Como nasce um carro de Formula 1?

Mercedes F1

Tradução: Adauto Silva

James Allison explicando como nasce um carro de F1:

“Na verdade um carro novo começa a ser concebido muito antes do que a maioria das pessoas pensam. O W10, nosso carro de 2019, começou a nascer nos meses finais de 2017.”

“As partes mais novas do novo projeto vem do desenhista chefe da unidade de potência e do desenhista chefe do chassi, quando eles se encontram em Brackley para acertar quais são os seus principais objetivos para o novo carro.”

“Eles tentam entender onde as oportunidades estão, encontrar performance onde não era mais possível no carro anterior. São coisas difíceis, por isso temos que começar muito tempo antes.”

“Então esses dois chefes se encontram com um grupo muito especial e experiente de engenheiros das duas companhias e nós chamamos isso de “Grupo de Conceito”. Eles analisam muitas opções diferentes de maneira dura, muito dura, para ver quais coisas vamos levar para o carro novo.”

Na imaginação popular o inverno (europeu) é muito mais tranquilo do que a temporada propriamente dita, mas a verdade é que nunca é tranquilo. Ficamos muito ocupados o ano inteiro enquanto concebemos e desenhamos o carro novo durante a temporada, E o inverno é o ponto do ano onde tudo começa a acontecer, as partes novas começam a chegar e a serem testadas, primeiro individualmente e depois como componentes de uma parte maior e finalmente no carro inteiro.”

“Mas muito antes dessas partes pu peças novas chegarem no carro, houve muito trabalho, gente virando a noite fazendo centenas de esboços todos os dias, pessoal da produção, do planejamento, nossos compradores, todos trabalhando freneticamente para que essa quantidade enorme de material novo chegar na fábrica a tempo de ser checado e montado.”

“Quando tudo isso chega na fábrica, o trabalho pesado recai sobre o pessoal que o monta, que o testa e que faz tudo funcionar para que quando cheguemos na pista, todas as peças e partes do carro já tenham passado por todo tipo de teste que você possa imaginar, tensões, temperaturas, ciclos de fadiga que serão submetidos em seu uso máximo.”

“A primeira vez que ligamos o motor no carro é um evento interessante, porque todo mundo pode ouvir. Você tinha uma fábrica que ficou sem silêncio por algumas semanas desde o final da última temporada até este momento, onde tudo ganha vida novamente. Mesmo que você não esteja no local da fábrica onde isso acontece, o coração central do carro, o sistema hidráulico, de combustível, de refrigeração, o chassi, a unidade de potência, a transmissão…. não parece com um carro de corrida ainda. Está mais para quando o Arnold Schwarzenegger tira toda a sua pele fora e vira o Exterminador.”

“É o primeiro ponto onde você pode ver tudo ganhando vida. Então todos da fábrica, mesmo os que não estão lá no recinto naquele momento, podem ouvir. E isso tem um impacto sobre todos nós, porque ouvir um motor de corrida ganhar vida dentro da fábrica. E este é o momento que marca a metade do trabalho de quando o carro começou a ser concebido até ele ir à pista pela primeira vez em Melbourne.”

“O que é interessante nisso é a ausência física do piloto durante esse período, Enquanto nós estamos preparando o carro para eles, eles estão se preparando fisicamente para os desafios da temporada seguinte. Portanto, apesar de eles não estarem fisicamente presentes, o carro propriamente dito é uma grande parte do piloto. Porque em qualquer evento que tivermos em pista, todas as vezes que o volante do carro for virado em qualquer treino, classificação ou corrida, o piloto depois se senta conosco e nos conta, curva a curva, volta a volta tudo o que o carro fez, o quais seus pontos fortes e fracos, o que eles precisam que seja diferente para eles melhorarem e para nós melhorarmos. Escrevemos tudo isso e tentamos compilar tudo para colocarmos no carro novo.”

“Então, mesmo eles não estando fisicamente presentes, as vozes deles estão no carro. E eles vão ver como nós respondemos a tudo o que eles nos disseram no ano anterior quando chegarmos em Barcelona para a pré-temporada. Se conseguimos melhorar o que já era um ponto forte no carro e tirar suas fraquezas.”

“Teremos o teste chave da pré-temporada, mas antes disso temos o shakedown. O shakedown é uma quantidade bem limitada de quilômetros que podemos rodar com o carro antes da pré-temporada. É a nossa primeira oportunidade de ver se tudo que fizemos na fábrica fará o carro ser capaz de andar bem. O shakedown é também nossa ultima oportunidade de termos certeza que a importantíssima pré-temporada de apenas oito dias seja a mais proveitosa possível. Nós não queremos que esses oito dias sejam interrompidos por nenhuma forma de problemas que subtraia nossas oportunidades de maximizar nosso tempo de pista. Por isso o shakedown é vital para nós.”

“Todo o planejamento, carinho, atenção, enfim, tudo o que foi feito até o dia desses poucos quilômetros de shakedown são importantes demais para todos nós, porque é isso que atesta o que vamos ver quando as coisas ‘pegarem na vida real na pista’.”

AS - www.autoracing.com.br

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