5 boas corridas pra você se distrair nas férias da F1 (vídeos)

GP do Brasil de 2019 de Formula 1

Por: Bruno Aleixo

O que fazer para acabar com ansiedade pela temporada 2020 da Fórmula 1? Ora, vendo corridas antigas de F1, por que não? Mas, esqueça aquelas corridas clássicas, que todo mundo se arrepia só de lembrar (Gp do Brasil/2003 ou 2008, Gp do Japão 1988, só pra citar algumas). Hoje, o cardápio tem algumas provas que você já tinha até esquecido, mas que com certeza te deixaram grudado na TV durante a transmissão.

Portanto, programe-se, reúna os amigos que gostam de velocidade, clique nos links abaixo e me agradeça depois:

GP do Japão – 1993

Senna x Irvine – Japão 1993

A temporada de 1993 foi, na opinião deste humilde colunista, a melhor de Ayrton Senna na Fórmula 1. Com um carro que era o terceiro em performance (perdia para a Benetton e, de longe, para a Williams), o brasileiro venceu 5 corridas e terminou com o vice-campeonato, uma façanha tão grande quanto os seus três títulos mundiais (talvez maior). E esse GP do Japão pode ser considerado um bom resumo da temporada.

Largando em segundo, Senna superou Alain Prost já na arrancada e foi embora. Mais atrás, Gerhard Berger, Damon Hill e Michael Schumacher protagonizavam um lindo duelo, com Schumacher se precipitando, batendo em Hill e saindo da prova com a suspensão dianteira danificada.

Senna, que liderava tranquilo, parou para trocar pneus e, quando saiu dos boxes, a chuva começou a cair. Sem alternativa, o brasileiro voltou para colocar pneus de chuva retornando à prova em segundo, atrás do rival Prost. Sem nenhuma cerimônia, Senna jantou o francês com arroz e fritas antes da curva Spoon e se mandou na liderança.

Mais a frente, Senna encontrou o retardatário Eddie Irvine que, disputando posição com Damon Hill, quase tirou o brasileiro da prova. Depois, os dois trocaram sopapos nos boxes.

Além da magistral vitória de Senna, o GP do Japão contou com ótimas atuações de Hill, Irvine, Berger, Hakkinen e Barrichello, que conquistou seus primeiros pontos na Fórmula 1, com um quinto lugar. Vale conferir!

 

GP do Brasil – 1994

Ayrton Senna – Interlagos 1994

A lista de corridas inesquecíveis tendo Ayrton Senna como protagonista é bem grande. Mas eu gosto de fugir do óbvio: o GP do Brasil de 1994 foi a última prova do brasileiro em Interlagos e mostrou o que, infelizmente, o campeonato daquele ano poderia ter sido, mas não foi.

Os jovens leitores dessa coluna não devem ter noção do que foi a ida de Senna para Williams. Basicamente, em 1992 e 1993, os carros da equipe inglesa eram mais de um segundo mais rápido que os seus adversários diretos. Em contrapartida, Senna fez seu melhor ano pela McLaren em 1993. A união do melhor carro com o melhor piloto só podia resultar em um empilhamento de vitórias jamais visto na história. Mas, a F1 proibiu as ajudas eletrônicas do carro para 1994 e, já nos testes de pré-temporada, a Benetton despontava como uma rival em potencial.

Nada que abalasse a confiança da torcida brasileira, que lotou as arquibancadas de Interlagos. Uma vitória de Senna era barbada. Só que desde a largada duas coisas ficaram claras: 1) o novo regulamento ainda traria muitos problemas para os pilotos, pois os carros quicavam feito bolas de basquete no asfalto e 2) para a incredulidade de todos, a Williams se mostrava mais lenta que a Benetton.

Senna liderou no começo mas, nos boxes, as posições foram invertidas, com Schumacher voltando em primeiro e abrindo vantagem (sim, depois descobriu-se que a Benetton trapaceava em diversas partes do carro e da equipe, como no equipamento de reabastecimento, mas isso será papo para uma edição especial do Loucos por Automobilismo, nas férias). Na segunda parada, Schumacher manteve a ponta e Senna começou acelerar feito um maluco por Interlagos, enquanto o alemão tentava responder. Era nítido que o brasileiro vinha andando mais que o carro e tentava reduzir a vantagem a todo custo, alternando voltas mais rápidas com o adversário. A perseguição eletrizante acabou quando Senna rodou na volta 55, na curva da junção, dando adeus à disputa.

O ritmo de Schumacher e Senna foi tão forte que os dois colocaram uma volta em Damon Hill, também da Williams, que corria pela terceira posição.

 

GP da Bélgica – 1995

Hill x Schumacher – Spa 1995

Uma exibição de gala de Michael Schumacher marcou uma das melhores corridas dos anos 1990. A coisa começou a ficar legal nos treinos. Por causa das chuvas intermitentes, Schumacher conseguiu apenas a 16ª posição no grid. Damon Hill, seu adversário mais próximo, largaria em 8º. Na frente, as Ferraris de Jean Alesi e Gerhard Berger.

Sinal verde aceso (sim, sinal verde) e, na sexta volta, Schumacher já estava na quinta posição. Assumiu a liderança antes da décima volta, com as paradas nos boxes ou abandonos dos adversários. Mas veio a chuva e todos começaram a ir aos boxes. O alemão arriscou, apostando que a precipitação seria passageira na pista com pneus slick. Hill, que tinha parado, encostou na Benetton #1 e o que se viu foi uma demonstração incrível de habilidade do alemão, então apenas campeão do mundo.

