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História do Automóvel - Jaguar- 18/10/2000  
O ínicio...
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O “LEÃO” VIROU JAGUAR’!

Corria o ano de 1.923 na pacata cidade de Blackpool, Inglaterra. Williams Lyons, próspero fabricante de side cars (aquelas barquinhas com rodas, colocadas ao lado das motocicletas), via seus negócios cada vez mais sólidos, junto a seu sócio e vizinho, Walmsley. Mas aquilo ainda era pouco para um jovem herdeiro de uma carvoaria.

Um dia Williams recebeu uma encomenda de certo modo estranha. Um amigo seu, dono de um peque no Austin (carro popular inglês ), queria personalizar seu veículo mas não sabia como.

Foi aí que ele se lembrou das habilidades do Sr. Lyons que pensou muito antes de aceitar a encomenda mas não resistiu em testar seus conhecimentos em um carro maior que suas motocicletas e side cars da marca Swallow. Quase um mês depois sua criação estava concluída, apesar de muito simplória. Na verdade, o pequeno Austin Seven (esse era o modelo), apenas ganhara pintura em duas cores e um para brisas menor e mais esportivo. Sem perceber, Williams dera início a uma clientela que, dois anos depois, o levaria como expositor ao famoso Salão do Automóvel de Londres onde apresentaria diversas criações sempre a partir dos modestos Austin Seven. Eram sedãs, cupês esportivos, sedanetes e limousines que em alguns casos, pouco lembravam seu modelo de origem.

O primeiro motor Daimler de 1883
O 1º Austin Swallow de 1930

Já no início do século XX, Daimler e Benz eram concorrentes cada qual com seu próprio produto. O símbolo escolhido por Carl era uma coroa de louros, marca da vitória. Já o de Daimler era uma estrela de três pontas uma vez que ele pretendia produzir motores para terra, ar e mar.
Os dois nunca trabalharam juntos já que Daimler faleceria anos antes da fusão (que garantiria a sobrevivência das duas empresas) ocorrida em 1926. Também não veria o nome que a filha de um de seus representantes, Emile Jellineck, emprestaria a seu produto - Mercedes.

A admiração pelos carrinhos do sr. William crescia na mesma proporção em que subia o faturamento de sua fábrica, a qual já não produzia mais os side cars! Se cresciam os lucros, diminuía a vontade de continuar fazendo carros maquilados. O que ele queria mesmo era algo diferente. Para o Salão de 1.931, William apresentaria uma revolução partindo do conhecido chassis Morris. Ele rebaixou a suspensão, incrementando o motor e criando um alojamento para ele, muito maior que os padrões da época. O carro era um falso conversível, como deviam ser os veículos espetaculares de então, mas precisava de um nome forte. A escolha recaiu sobre SS - Swallow Special !

O primeiro motor Benz de 1886
O 1º SS-antecessor do Jaguar

Esse nome permaneceria denominando as criações da Swallow Coachbuilding & Co. até 1.935 quando, sempre buscando mais, William foi se inspirar no mundo animal para completar a sigla SS de seu novo modelo. Um felino sempre despertou admiração entre os entusiastas dos esportes motorizados, o Cheeta (pronuncia-se Xíta). Porém a dificuldade da pronúncia já bastou para William desistir da idéia.

Sua teimosia, no entanto, lhe levaria ao outro nome da própria Cheeta – o JAGUAR.

Estava feita a escolha e seu “debut” foi um êxito só. Rapidamente os SS JAGUAR passaram a ser reconhecidos nas estradas e cidades como JAGUAR e a marca registrada deles era a velocidade e o bom acabamento aliados a preços módicos. Esse binômio perdurou até o início dos anos 40 quando a Jaguar Cars & Co. deixou o mundo automobilístico atônito com a apresentação do XK 120 até então um protótipo. Por que XK 120 ? X de protótipo / K 120 de velocidade máxima de cruzeiro. Só que estavam falando de – MILHAS !

Para surpresa geral, foi marcado um test-drive com jornalistas que, incrédulos, atestaram ser 120 milhas a velocidade alcançada pelo carro. A partir desse protótipo, a Jaguar passou a inscrever seus carros, sempre pintados na cor verde, oficial da Inglaterra, em corridas de prestígio internacional a partir de 1.948 e venceu muitas delas. Do XK 120, nasceria o XK 140 e logo depois,a dinastia Type E, produzida até finais dos anos 60 mas, o requinte nunca foi deixado de lado já que carros como o Mark II aliavam potência e luxo.

Daimler + Benz = Mercedes-Benz
Jaguar XK-120

Sir William Lyon deixou seu nome escrito de maneira definitiva na história do automóvel. Seus carros nunca deixaram de povoar os sonhos de muitas pessoas pelo mundo afora, até hoje, sempre seduzidas pelo ronco suave e forte de seus motores, pela leveza de seus desenhos e pela áurea de vitória que sempre serviu de propaganda para suas vendas. Ao morrer em 1.950, finalmente conseguira fazer curvar ante sua marca, nomes poderosos como Ford, Bugatti, e tantos outros que alimentaram sua ambição quando ainda fabricava side cars, provando de maneira incontestável que o Leão virara para sempre JAGUAR ! E o mundo entendeu essa virada.

Apesar de ter-se retirado das pistas durante um longo período ( a última participação da marca foi na derradeira edição do Campeonato Mundial de Marcas, quando se sagrou campeã guiado pelas mãos do brasileiro Raul Boesel ), a JAGUAR reapareceria no Campeonato Mundial de Fórmula 1.

Adquirida pelo grupo Ford, a marca dos “carros verdes” disse presente na largada do campeonato de 2000, tendo como pilotos Johnny Herbert e Eddie Irvine, ambos do Reino Unido como não poderia deixar de ser para um nome britânico. A reestréia não foi das melhores mas serviu para que mais um grande nome da história do Automóvel voltasse para as pistas como aconteceu nos últimos tempos com outras marcas como BMW, Honda, Mercedes Benz, etc...

Pintado em prateado nas laterais das entradas de ar do carro, a figura lendária do Jaguar lembra a quem tiver dúvidas que essa volta, como tudo o que aconteceu na curta porém gloriosa história da Jaguar Cars Co., a fará rugir muito em breve, de novo!

Gotheb Daimler e Karl Benz
O tipo E V12 Spyder

 

Paulo Bellini - paulobellini@autoracing.com.br

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