Daniel Ricciardo destrava a dança das cadeiras na Formula 1

Por: Adauto Silva

Na minha última coluna eu havia escrito que Alonso e Ricciardo estavam dando sopa no mercado e a Ferrari devia aproveitar.

Bem, um deles não está mais…

Daniel Ricciardo deu a largada na dança das cadeiras da F1 para 2019.

O que vai acontecer agora é muito difícil prever com exatidão, mas podemos refletir um pouco sobre isso

Em primeiro lugar, gostei muito da decisão de RIC em sair da Red Bull e ir para a equipe de fábrica da Renault. Eu já havia escrito antes que ele tinha que sair da Red Bull…

Lógico que eu o preferia na Ferrari, porque lá ele teria condições de disputar o título imediatamente logo no primeiro ano, mas a Renault não é uma má escolha.

Eu diria que três fatores pesaram na decisão dele:

– Com 29 anos chegou a hora de um piloto top como ele ganhar dinheiro, fazer a vida mesmo. Na Red Bull ele não ia conseguir, lá eles pagam pouco.

– Motor Honda. RIC deu sinais claros de descontentamento quando a Red Bull anunciou o motor Honda para 2019 e 2020. E Horner ontem chegou até a dizer que 2019 (2020 também, eu digo) será um ano de “transição” para a Red Bull. Ano de transição em linguagem de corrida é ano sem vitórias, é um ano totalmente fora do páreo.

– Max Verstappen. O moleque fenômeno roubou a equipe de RIC – que já a tinha roubado de Vettel em 2014 – e tornou-se o queridinho de Helmut Marko, que é uma das pessoas mais intragáveis da Formula 1.

O que a Renault precisa fazer agora é formar uma equipe técnica melhor. O carro é fraco, Bob Bell, que também é fraco, já foi demitido. Precisamos aguardar quem vai chegar, porque a unidade de potência e o carro precisam melhorar.

RIC e Hulk fazem uma excelente dupla de pilotos. Ambos são muito rápidos, muito técnicos, inteligentes e sabem trabalhar super bem em equipe. Mas não fazem milagre – assim como nenhum piloto faz -, portanto precisarão de equipamento melhor para pelo menos disputar o P3 atrás de Ferrari e Mercedes ano que vem.

A mudança de regulamento para 2019, apesar de não ser enorme, abre uma janela para algum projetista dar um salto de qualidade e melhorar o carro em 2, 3 segundos em relação ao carro do final deste ano. Mas também pode piorar, assim como aconteceu com a McLaren e a Williams nessa temporada.

Por isso a equipe técnica é tão importante. É isso que a Renault precisa agora.

E o resto?
A McLaren contratou um dos melhores projetistas da F1, James Key, que melhorou sempre e muito todos os carros das equipes nas quais trabalhou. Key nunca teve um orçamento do tamanho do da McLaren para trabalhar, portanto acho que tem muita chance de dar certo e já em 2019 o carro ser infinitamente melhor que o atual.

Mandaram embora Eric Boullier, um cara que provavelmente não volta mais para a categoria – a não ser em alguma equipe nova e nanica – porque é incompetente. Se alguma equipe atual contratá-lo eu vou ficar bastante surpreso!

Contrataram também Gil de Ferran para fazer quase tudo que Boullier fazia. Eu tenho muita fé no Gil, trata-se de uma pessoa espetacular, muito inteligente, um grande ex-piloto e muito experiente no meio automobilístico. Tenho ótimas expectativas em relação a ele.

A McLaren também terá o patrocínio e os lubrificantes da Petrobras em 2019, ou seja, muito diferente da Williams que está perdendo seu principal e praticamente único patrocinador.

O que a McLaren precisa agora é tentar segurar o Alonso, caso a Ferrari não crie juízo não contratando o espanhol para 2019.

Posso estar muito errado, mas duvido que Fernando mude de categoria. Ele ainda está no topo de seu jogo e nenhum carro de qualquer outra categoria pode oferecer a ele o desafio de pilotar um F1. Não existe nada no mundo que chegue perto da velocidade geral e da complexidade de guiar um F1.

A Ferrari já “perdeu” Ricciardo. Não poderia perder Alonso também. Os italianos precisam parar com essa palhaçada de ter um piloto bom e outro fraco. Não está dando certo. A maior equipe da F1 não ganha um título há 10 anos. Se eles continuarem fazendo a mesma coisa ficarão mais 10 anos sem título.

