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Frederick
Henry Royce
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ROLLS
ROYCE OU A HISTÓRIA DE UM NOBRE E UM PLEBEU !
O que pode acontecer
quando um entediado Lord inglês, o qual gastava seu tempo
com esportes de elite e aventuras resolve, um dia, encomendar a
um torneiro mecânico de sua cidade, um motor veloz e ao mesmo
tempo silencioso ? Muito pouco ou nada se esse Lord não se
chamasse Charles Stewart Rolls e se o torneiro mecânico não
tivesse o nome de Frederick Henry Royce!
O jovem Henry
atendeu ao pedido desenvolvendo um motor bastante possante mas silencioso
ao ponto de, quando foi montado em um chassis francês De Dion,
em 1904 (foto 2), (na época era comum empresas que
somente montavam sobre um conjunto mecânico toda a parte de
carroçaria os encarroçadores), o automóvel
causou verdadeiro frisson entre os elegantes frequentadores
do clube de criquet de Londres. Não demoraram as encomendas
e muito menos a curiosidade sobre as origens de tão perfeita
máquina. Isso serviu para despertar da monotonia palaciana
o jovem Charles que procurou Henry e lhe propôs uma sociedade
onde ele (Charles) entraria com o dinheiro e o prestígio
cabendo ao outro os projetos e desenvolvimento dos produtos.
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Foto
2
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Em dezembro
do mesmo ano, o primeiro fruto dessa sociedade estava concluído
mas faltava um nome, uma marca.
Após
pesquisar em livros de história um nome que conferisse a
devida pompa ao carro, Charles, admirador da arquitetura grega,
de onde já tirara o desenho da grade do radiador de seu veículo,
deteve-se em uma ilustração de um tablóide
da época, onde uma mulher alada The Spirit of Extase
aparecia gloriosa. Mas não ficava bem chamar aquela
jóia motorizada de espírito
! Uma noite, conversando com seu sócio, concordou que se
o produto era tão bom, devia levar o nome de seus criadores.
Nascia assim a Rolls and Royce Co. a qual, pouco tempo depois eliminou
o and e manteve ROLLS ROYCE. Realmente o motor criado por Henry
Royce era tão bom que logo equipava os aviões da Royal
Air Force RAF tendo grande atuação na Iª
GUERRA MUNDIAL. Daí para a frente a marca, que adotara a
estatueta alada sobre o capo de motor, já designava produtos
exclusivos e de qualidade insuperável. O preferido entre
reis e príncipes!
A qualidade
era levada a sério ao ponto, de em 1.920, um nobre britânico
durante um safari pela África, ter o eixo de seu modelo quebrado.
Telegrafando para a fábrica, em Norfolk, recebeu dias depois
um eixo novo que lhe permitiu prosseguir em sua caçada. De
volta à Inglaterra, estranhando não receber a fatura
com o valor da peça mais as despesas do navio que a levou
até a cidade do Cairo, escreveu à fábrica querendo
pagar e, surpreso, recebeu como resposta a estranheza de suas palavras
já que os Rolls Royce nunca quebram! (foto
3)
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Foto
3
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Fatos como esse
rechearam a história do carro dos reis que a princípio
levava duas letras R grafadas em vermelho. A partir do ano de 1910,
com a morte de Charles Rolls (foto 4) em um acidente aéreo,
um dos R passaria a ser grafado em negro (sinal do luto pela morte
de um de seus fundadores). O outro R também passaria a ser
negro no ano de 1933 com a morte de Henry Royce. Mas a morte não
pôs fim à lenda.
Por mais que
se modernizem as linhas dos automóveis, sempre haverá
espaço para o Rolls Royce cujo radiador ainda lembra as formas
dos templos gregos e tem sublime, a deslizar pelo mundo, a figura
em prata do The Spirit of Extase.
Ao longo desses
anos todos, já não é verdade que para se comprar
um deles deve-se ter ascendência nobre.
É claro
que trata-se de um produto caro já que a pele de couro para
os estofados vem de bois criados longe de cercas de arame farpado,
para não estragar a peça. A madeira de lei que cobre
os painéis de instrumentos vai de florestas tropicais, entre
elas, do Brasil, quando recebem até trinta demãos
de verniz preparado sob o mais secreto segredo. Após
muitas mãos de tinta, a carroçaria está pronta
para receber o polimento final e uma das partes mais trabalhosas
de serem feitas é o capo, feito a mão, por artesãos
dentro dos mesmos princípios com que se faziam há
quase um século atras! Uma curiosidade sobre a estatueta.
Dizem as más línguas que a modelo que posou para o
escultor era na verdade uma namorada de Charles. Por outro lado,
o inventivo Henry Royce apelidava os modelos de carros com nomes
como Silver Phanton (Fantasma de Prata), Silver Ghost (Espírito
de Prata) ou Silver Shadow (Sombra de Prata). Aliás, uma
curiosidade final o modelo Silver Shadow resistiu por muito
tempo, se transformando no Rolls Royce mais vendido.
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Foto
5
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Houve até
mesmo dois Rolls Royce que participaram do Rally da Copa do Mundo
de Futebol, no México, em 1.970. É claro que não
se saíram bem mas valeu o esforço para dar um ar esportivo
à sempre séria marca do radiador em forma de templo
grego.(foto 5)
Mas ninguém se importa com isso já que correr nunca
foi a preocupação de quem tem um Rolls Royce na vida.
Ele sempre foi feito para ser curtido e não esmerilhado.
Basta ligar seu motor, silencioso como uma oração,
acomodar-se nos bancos de couro e ouvir o som puro de seu aparelho
para entender isso. Não importa se em uma cidade congestionada,
um deserto ou uma auto pista, todos os lugares parecerão
terem sido acarpetados.
Wrigth, Park Ward e Barker já não encarroçam
essas maravilhas as quais saem de fábrica prontas para perpetuar
a lenda da marca que um dia uniu um nobre e um plebeu para tornar
realidade o sonho de muitos endinheirados em possuir um automóvel
que os preceda na aristocracia e no status! (foto 6)

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