma da categoria, é onde o automobilismo americano tem suas raízes. Mas nós queremos atingir outros mercados, mas nem todo mundo pode fazer como o Japão fez (a construção do Twin Ring Montegi), acho que tem que ficar mais oval, acho legal o piloto da Fórmula Indy ser mais diverso.

E o novo carro proposto para 2012?
O carro é um estudo, o projeto final não foi apresentado, as equipes estão se reunindo constantemente para decidir, pois será uma decisão em conjunto e não vai agradar a todos.

Esse primeiro protótipo é bem diferente do que temos hoje
É, todo mundo quer diferente, mas todo mundo quer mais barato. Todos estão com interesse de mudar esse carro que estamos andando há um tempão. O intuito é mudar para dar chance para equipes novas, no fim das contas a IRL vê também o que todo mundo vê: se você não estiver na Penske ou na Ganassi esquece.

Larissa Leite

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