Durante uma volta inteira, Schumacher e Hill disputaram freadas e curvas, com o alemão bloqueando o inglês magistralmente, se equilibrando na pista molhada. Depois de muita insistência, Hill passou, mas a chuva parou nos minutos seguintes e ele teve de voltar aos boxes para retornar aos pneus slick.

Depois, a água caiu forte e todos pararam, mas a liderança de Schumacher já era consolidada. No finalzinho, Damon Hill ainda protagonizou uma bela disputa com Martin Brundle, ultrapassando o compatriota na penúltima volta, para terminar em segundo. Mas não foi capaz de buscar seu principal adversário, que disparou na liderança do campeonato.

 

GP da Europa – 1999

Nurburgring 1999

Se você achou o GP da Alemanha deste ano movimentado, espere até assistir às mais de duas horas dessa corrida em Nurburgring. Sim, mais de duas horas, porque a largada precisou ser adiada duas vezes sendo uma delas em virtude de uma capotagem espetacular de Pedro Paulo Diniz, que decolou após atropelar a Benetton de Alexander Wurz.

Quando a corrida passou a valer, o que se viu foi uma das maiores loucuras da história do automobilismo. A chuva começava e parava e pilotos e equipes não tinham a menor ideia do que fazer nessa situação. Tinha gente que parava pra trocar pneus, outros ficavam na pista. Alguns rodavam. Além disso, havia a disputa pelo título daquele ano, entre Mika Hakkinen, Heinz Harald Frentzen (!?) e Eddie Irvine (!?!?!?!?!!?). Este último, explique-se: Michael Schumacher se acidentou na Inglaterra, quebrou a perna, e ficou fora da batalha. A Ferrari focou seus esforços em Irvine, quer dizer, depende do que você entende por focar. Nessa corrida, por exemplo, quando o irlandês encostou o carro nos boxes, se viu pendurado pelo macaco hidráulico sem que houvesse pneus para colocar em seu carro. Enquanto isso, Hakkinen, que nunca foi bom na chuva, se arrastava e contava com abandonos para terminar em quinto e fazer dois pontos essenciais na sua batalha contra Irvine.

E quantos abandonos foram. David Coulthard rodou sozinho, quando liderava. Giancarlo Fisichella também. Frentzen, na sua grande chance de assumir a ponta da tabela, enfrentou problemas hidráulicos logo após o pit-stop. Ralf Schumacher não abandonou (terminou em 4º), mas fazia um corridão quando teve um pneu furado e perdeu a chance de conquistar a sua primeira vitória.

No meio de tantas confusões, surgiu Johnny Herbert, da Stewart, que havia apostado em pneus de chuva mais cedo, sem desistir posteriormente, e se manteve na pista molhada, herdando a liderança no final. Quando tudo parecia se acalmar, Nurburgring ainda reservou uma linda disputa entre Rubens Barrichello e Jarno Trulli pela segunda posição, com o italiano levando a melhor. Como se não bastasse, ainda tivemos a imagem de Luca Badoer aos prantos, após abandonar a corrida quando estava na quinta posição, o que significaria dois pontos preciosos para a Minardi, naquele ano.

 

Gp da Inglaterra – 2003

Silverstone 1993

Muito se fala da vitória de Rubens Barrichello na Alemanha, em 2000. De fato, foi uma corrida estupenda. Mas o que o brasileiro fez nesse GP da Inglaterra, em 2003, é um verdadeiro absurdo. Uma exibição de campeão, em sua melhor temporada na Fórmula 1.

Largando da pole, Barrichello caiu para terceiro. Depois de uma entrada do Safety Car, por causa de detritos na pista, o brasileiro foi com tudo para cima de Kimi Raikkonen e passou o finlandês por fora, na chicane Abbey.

Quando ele se preparava para superar Jarno Trulli, entrou em cena o infame padre irlandês Cornelius Horan, o mesmo que tirou a medalha de ouro de Vanderlei Cordeiro de Lima, na maratona das Olimpíadas de Atenas, em 2004. O maluco invadiu a pista e a direção de prova acionou o Safety Car.

Alguns pilotos foram para os boxes, enquanto outros ficaram na pista. Com a confusão, Cristiano da Matta surgiu na liderança, com a Toyota, ponteando 18 voltas da prova, com total segurança, à frente de Raikkonen. Mais atrás, novamente na chicane Abbey, Barrichello deixava Ralf Schumacher para trás, após um drible espetacular.

Depois da última rodada de pit-stops, o brasileiro se viu novamente atrás de Kimi Raikkonen e foi com tudo para cima do adversário. Usando de novo a Abbey, Barrichello tentou um ataque agressivo, Raikkonen fechou a porta, mas entrou rápido demais na curva seguinte, escapando para a grama. O piloto da Ferrari assumiu a liderança para não mais perde-la até o final. Uma prova eletrizante, do começo ao fim.

E com esta despretensiosa listinha, me despeço de vocês em 2019. Foi ótimo trocar informações por aqui! Desejo a todos um Feliz Natal e um ano novo cheio de realizações e muita, mas muita velocidade mesmo! Até 2020!

Bruno Aleixo
São Paulo – SP

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