Fernando Alonso tem defeitos que todos conhecem, mas com um carro competitivo ele entrega mesmo, sempre entregou. Veja o que ele fez contra todos os companheiros de equipe em sua carreira, com exceção de Hamilton. E ele não está velho, as voltas onboard nessa porcaria de carro mostram que ele ainda guia muito, ainda tira tudo do carro e continua massacrando quem estiver como companheiro de equipe. Vandoorne, que era tido como um fenômeno tipo Verstappen, que o diga…

A Williams é preocupante, muito preocupante. Eu já havia escrito no final do ano passado – quando estive no GP do Brasil visitando o box de quase todas as equipes – que a Williams estava uma bagunça e sem líder.

Bem, pelas informações que tenho tudo vem piorando lá dentro. Os resultados de pista corroboram com a falta de liderança, tanto técnica quando empresarial. Com a perda da Martini para 2019 a Williams vai precisar encontrar outro grande patrocinador, ou vai depender totalmente do dinheiro da Liberty e dos pilotos pagantes. O pai de Stroll está dando sinais claros que quer sair de lá e talvez se juntar ao pool interessado na Force India, talvez até liderá-lo.

Se Stroll sair e eles não conseguirem um grande patrocinador – o que é o mais provável – temo que a Williams vire nanica e não passe de 2020 na F1. Espero que isso não aconteça, mas o quadro atual é tenebroso para eles.

A Force India será comprada. O futuro dos pilotos que é incerto. Sergio Perez tem patrocínios robustos o bastante para se manter lá, até como um dos sócios talvez. Mas Ocon não tem, ele precisa se virar apenas com o seu talento, que é bom, mas não o bastante para bater Perez sem dó nem piedade. E isso deve estar tirando o sono do francês, que me parece um piloto melhor que Perez, mas não muito…

Estou curioso também para entender o futuro de Carlos Sainz. Ele volta para a Red Bull para fazer dupla com Verstappen ou para a Toro Rosso? Helmut Marlo prefere Sainz a Gasly? Acho que não. Eu colocaria Gasly pra fazer dupla com Max, mesmo porque não haveria muito problema em perder de Max no primeiro ano na Red Bull. Mas se Sainz for pra lá e tomar uma saraivada – que é o mais provável – a carreira dele entrará em sério risco de terminar.

Temos também a Haas, que faz um belíssimo campeonato e por enquanto está em P5 à frente da Force India e da McLaren. Minhas fontes dizem que a equipe já está sem paciência com Grosjean, que reclama demais e não entrega. Magnussen, que não é exatamente um gênio ao volante, tem 44 pontos na tabela enquanto o francês tem apenas 21. Se aparecer negócio melhor para Gene Haas o Groselha dança.

Quem parece que não “dança” nunca é Marcus Ericsson, que a torcida brasileira considera um lixo de piloto. Ele não é um lixo, até porque se fosse, o Leclerc não estaria tão bem cotado. A F1 não considera “empurrar bêbado em ladeira” como um grande feito…

Leclerc no lugar de Kimi?
Tem gente que dá isso como certo. Tem gente que diz até que o contrato já foi assinado e ele corre no lugar do Kimi em 2019. Eu só acredito vendo um anúncio oficial de alguma parte. Leclerc parece ser muito bom, mas é muito crú pra encarar um assento titular na Ferrari! Não sei se você leitor reparou na quantidade de erros que ele cometeu no GP da Alemanha.

Ele rodou duas vezes, apesar da TV ter mostrado apenas uma. Teve muita sorte de não bater em nenhuma delas, mas se fosse um piloto Ferrari fazendo aquilo seria massacrado. A imprensa italiana é totalmente passional em relação a Ferrari, se comporta exatamente como a torcida e isso certamente pesa demais no psicológico de um garoto inexperiente. Eu o deixaria no mínimo mais um ano na Sauber – que deve melhorar o carro ano que vem – e só então pensaria na possibilidade.

Temos que ver como se comportam os dois novos manda-chuvas da Ferrai, o CEO Louis Carey Camilleri, ex-comandante da fabricante de cigarros Philip Morris, e o novo presidente John Elkann, que exerce a mesma função na Fiat Chrysler Automobiles (FCA). Porque se depender de Arrivabene fica tudo como está. Maurizio gosta de Kimi e não quer ter trabalho com Alonso.

Em termos técnicos e de marketing, uma dupla Vettel e Alonso seria a coisa mais espetacular que a Ferrari poderia fazer. O retorno seria absolutamente garantido em ambas as frentes.

Mas precisa ser “macho” pra lidar com uma dupla dessas.

Não é pra qualquer um.

Adauto Silva
Leia e comente outras colunas do Adauto Silva

AS - www.autoracing.com.br

ATENÇÃO: Comentários com textos ininteligíveis ou que faltem com respeito ao usuário não serão aprovados pelo moderador.