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Primeira
Sede
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O
LEÃO VIROU JAGUAR!
Corria o ano
de 1.923 na pacata cidade de Blackpool, Inglaterra. Williams Lyons,
próspero fabricante de side cars (aquelas barquinhas com
rodas, colocadas ao lado das motocicletas), via seus negócios
cada vez mais sólidos, junto a seu sócio e vizinho,
Walmsley. Mas aquilo ainda era pouco para um jovem herdeiro de uma
carvoaria.
Um dia Williams recebeu uma encomenda de certo modo estranha. Um
amigo seu, dono de um peque no Austin (carro popular inglês
), queria personalizar seu veículo mas não sabia como.
Foi aí
que ele se lembrou das habilidades do Sr. Lyons que pensou muito
antes de aceitar a encomenda mas não resistiu em testar seus
conhecimentos em um carro maior que suas motocicletas e side cars
da marca Swallow. Quase um mês depois sua criação
estava concluída, apesar de muito simplória. Na verdade,
o pequeno Austin Seven (esse era o modelo), apenas ganhara pintura
em duas cores e um para brisas menor e mais esportivo. Sem perceber,
Williams dera início a uma clientela que, dois anos depois,
o levaria como expositor ao famoso Salão do Automóvel
de Londres onde apresentaria diversas criações sempre
a partir dos modestos Austin Seven. Eram sedãs, cupês
esportivos, sedanetes e limousines que em alguns casos, pouco lembravam
seu modelo de origem.
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O
1º Austin Swallow de 1930
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Já no
início do século XX, Daimler e Benz eram concorrentes
cada qual com seu próprio produto. O símbolo escolhido
por Carl era uma coroa de louros, marca da vitória. Já
o de Daimler era uma estrela de três pontas uma vez que ele
pretendia produzir motores para terra, ar e mar.
Os dois nunca trabalharam juntos já que Daimler faleceria
anos antes da fusão (que garantiria a sobrevivência
das duas empresas) ocorrida em 1926. Também não veria
o nome que a filha de um de seus representantes, Emile Jellineck,
emprestaria a seu produto - Mercedes.
A admiração pelos carrinhos do sr. William crescia
na mesma proporção em que subia o faturamento de sua
fábrica, a qual já não produzia mais os side
cars! Se cresciam os lucros, diminuía a vontade de continuar
fazendo carros maquilados. O que ele queria mesmo era algo diferente.
Para o Salão de 1.931, William apresentaria uma revolução
partindo do conhecido chassis Morris. Ele rebaixou a suspensão,
incrementando o motor e criando um alojamento para ele, muito maior
que os padrões da época. O carro era um falso conversível,
como deviam ser os veículos espetaculares de então,
mas precisava de um nome forte. A escolha recaiu sobre SS - Swallow
Special !
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O
1º SS-antecessor do Jaguar
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Esse nome permaneceria
denominando as criações da Swallow Coachbuilding &
Co. até 1.935 quando, sempre buscando mais, William foi se
inspirar no mundo animal para completar a sigla SS de seu novo modelo.
Um felino sempre despertou admiração entre os entusiastas
dos esportes motorizados, o Cheeta (pronuncia-se Xíta). Porém
a dificuldade da pronúncia já bastou para William
desistir da idéia.
Sua teimosia,
no entanto, lhe levaria ao outro nome da própria Cheeta
o JAGUAR.
Estava feita
a escolha e seu debut foi um êxito só.
Rapidamente os SS JAGUAR passaram a ser reconhecidos nas estradas
e cidades como JAGUAR e a marca registrada deles era a velocidade
e o bom acabamento aliados a preços módicos. Esse
binômio perdurou até o início dos anos 40 quando
a Jaguar Cars & Co. deixou o mundo automobilístico atônito
com a apresentação do XK 120 até então
um protótipo. Por que XK 120 ? X de protótipo / K
120 de velocidade máxima de cruzeiro. Só que estavam
falando de MILHAS !
Para surpresa
geral, foi marcado um test-drive com jornalistas que, incrédulos,
atestaram ser 120 milhas a velocidade alcançada pelo carro.
A partir desse protótipo, a Jaguar passou a inscrever seus
carros, sempre pintados na cor verde, oficial da Inglaterra, em
corridas de prestígio internacional a partir de 1.948 e venceu
muitas delas. Do XK 120, nasceria o XK 140 e logo depois,a dinastia
Type E, produzida até finais dos anos 60 mas, o requinte
nunca foi deixado de lado já que carros como o Mark II aliavam
potência e luxo.
Sir William
Lyon deixou seu nome escrito de maneira definitiva na história
do automóvel. Seus carros nunca deixaram de povoar os sonhos
de muitas pessoas pelo mundo afora, até hoje, sempre seduzidas
pelo ronco suave e forte de seus motores, pela leveza de seus desenhos
e pela áurea de vitória que sempre serviu de propaganda
para suas vendas. Ao morrer em 1.950, finalmente conseguira fazer
curvar ante sua marca, nomes poderosos como Ford, Bugatti, e tantos
outros que alimentaram sua ambição quando ainda fabricava
side cars, provando de maneira incontestável que o Leão
virara para sempre JAGUAR ! E o mundo entendeu essa virada.
Apesar de ter-se
retirado das pistas durante um longo período ( a última
participação da marca foi na derradeira edição
do Campeonato Mundial de Marcas, quando se sagrou campeã
guiado pelas mãos do brasileiro Raul Boesel ), a JAGUAR reapareceria
no Campeonato Mundial de Fórmula 1.
Adquirida pelo
grupo Ford, a marca dos carros verdes disse presente
na largada do campeonato de 2000, tendo como pilotos Johnny Herbert
e Eddie Irvine, ambos do Reino Unido como não poderia deixar
de ser para um nome britânico. A reestréia não
foi das melhores mas serviu para que mais um grande nome da história
do Automóvel voltasse para as pistas como aconteceu nos últimos
tempos com outras marcas como BMW, Honda, Mercedes Benz, etc...
Pintado em prateado
nas laterais das entradas de ar do carro, a figura lendária
do Jaguar lembra a quem tiver dúvidas que essa volta, como
tudo o que aconteceu na curta porém gloriosa história
da Jaguar Cars Co., a fará rugir muito em breve, de novo!

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