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História do Automóvel - Rolls Royce- 05/11/2000  
Frederick Henry Royce
Frederick Henry Royce

ROLLS ROYCE – OU A HISTÓRIA DE UM NOBRE E UM PLEBEU !

O que pode acontecer quando um entediado Lord inglês, o qual gastava seu tempo com esportes de elite e aventuras resolve, um dia, encomendar a um torneiro mecânico de sua cidade, um motor veloz e ao mesmo tempo silencioso ? Muito pouco ou nada se esse Lord não se chamasse Charles Stewart Rolls e se o torneiro mecânico não tivesse o nome de Frederick Henry Royce!

O jovem Henry atendeu ao pedido desenvolvendo um motor bastante possante mas silencioso ao ponto de, quando foi montado em um chassis francês De Dion, em 1904 (foto 2), (na época era comum empresas que somente montavam sobre um conjunto mecânico toda a parte de carroçaria – os encarroçadores), o automóvel causou verdadeiro “frisson” entre os elegantes frequentadores do clube de criquet de Londres. Não demoraram as encomendas e muito menos a curiosidade sobre as origens de tão perfeita máquina. Isso serviu para despertar da monotonia palaciana o jovem Charles que procurou Henry e lhe propôs uma sociedade onde ele (Charles) entraria com o dinheiro e o prestígio cabendo ao outro os projetos e desenvolvimento dos produtos.

Foto 2

Em dezembro do mesmo ano, o primeiro fruto dessa sociedade estava concluído mas faltava um nome, uma marca.

Após pesquisar em livros de história um nome que conferisse a devida pompa ao carro, Charles, admirador da arquitetura grega, de onde já tirara o desenho da grade do radiador de seu veículo, deteve-se em uma ilustração de um tablóide da época, onde uma mulher alada – The Spirit of Extase – aparecia gloriosa. Mas não ficava bem chamar aquela “jóia motorizada” de “espírito” ! Uma noite, conversando com seu sócio, concordou que se o produto era tão bom, devia levar o nome de seus criadores. Nascia assim a Rolls and Royce Co. a qual, pouco tempo depois eliminou o and e manteve ROLLS ROYCE. Realmente o motor criado por Henry Royce era tão bom que logo equipava os aviões da Royal Air Force – RAF tendo grande atuação na Iª GUERRA MUNDIAL. Daí para a frente a marca, que adotara a estatueta alada sobre o capo de motor, já designava produtos exclusivos e de qualidade insuperável. O preferido entre reis e príncipes!

A qualidade era levada a sério ao ponto, de em 1.920, um nobre britânico durante um safari pela África, ter o eixo de seu modelo quebrado. Telegrafando para a fábrica, em Norfolk, recebeu dias depois um eixo novo que lhe permitiu prosseguir em sua caçada. De volta à Inglaterra, estranhando não receber a fatura com o valor da peça mais as despesas do navio que a levou até a cidade do Cairo, escreveu à fábrica querendo pagar e, surpreso, recebeu como resposta a estranheza de suas palavras já que “os Rolls Royce nunca quebram”! (foto 3)

Foto 3

 

 

 

 

 

Fatos como esse rechearam a história do carro dos reis que a princípio levava duas letras R grafadas em vermelho. A partir do ano de 1910, com a morte de Charles Rolls (foto 4) em um acidente aéreo, um dos R passaria a ser grafado em negro (sinal do luto pela morte de um de seus fundadores). O outro R também passaria a ser negro no ano de 1933 com a morte de Henry Royce. Mas a morte não pôs fim à lenda.

Foto 4

Por mais que se modernizem as linhas dos automóveis, sempre haverá espaço para o Rolls Royce cujo radiador ainda lembra as formas dos templos gregos e tem sublime, a deslizar pelo mundo, a figura em prata do The Spirit of Extase.

Ao longo desses anos todos, já não é verdade que para se comprar um deles deve-se ter ascendência nobre.

É claro que trata-se de um produto caro já que a pele de couro para os estofados vem de bois criados longe de cercas de arame farpado, para não estragar a peça. A madeira de lei que cobre os painéis de instrumentos vai de florestas tropicais, entre elas, do Brasil, quando recebem até trinta demãos de verniz preparado sob o mais “secreto” segredo. Após muitas mãos de tinta, a carroçaria está pronta para receber o polimento final e uma das partes mais trabalhosas de serem feitas é o capo, feito a mão, por artesãos dentro dos mesmos princípios com que se faziam há quase um século atras! Uma curiosidade sobre a estatueta. Dizem as más línguas que a modelo que posou para o escultor era na verdade uma namorada de Charles. Por outro lado, o inventivo Henry Royce apelidava os modelos de carros com nomes como Silver Phanton (Fantasma de Prata), Silver Ghost (Espírito de Prata) ou Silver Shadow (Sombra de Prata). Aliás, uma curiosidade final – o modelo Silver Shadow resistiu por muito tempo, se transformando no Rolls Royce mais vendido.

Foto 5

Houve até mesmo dois Rolls Royce que participaram do Rally da Copa do Mundo de Futebol, no México, em 1.970. É claro que não se saíram bem mas valeu o esforço para dar um ar esportivo à sempre séria marca do radiador em forma de templo grego.(foto 5)

Mas ninguém se importa com isso já que correr nunca foi a preocupação de quem tem um Rolls Royce na vida. Ele sempre foi feito para ser curtido e não “esmerilhado”.

Basta ligar seu motor, silencioso como uma oração, acomodar-se nos bancos de couro e ouvir o som puro de seu aparelho para entender isso. Não importa se em uma cidade congestionada, um deserto ou uma auto pista, todos os lugares parecerão terem sido acarpetados.

Wrigth, Park Ward e Barker já não encarroçam essas maravilhas as quais saem de fábrica prontas para perpetuar a lenda da marca que um dia uniu um nobre e um plebeu para tornar realidade o sonho de muitos endinheirados em possuir um automóvel que os preceda na aristocracia e no status! (foto 6)

Foto 6

 

Paulo Bellini - paulobellini@autoracing.com.br

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